Colapso em SC: gráficos revelam pior momento desde início da pandemia; confira

Entre os destaques da situação crítica vivida por Santa Catarina estão recordes de casos ativos, mortes fora de leitos de UTI e aumento da hospitalização de jovens

Santa Catarina ultrapassou 700 mil infectados pelo coronavírus e já soma 7.816 mortos, desde março de 2020. É o pior momento da pandemia no Estado. O sistema de saúde colapsou e não há leitos para tantos doentes. A fila por uma vaga de UTI cresce de forma constante há duas semanas, como o número de infectados e mortos.

A quantidade de pessoas com o vírus ativo disparou. São mais de 45 mil pessoas testadas com potencial de transmitir a doença. Os mais jovens, que antes pareciam mais resistentes, agora são presença mais comuns nas unidades de terapia intensiva, e também nos sepultamentos.

Pessoas fazem oração em frente a hospital com vítimas da Covid-19 em SC – Foto: Divulgação/NDPessoas fazem oração em frente a hospital com vítimas da Covid-19 em SC – Foto: Divulgação/ND

O ND+, em parceria com CatarinaLAB, analisou dados compilados desde o início da pandemia e traçou como a Covid-19 se comportou em solo catarinense neste quase um ano, incluindo as informações de infecção, mortes, recuperação e vacinação.

Idade

Um dos fatores de maior destaque nos registros oficiais sobre a Covid-19 está relacionado à idade. O retrato mais recente, com dados de sexta-feira (5), mostra que os mais jovens são os mais contaminados pela doença, com forte concentração entre 21 e 45 anos, com pico na faixa dos 38 anos, representando mais da metade dos infectados (389.575 casos). 

Por outro lado, o raio-x das mortes revela que o público mais sensível à doença está acima dos 60 anos, com pico na casa dos 72 anos. Esse público representa 78% das mortes totais, contabilizando mais de 6 mil óbitos entre os 7.816 casos fatais desde março de 2020.

Jovens em UTIs

Ao analisar os dados de internações em UTIs, percebe-se crescimento relativo de pessoas mais jovens necessitando tratamento intensivo. Segundo especialistas, esse é um dos efeitos provocados pela variante brasileira do vírus, a P1, descoberta em Manaus e já disseminada por todas as regiões do país.

Em 2020, as internações em UTIs estavam concentradas entre pacientes de 53 a 78 anos. Comparando os dados com as internações a partir de fevereiro de 2021, proporcionalmente as hospitalizações em UTI aumentaram na faixa dos 37, 42 e 50 anos.

Os mais jovens também são os que mais se recuperam do vírus. Dos 8.349 que passaram por UTIs desde o início da pandemia, 3.578 (42%) conseguiram vencer a doença e sair com vida.

Desses, 1.854 tinham até 49 anos e 1.227  — 66% dos internados nessa faixa de idade— se recuperaram. 

Já entre os pacientes com mais de 50 anos que foram internados em UTIs (6.495 pessoas), a taxa de recuperação ficou em 36,19%. Ou seja, 2.351 que conseguiram sobreviver. 

Letalidade nas UTIs 

Ainda assim, é possível verificar crescimento da letalidade da Covid-19 em pessoas com menos de 50 anos. O percentual de mortes nessa faixa etária nas UTIs passou de menos de 10% em 2020, para mais de 15% em 2021. 

De todas as 7.816 mortes registradas até sexta-feira, 90% são de pacientes com mais de cinco décadas de vida. As mortes em UTIs seguem essa tendência: das 4.127 mortes no tratamento intensivo desde março do ano passado, 89,7% ocorreram nessa faixa de idade.

No entanto, o aumento dos mais jovens em UTIs, impactou, igualmente, nos registros de mortes. Dos 429 óbitos no tratamento intensivo entre 1º de fevereiro e 5 de março, 68 foram de pessoas com menos de 50 anos, o que representa 15,8% das mortes em UTIs em 2021.

No ano passado (de janeiro a dezembro), o percentual de mortes nas UTIs abaixo dos 50 anos foi de 9,7%.

Comorbidades

As comorbidades são outro fator que impacta diretamente nos casos de mortes. Foram 5.975 (76,4%) mortes de pacientes com ao menos uma comorbidade associada. As comorbidades são doenças que fragilizam ainda mais os pacientes infectados. 

