Com 36 casos em SC, qual a eficácia das vacinas e como Delta pode adiar volta ao ‘normal’

Casos da variante Delta do coronavírus já foram detectados em 20 municípios catarinenses; especialistas apontam que cuidados devem continuar

Santa Catarina confirmou mais 25 casos da variante Delta do coronavírus nesta terça-feira (10). O dado acende o alerta para a vacinação contra a Covid-19, a eficácia das vacinas em uso e a volta à “vida normal” no Estado. Até o momento, SC detectou 36 casos da mutação em 20 municípios.

Até o momento, SC detectou 36 casos da mutação em 20 municípios – Foto: Leo Munhoz/NDAté o momento, SC detectou 36 casos da mutação em 20 municípios – Foto: Leo Munhoz/ND

Em maio de 2021, após ser associada ao agravamento da pandemia, a cepa foi declarada como variante de preocupação pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Conforme um estudo divulgado em julho por pesquisadores ligados a OMS e ao Imperial College de Londres, a variante Delta é cerca de 97% mais transmissível do que o coronavírus original identificado na China, sendo assim ainda mais preocupante do que as variantes surgidas no Reino Unido (Alfa), na África do Sul (Beta) e no Brasil (Gama).

Importância da vacinação

A maior transmissibilidade somada à baixa cobertura vacinal e à flexibilização das medidas de isolamento podem dar espaço para a Delta se replicar pelo país, alertam especialistas.

“É urgente lidarmos com ela com mais seriedade, antes que se espalhe. As variantes estão em busca de pessoas não vacinadas, e não dá tempo de ficar escolhendo o imunizante”, alertou a epidemiologista Denise Garret, vice-presidente do Sabin Institute, nos Estados Unidos, em entrevista à revista Veja em julho.

Fabiane Trevisol, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), diz que estudos preliminares apontaram que a variante Delta tem alta transmissibilidade mesmo em pessoas já vacinadas contra a Covid-19.

Segundo ela, embora essas pessoas não desenvolvam a forma mais grave da doença, atuam como vetores e podem infectar indivíduos que ainda não foram imunizados.

“Isso demonstra a importância de acelerar ao máximo a vacinação porque a pessoa vacinada vai ter menor risco de evoluir para caso grave e morrer em decorrência da Covid-19. Quanto mais rápido vacinarmos, maior a chance de reduzirmos a gravidade da variante”, explica Trevisol.

Volta à normalidade ameaçada

O avanço da variante Delta aliado a um ritmo lento de vacinação pode, ainda, prejudicar a volta à normalidade em Santa Catarina. A professora da Unisul diz que a ameaça se dá por se tratar de uma variante nova, além do fato de imunizados poderem atuar como vetor da mutação.

Em entrevista ao ND+ no dia 21 de julho, o professor Rogério Sobroza de Mello, do curso de Medicina da Unisul, destacou que o aumento de casos da Covid-19 em decorrência da variante pode levar à necessidade de manter as medidas restritivas por mais tempo ou até torná-las mais rígidas.

Ambos os especialistas reforçam a necessidade de manter os cuidados sanitários, como o uso da máscara, a higienização das mãos e o distanciamento social.

Mesmo em países com a vacinação quase completa, como Israel, Alemanha e China, os governos locais decidiram voltar com as medidas restritivas para conter a nova variante.

“Enquanto não tivermos uma taxa de cobertura vacinal alta em todo o mundo, vamos ter que continuar com as medidas de segurança para impedir o contágio pela nova variante do coronavírus”, afirma a professora.

Eficácia das vacinas

Laboratórios em diferentes partes do mundo estão fazendo estudos e divulgando informes sobre a eficácia das vacinas contra a variante Delta.

A Johnson & Johnson, fabricante da Janssen, anunciou no início de julho que a vacina de dose única é eficaz contra a variante, com uma resposta imunológica que dura pelo menos oito meses.

As vacinas feitas pela Pfizer ou Astrazeneca ainda estão sendo estudadas. Por enquanto, a tendência aponta para eficácia de 95% contra a Delta após a aplicação das duas doses.

No caso da Coronavac, testes de laboratório na China mostraram a efetividade das duas doses do imunizante. No Chile, o governo decidiu por uma terceira dose da Coronavac, para garantir a resposta imunológica contra a variante delta.

Ainda que os estudos estejam em andamento, há mais indícios de que as duas doses da vacina garantem a imunização da população.

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Saúde

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