Cientista diz que Brasil é terreno fértil para Covid mortal e alerta o mundo

"Não resolver a pandemia na Europa ou nos Estados Unidos se o Brasil é um terreno fértil para a forma mais letal do vírus", diz Miguel Nicolelis

O neurocientista Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, estava no Brasil quando a pandemia estourou. Ele vive em São Paulo, sozinho, tentando se manter seguro, longe do coronavírus. Mas, sendo assim, conhece bem a realidade brasileira no enfrentamento à doença.

Brasil bate recorde de mortes diárias pela Covid-19 nesta sexta-feira (26) – Foto: Arvito Concatto/NDTV/NDBrasil bate recorde de mortes diárias pela Covid-19 nesta sexta-feira (26) – Foto: Arvito Concatto/NDTV/ND

Nesta quinta-feira, em entrevista ao The Guardian, da Inglaterra, ele deu um alerta para o mundo em relação ao Brasil. De acordo com Nicolelis, “o Brasil é agora um laboratório ao ar livre. Um lugar onde o vírus pode se espalhar e, eventualmente, criar variantes mais mortais, as cepas letais”.

Para o neurocientista Miguel Nicolelis, Brasil virou um laboratório criador de cepas mortais da Covid-19 – Foto: DivulgaçãoPara o neurocientista Miguel Nicolelis, Brasil virou um laboratório criador de cepas mortais da Covid-19 – Foto: Divulgação

“O Brasil se tornou um terreno fértil da Covid letal, que pode levar o mundo de volta ao confinamento”, diz na matéria o neurocientista.

Isso depois que o Brasil sofreu um recorde de 1.840 novas mortes nesta quarta-feira (3), elevando o número total de mortes do país para 259.402.

Cresceu o número de sepultamentos no cemitério devido às mortes por coronavírus – Foto: Willian Ricardo/NDCresceu o número de sepultamentos no cemitério devido às mortes por coronavírus – Foto: Willian Ricardo/ND

Nicolelis disse ainda ao The Guardian que “o mundo deve falar com veemência sobre os riscos que o Brasil representa para a luta contra a pandemia”. E completou:

“Qual é o sentido de resolver a pandemia na Europa ou nos Estados Unidos, se o Brasil continua a ser um terreno fértil para este vírus. Se você permitir que o vírus se prolifere nos níveis em que está proliferando aqui, você abre a porta para a ocorrência de novas mutações e o aparecimento de variantes ainda mais letais.”

O Reino Unido introduziu um sistema de quarentena estrito, a fim de evitar que a variante altamente infecciosa do Brasil e outras cepas se espalhem pelo país. Em números atualizados, o Brasil agora tem o segundo maior volume de mortes no mundo, depois apenas dos Estados Unidos.

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