Em meio ao colapso, SC tem aumento de 66% dos casos ativos da Covid-19 em 10 dias

Escalada de contaminação da Covid-19 registra o pior cenário da pandemia até então, com mais de 30 mil casos ativos e sistema de saúde em colapso, acima dos 90% de ocupação

Nesta quinta-feira (25), em plena situação de colapso da rede pública de saúde, Santa Catarina confirmou 4.754 novos casos da Covid-19, deixando 31.859 ativos, aumento de 66% em somente 10 dias. O Estado já conta com 618 mil pessoas recuperadas, considerando o montante total de 657 mil confirmações desde o início da pandemia, há quase um ano.

Nas últimas 24h também foram registradas 51 mortes em decorrência do vírus, ou seja, são 7.165 vítimas até então, deixando Santa Catarina com a menor taxa de letalidade do país, em 1,09%.

SC; casos; covid-19; colapso; coronavírus; ativosAlém do aumento repentino de casos ativos da Covid-19, número de leitos de UTI reduziu drasticamente em menos de uma quinzena, esboçando o pior cenário da pandemia em Santa Catarina até então – Foto: Arvito Concatto/NDTV/ND

Contudo, a escala de casos ativos nas últimas semanas demonstra o Estado crítico do Estado, deixando a média de 2 a 3 mil casos confirmados a cada atualização epidemiológica, beirando os 5 mil. Na terça (23), o Estado teve a maior alta de 2021, com 6.177 infectados em 24h.

Nacionalmente, Santa Catarina ainda é, segundo os dados do Conass (Conselho Nacional de Secretarias de Saúde), o 4º Estado com maior número de confirmações de casos e o 12º em mortes pela Covid-19.

E esse aumento expressivo do número de casos ativos acarreta na situação atual do sistema público de saúde. Atualmente 90% de todos os leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estão lotados, marca que foi ultrapassada recentemente e é a pior desde o início da pandemia.

Em ofício encaminhado aos 295 secretários municipais de saúde, também nesta quarta (25), o o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, alertou para a manutenção dos estoques de insumos, principalmente os relacionados aos “kits intubação”.

“Preciso informar a todos que a situação da pandemia deteriorou no Estado todo e, a exemplo do que acontece nas regiões mais a Oeste, estamos entrando em colapso! Todos os esforços de Estado e municípios, até então, são insuficientes em face à brutalidade da doença”, anotou o secretário.

Além do já citado Oeste, a região da Grande Florianópolis e de Joinville apresentam um panorama crítico, com alta nas ocupações de UTI e mais de 20 mil casos a mais do que as demais cidades.

Os municípios com mais casos confirmados da Covid-19 em SC são:

  • Joinville: 61.264
  • Florianópolis: 59.393
  • Blumenau: 34.986
  • São José: 25.282
  • Chapecó: 23.175
  • Criciúma: 19.180
  • Palhoça:19.077
  • Balneário Camboriú: 18.436
  • Itajaí: 17.322
  • Brusque: 16.978

Somente a região da Grande Florianópolis soma mais de 20% dos casos confirmados em todo o Estado. A capital, atualmente, tem cerca de 2 mil casos ativos e 89% de todos os seus leitos ocupados.

A resposta do poder público em nível estadual foi de adotar novas restrições.

Mais casos ativos = mais restrições

Conforme antecipação do nd+, as medidas do decreto desta quarta (24), que vigora a partir de quinta (25), incluem proibição do funcionamento de alguns tipos de comércios entre 0h e 5h59.

Também está prevista a proibição do funcionamento durante o fim de semana em alguns casos.

Os municípios catarinenses podem definir medidas mais restritivas do que as anunciadas pelo estado. Porém, nunca mais flexíveis.
Outra novidade é que as medidas foram definidas independente da classificação das regiões no mapa de risco da Covid-19.

Os demais detalhes sobre as restrições você confere na reportagem.

Além disso, conforme reportado pela colunista Karina Manarin, o governador Carlos Moisés (PSL) decretou Estado de Calamidade Pública até junho.

Você pode conferir o decreto na íntegra aqui.

Mais de 52 mil catarinenses tomaram a segunda dose da vacina

Os últimos dados, também desta quarta (24), apontam um total de 211.772 vacinados em solo catarinense, com informações da DIVE (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).