Os dados da Secretaria de Estado da Saúde listam 369 combinações diferentes de comorbidades. Sendo as mais frequentes ‘doença cardiovascular crônica’ (1.100 mortes), ‘doença cardiovascular crônica + diabetes’ (844) e ‘diabetes’ (449).

Mortes na fila de espera e em casa 

O agravamento da pandemia nas últimas semanas levou Santa Catarina ao colapso total no sistema de saúde. O último relatório da Secretaria de Saúde mostra que, na sexta-feira, 291 pessoas aguardavam na fila por um leito de tratamento intensivo.

A UTI se tornou gargalo no combate à pandemia, já que é nesses leitos que o paciente tem acesso a equipamentos mais complexos, que fazem monitoramento e ajudam nas estabilização durante o tratamento, como é o caso do respirador.

A fila por um leito de UTI aumentou rapidamente nas últimas duas semanas, o que forçou o estado a enviar pacientes para outros estados, como o Espírito Santo.

O relato de familiares daqueles que estavam na fila é estarrecedor. Pessoas que tinham a indicação e o encaminhamento para UTI, mas que não conseguiram tratamento por falta de leitos.

O governo catarinense tem negado à imprensa acesso aos dados do serviço de regulação que mostrariam quantas pessoas com pedidos de UTI morreram antes de receber o tratamento.

A reportagem contabilizou o número de pessoas internadas que morreram sem passar pela UTI. Esse dado é apenas uma amostragem do que Santa Catarina está enfrentando. O que os dados mostram é uma disparada de mortes no Oeste catarinense em leitos normais.

Desde 1º de fevereiro deste ano, em pouco mais de um mês, foram registradas 550 mortes de pessoas internadas que não passaram por leitos de UTI.

A Secretaria de Saúde não confirma quantos desses casos tinham pedido de transferência para tratamento intensivo no sistema de regulação.

No Oeste, onde a falta de leitos é mais grave, ocorreram 32% das mortes em leitos normais. 

Só em 2021, foram 1.057 mortes de pessoas internadas que não passaram por UTI, o que representa praticamente metade (46%) de todas as mortes com essas mesmas características registradas em 2020 (2.280 óbitos).

Ainda há casos de mortes de pessoas com diagnóstico positivo para Covid-19 que ocorreram sem nenhum registro de internação.

Desde março de 2020, foram 352 óbitos de pessoas que morreram em casa ou fora dos hospitais. O maior número dessas mortes foi registrado em Florianópolis (43 óbitos), seguido de Chapecó (33) e Joinville (29).

No entanto, das 33 mortes fora do hospital registradas em Chapecó, 31 ocorreram em 2021, um aumento gritante de pessoas que morreram na principal cidade do Oeste sem monitoramento permanente de médicos.

Mais de 45 mil pessoas estão com vírus ativo em SC

Nas últimas semanas, Santa Catarina bateu recordes de contaminação por Covid-19. Um dos principais fatores para acelerar a transmissão é o número de pessoas com o vírus ativo.

Dados do Imperial College apontam que o Brasil está com uma taxa de transmissão de 1,13 RT. E aponta que o país está sem controle da pandemia, que é quando o fator é superior a 1.

Na última sexta-feira chegamos a 45.972 pessoas com o vírus ativo em Santa Catarina. Dado que também apresenta uma crescente consecutiva.  É o maior número de pessoas com o vírus ativo ao mesmo tempo desde o início da pandemia. Para se ter ideia, em outubro de 2020 o Estado tinha 3.910 pessoas com o vírus ativo. 

Uma das explicações para maior transmissão estaria nas características da variante brasileira P1, que é mais contagiosa, segundo os cientistas.

Vacinação

Santa Catarina já aplicou 289 mil doses da vacina contra a Covid-19 em mais de 220 mil catarinenses, o que representa 58% das 497.040 recebidas.

As maiores cidades, que também são as que registram maior número de casos confirmados, foram as que mais vacinaram até o momento. 

O ND+ tem plataforma de monitoramento de aplicação das vacinas contra a Covid-19 no Estado. Os números são atualizados com dados da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).

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