Com nível de contágio acelerado, SC registra 40 mil novos casos de Covid-19 a cada 14 dias

Em julho de 2020, o período para atingir 40 mil novos casos era de 120 dias; dados da Covid em SC revelam avanço da doença

Em meio à terceira onda da Covid-19 em Santa Catarina, 40 mil novos casos da doença são registrados a cada 14 dias. O nível de contágio acelerado do novo coronavírus no Estado é observado a partir deste mês de junho de 2021.

Com nível de contágio acelerado, SC registra 40 mil novos casos de Covid-19 a cada 14 dias – Foto: Leo Munhoz/NDCom nível de contágio acelerado, SC registra 40 mil novos casos de Covid-19 a cada 14 dias – Foto: Leo Munhoz/ND

Em julho de 2020, o período para atingir esse número era de 120 dias. O apontamento foi feito pelo Necat/UFSC (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), que confirma a elevada expansão de contágio no Estado.

O infectologista Martoni Moura e Silva explica que a escalada de casos no Estado é um reflexo do que se vê no país. “O nível de contágio está em 1,13, ou seja, a cada 100 pessoas com o vírus no país infectam outras 113”. O especialista se baseou no levantamento semanal do Imperial College de Londres, realizado na última terça-feira (22).

Segundo o estudo da universidade, em pouco mais de um mês a taxa de transmissão (Rt) da Covid-19 no Brasil passou de 0,91 — índice registrado em 18 de maio — para 1,13. É o maior registro desde março, quando chegou a 1,23, índice mais elevado deste.

“A curva tem crescido e as taxas de ocupação de leitos têm se mantido elevadas, assim como o número de mortes.”, apontou o infectologista. Em 24 horas, foram confirmados 3.363 novos casos da Covid-19, segundo último boletim do governo do Estado divulgado nesta quinta-feira (24).

Ao confirmar a terceira onda da doença no Estado, o secretário de Saúde, André Motta Ribeiro, afirmou em entrevista ao repórter Ian Sell, do ND+, que a velocidade de contaminação está em ritmo lento.

“Vamos aguardar e esperar o tamanho do impacto. Tomara que ela [onda] permaneça neste ritmo lento para dar tempo de tomar as determinadas ações, como aumentar a cobertura vacinal, fazer monitoramento de áreas de risco com populações em quarentena que é o que se faz. Estamos acompanhando todos os dias esse cenário”, explicou.

Aceleração de contágio

No entanto, a análise realizada pelo Necat, assinada pelo coordenador-geral do núcleo, Lauro Mattei, aponta que os dados expõem o avanço e celeridade da doença.

“Essas informações mostram a agressividade do surto de contágio atual que está em curso desde o início de novembro de 2020, registrando-se que esse segundo pico de contágio está sendo bem mais letal, comparativamente ao primeiro pico registrado nos meses de julho e agosto de 2020”, afirma o relatório.

Martoni pontua que “a nível nacional, o vírus está circulando de forma a propiciar uma elevação, não uma queda. Só vai cair [nível de contágio] se [a taxa de transmissão] estiver abaixo de 1, para atingir uma tendência à normalidade”. Segundo o infectologista, apenas a partir de 40% da população vacinada com a segunda dose será possível chegar a esse patamar.

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Foram analisados os números entre 11 e 18 de junho. Neste período, Santa Catarina apresentou 20.107 novos casos da doença com 344 novas mortes. Em função disso, o Estado passou para o segundo lugar no ranking nacional dentro os estados com o maior número de registros da doença a cada 100 mil habitantes.

O que significa a escalada de casos

Segundo o Necat, não é primeira vez que 40 mil casos são atingidos em um curto espaço de tempo. Em novembro de 2020, foi observada uma redução, quando foram registrados 40 mil novos em apenas 11 dias. O cenário perdurou até o final do ano, quando o período de novos registros de contaminados foi reduzido para oito dias.

“Inicialmente, o ciclo para se atingir 40 mil novos casos era de 120 dias e agora caiu para 14 dias. Como o número de casos é muito grande, eles começaram a usar outra referência. Antes, era o tempo de repetição de 20 mil casos, e depois 30 mil casos. Agora, são 40 mil”, explica Martoni.

A análise baseia-se nos dados divulgados diariamente pelo governo do Estado. Ainda conforme o último boletim do governo estadual, Santa Catarina chegou à marca de 16.555 mortes pela doença.

Redução de mortes e avanço da doença

O relatório do Necat reitera que “os mecanismos de controle da doença adotados até o momento foram pouco eficientes para achatar a curva de contágio e, consequentemente, evitar o número expressivo de óbitos que continua ocorrendo diariamente no Estado”.

Mesmo com redução de 6% do número de mortes em relação à semana anterior, com cerca de 49 mortes diárias, o patamar permanece “bastante elevado em comparação a essas ocorrências verificadas nos surtos anteriores da doença”.

Além disso, após pequenas reduções no mês de abril, os casos ativos voltaram a crescer ao longo do mês de maio e nas primeiras semanas de junho. Assim, o Estado superou a marca de 23 mil pessoas com a doença no período analisado.

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Saúde

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