Contudo, somente 52.075 foram totalmente imunizados, pois esse foi o montante que recebeu a segunda dose. Quase 160 mil tomaram somente a primeira dose.

Dos que estão totalmente imunizados são 43 mil trabalhadores da saúde, 5 mil idosos em Instituições de Longa Permanência, 285 deficientes, 2,4 mil indígenas, 503 em idosos com 90 anos ou mais e 6 mil em idosos de 85 a 89 anos.

Nacionalmente, Santa Catarina é em proporção, a quarta Unidade Federativa que menos vacinou.

“Essa quantidade é cerca de 56% dos grupos prioritários que já iniciaram a vacinação, quando considerada a primeira dose. Não é um número suficiente, pois a meta é atingir 90% em todos os grupos, mas consideramos que até o momento, como o Estado recebeu um pequeno quantitativo de doses do Ministério da Saúde, foi o que foi possível realizar”, afirma o superintendente de Vigilância em Saúde de SC, Eduardo Macário.

Sistema de saúde em colapso

Os últimos dados, desta quarta (25), indicam o já citado colapso no sistema público de saúde, que dentre 55 hospitais com UTI, tem somente 149 leitos livres, menos de 10% do total.

Além disso são 13 unidades que estão totalmente lotadas, ou seja, 1 a cada 4 hospitais da rede pública já não podem receber pacientes com casos ativos mais graves.

“Infelizmente, percebe-se fenômeno similar no resto do País. Solicito aos gestores municipais que tomem medidas emergenciais para diminuir significativamente a circulação das pessoas, mantendo apenas serviços essenciais e que convoquem toda a força de trabalho da Saúde para o enfrentamento. Estamos mobilizados para fazer todo o possível para diminuir sofrimentos impostos às pessoas, mas a força e gravidade deste momento estão suplantando o resultado das nossas ações”, disse o secretário de saúde em mensagem aos secretários municipais.

A situação mais crítica está na região do Meio-Oeste e Serra catarinense com 98,1%. A menor taxa se encontra na região Sul (92,8%).

Se analisados os leitos especiais para a Covid-19, a situação é ainda mais crítica. São 66% dos hospitais que já não possuem esses leitos, justamente os que são usados para aferir o risco de cada região no mapeamento estadual, sendo especificados como variável de “capacidade de atenção”.

O agravamento é refletido já no último mapeamento, do dia 19, antes do colapso do sistema público e da marca de mais de 30 mil casos ativos em solo catarinense.

Nesse levantamento são 15 das 16 regiões em risco potencial gravíssimo, deixando somente a carbonífera em risco grave, o segundo mais crítico da escala.

Laboratório detecta casos suspeitos da variante britânica

Casos suspeitos para a cepa da Covid-19 detectada na Inglaterra e em diversos países da Europa foram identificados pelo Laboratório Santa Luzia.

A empresa já comunicou a suspeita às vigilâncias epidemiológicas de Florianópolis e de Santa Catarina. A confirmação da cepa em 16 pacientes ainda deverá ser realizada por meio de sequenciamento genético ​pelo Instituto Adolfo Lutz.

“Os testes de RT-PCR utilizados para o diagnóstico destes pacientes apresentou um padrão suspeito para esta nova variante, o que deverá ser confirmado pela metodologia de sequenciamento, porém com elevada probabilidade de tratar-se mesmo da variante do Reino Unido”, afirma a diretora médica do laboratório, patologista clínica Annelise C. Wengerkievicz Lopes

Isolamento não corresponde à crise da Covid-19

Desde o início da vacinação os números de isolamento social enfrentaram queda, com registro das duas maiores baixas neste mês de fevereiro, de 29,9 e 29%, nos dias 22 e 19, respectivamente.

Refletindo o comportamento da última quarta (24), os dados também não são otimistas, com 30,2% dos catarinenses em casa, ante 32% de média nacional.

Dito isso, Santa Catarina é a 5ª Unidade Federativa menos isolada, enquanto o Estado do Acre lidera o ranking, com índice de 42%.

Os dados são da plataforma In Loco, que mapeia 1,5 milhão de catarinenses via smartphone.

Confira o mapa nacional:


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