Com menor população, Santa Catarina lidera incidência de Covid-19 na região Sul

Índice de infectados pelo coronavírus em SC é de 132,6 para cada 100 mil habitantes; RS e PR apresentam taxas menores

Com 7,2 milhões de habitantes estimados pelo IBGE, Santa Catarina figura com a menor população entre os estados da região Sul do país. O estado catarinense, no entanto, lidera na incidência do novo coronavírus, seja por números absolutos ou em proporção.

Após dois meses e 21 dias do primeiro registro de Covid-19 em seu território, Santa Catarina alcançou a marca de 9.498 casos. Levantamento atualizado pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (1º) posiciona o Estado na frente do Paraná e do Rio Grande do Sul.

De acordo com os dados oficiais, a doença já acometeu uma média de 132,6 pessoas em cada 100 mil habitantes, em Santa Catarina. 

No Rio Grande do Sul, cuja população é de 11,4 milhões, a incidência foi de 82 para cada 100 mil habitantes. O total de diagnósticos até segunda-feira (1) era de 9.332 no estado gaúcho – o que representa pouca diferença com Santa Catarina.

No Paraná, com população de 10,4 milhões, o índice é ainda menor. A média é de 42,3 pacientes para cada 100 mil habitantes. O estado paranaense também tem o menor registro em números absolutos: 4.835 diagnósticos até segunda-feira.

Se comparada, a proporção da doença em Santa Catarina é três vezes maior do que no vizinho ao Norte. 

Calçadão da Felipe Schmidt, em Florianópolis – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDCalçadão da Felipe Schmidt, em Florianópolis – Foto: Flávio Tin/Arquivo/ND

Medidas de combate

Os três estados da região Sul diagnosticaram os primeiros casos de coronavírus na mesma semana. As medidas adotadas para enfrentar a pandemia, no entanto, foram distintas.

A metodologia adotada para monitorar a propagação da doença também foi específica em cada estado. Por isso, o índice de letalidade, a interiorização do vírus e o comportamento da população tiveram características particulares. 

Santa Catarina obteve a confirmação dos primeiros casos em 12 de março. Cinco dias depois, o governador Carlos Moisés decretou isolamento social. O comércio e as escolas fecharam e o transporte público parou de funcionar.

A identificação dos primeiros infectados no Paraná ocorreu no mesmo dia. O isolamento social foi decretado com apenas um dia de antecedência em relação à SC. 

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No Rio Grande do Sul – maior em população e território -, a quarentena foi decretada nove dias após o primeiro diagnóstico da doença. Portanto, em 19 de março, o governo gaúcho passou a limitar a capacidade do transporte público em 50% e restringir a atuação do comércio. 

Pouco mais de 15 dias depois, em 1º de abril, o RS registrava o maior número de casos, com 316 registros, seguido de SC, com 247 casos, e do Paraná, com 229.

À medida que os dias passaram e o isolamento foi sendo suavizado, a propagação da doença acelerou, especialmente no território catarinense, que agora lidera o número de infectados

Escalada do Coronavírus na região Sul &#8211; Fonte: Ministério da Saúde/ND <em>(Última atualização 2/6/2020)</em>Escalada do Coronavírus na região Sul – Fonte: Ministério da Saúde/ND (Última atualização 2/6/2020)

“Dados não são homogêneos”

Para o professor de Saúde Pública da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Lúcio Botelho, as diferentes medidas adotadas pelos governos fez com que o vírus avançasse de maneira distinta. Na avaliação dele, os dados “não são homogêneos” e há diferença no “número de testes e diagnósticos”.

O professor destaca que as bases de extração de dados são distintas, o que dificulta a análise. “A gente observa que houveram consequências distintas em relação aos decretos, principalmente em Santa Catarina”, completou.

Após ganhar destaque nacional pelo decreto mais restritivo de isolamento social, Carlos Moisés acabou sedendo a pressões e passou a flexibilizar as medidas restritivas. Novo decreto publicado em 22 de abril liberou a abertura de shoppings, academias e até igrejas.

Após 15 dias depois, SC registrou novo pico da doença, desta vez em Chapecó. Em um mês, o número de infectados na maior cidade do Oeste do Estado, saltou de seis para 626.

Nos dois estados vizinhos, as medidas restritivas também perderam força ao longo das semanas. Um mapa que monitora o cumprimento da quarentena nos estados brasileiros indica que, no início de abril, a taxa de isolamento social ultrapassava os 60% no Paraná e no RS. 

A tecnologia que usa dados de localização desenvolvida pela Inloco aponta que, em maio, no entanto, o percentual não passou dos 55%.

Na última quinta-feira (28), por exemplo, quando SC registrou 12 mortes em 24 horas, a taxa de isolamento catarinense estava em 37,9%.

A recomendação da OMS (Organização Mundial de Saúde) para frear a disseminação do vírus e evitar o colapso no sistema de saúde é de 70% de isolamento da população.

Interiorização do coronavírus

Secretaria do Estado da Saúde de SC/NDSecretaria do Estado da Saúde de SC/ND

Santa Catarina também é o estado que lidera no índice de interiorização da doença. Dos 295 municípios catarinenses, 218 já confirmaram pelo menos um infectado por Covid-19.

Dos 399 municípios paranaenses, 255 tiveram registros de doentes. No RS, o alastramento foi menor: 292 municípios dos 497 registraram casos. 

Proporcionalmente, significa que 73% dos municípios catarinenses tiveram ao menos um caso da doença. Enquanto que no Paraná e no RS, a incidência territorial foi de 63% e 58%, respectivamente.

Governo do Paraná/NDGoverno do Paraná/ND

Para o professor Lúcio Botelho, o aumento exponencial dos casos em SC se dá por dois fatores: em decorrência da atividade econômica de alguns locais e o abandono das medidas de isolamento social por parte da população. 

Governo do Rio Grande do Sul/NDGoverno do Rio Grande do Sul/ND

“Algumas regiões do Estado têm presença da agroindústria e tem uma quantidade muito grande de pessoas circulando. Isso fez crescer muito a nossa estatística”, comentou. 

Os mapas de propagação da doença mostram que vírus se espalhou de forma diferente entre os estados.

Em SC, a região Oeste é a que concentra o maior número de casos. Já no RS e no PR, por exemplo, as regiões metropolitanas, próximas às capitais, são as que canalizam mais infectados. 

05 Comentários

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  • Refletindo
    Refletindo
    Não foi levado em consideração a caracteristica catarinense, que se assemelha à Alemã: Podemos ter um território pequeno, mas cada região com atividade, quer Industrial, Agrícola ou Comercial. Nos Estados limitrofes a caracteristica se assemelha à Espanhol: Capital Metrópole, mas com grandes regiões com pouca concentração de pessoas: uma espécie de Isolamento Social Natural! Temos baixa letalidade em SC, pelo Covid-19, à nivel nacional, que parece ter sido esquecida por quem fez a matéria. Além disso os dados estaduais, mesmo que chancelados como oficiais, sofreram várias mudanças na fórma da notificação, nas últimas semanas quando deu um aumento exponencial na totalização, a impressão que passou é ter sido somado casos em andamento aos casos de pessoas recuperadas, como se elas não tivessem sido notificadas à época em que estiveram doentes! Lembrando também que a nivel de Brasil, quantos notificados como Covid-19 pódem ter vindo à óbito por outras patologias, como muitos cardiologistas já cogitaram a hipótese. Já que é sabido que cardiopatas, hepáticos, por exemplo, possuem menos eficiência imunológica, digamos assim, quando comparados com uma pessoa plenamente saudável que ao entrar em contato com virus e bactérias, não é afetada por elas.
  • Manezinho
    Manezinho
    Imaginem se o governo de SC fosse seguir as pessoas que queriam acabar com isolamento social a todo custo, com passeatas e protestos!! Sem noção e um desfavor para com o resto da população!
  • edomar gums
    edomar gums
    Jornal safado, notícia tendenciosa. Por quê não menciona o número de mortes dos três estados. Sabem por quê, ai o nosso estado, de Santa Catarina, tem o número menor de mortes. Quem escreveu a matéria,com certeza é alinhado a esquerda, ou seja, quanto pior, melhor

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