Começa coleta porta a porta monomaterial de vidro e orgânicos na Capital

Município corre para alcançar metas lixo zero 2030 e avança para a coleta porta a porta em quatro frações; intenção é atender cerca de 7.000 unidades e 20 mil usuários imediatamente

Florianópolis dá mais um passo nesta Semana Municipal do Meio Ambiente para cumprir as metas lixo zero e, até 2030, recuperar 90% dos orgânicos e 60% dos recicláveis secos que hoje ainda são destinados ao aterro sanitário. Começou a ser realizada neste mês, na Capital, a nova coleta seletiva flex, com o serviço de porta em porta em 103 condomínios residenciais do Itacorubi, que passa a incluir a coleta monomaterial de vidro e orgânicos.

Florianópolis é a  primeira capital a ter sistema público de coleta de orgânicos de porta em porta para compostagem e coleta monomaterial de vidro – Foto:PMF/Divulgação/NDFlorianópolis é a  primeira capital a ter sistema público de coleta de orgânicos de porta em porta para compostagem e coleta monomaterial de vidro – Foto:PMF/Divulgação/ND

Nestes locais, será feita coleta seletiva de plástico, papel e metal às segundas (19h), só de orgânicos às terças e sextas (8h) e só de vidros às quartas (8h). A coleta convencional de rejeito, por enquanto será mantida, aos domingos, terças e quintas (19h).

A coleta seletiva foi adaptada neste ano para chegar mais perto e mais vezes até o usuário da Capital e atender 50 mil pessoas com coleta monomaterial de vidro e orgânico. A estimativa é assistir cerca de 7.000 unidades e 20 mil usuários imediatamente.

Inovação no setor

O município, que já saiu na frente em 2019, quando lançou a coleta de verdes, inova novamente e passa a ser a primeira capital a ter um sistema público de coleta de orgânicos de porta em porta para compostagem e coleta monomaterial de vidro nesta escala.

“Já investimos R$ 10 milhões em coleta seletiva e o objetivo é avançar ainda mais. Apostamos na educação, conscientização, estamos fazendo a nossa parte e pedimos que a população também colabore, separando os resíduos e fazendo a destinação correta de cada um deles para que possamos, desta forma, atingir as nossas metas lixo zero”, afirma o prefeito Gean Loureiro.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Fábio Braga, reforça a solicitação do prefeito. “O programa depende de adesão dos usuários e condomínios. Reciclar hábitos é difícil, mas muito compensador. O usuário que separa o resíduo em quatro frações – reciclável, só vidro, orgânico e rejeito – ajuda a cidade a reduzir custos públicos e a melhorar o meio ambiente”, acrescenta.

No Monte Verde, por exemplo, de acordo com a prefeitura, 292 famílias já participam da coleta seletiva de orgânicos por meio de pontos de entrega voluntária.

Também há o projeto Minhoca na Cabeça, com 1.100 kits distribuídos, e muitas iniciativas comunitárias e institucionais com pátios de compostagem e hortas urbanas.

Iniciativa será ampliada

Essa fase inicial será estendida, na sequência, explica Braga, para nove bairros entre Bacia do Itacorubi e Centro, quando a coleta seletiva flex alcançará 17,5 mil unidades habitacionais, mais de 50 mil pessoas, no Itacorubi, Córrego Grande, João Paulo, Sacos dos Limões, Carvoeira, Agronômica, Pantanal, Trindade e Santa Mônica.

Nessa primeira etapa, quando atingir os nove bairros, o potencial de coleta da Capital será de 40 toneladas de vidro e 250 toneladas de orgânicos por mês. A meta, então, será aumentar a reciclagem de vidro em 40% e dobrar a reciclagem de orgânicos, informa o secretário de Meio Ambiente.

A importância da reciclagem é destacada principalmente durante a pandemia do coronavírus. Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), a venda de recipientes descartáveis para comida aumentou 30% desde março de 2020, e com isso, consequentemente, subiu o consumo e produção de resíduos.

Ganhos com as novas iniciativas

Diferente do projeto do minhocário, por exemplo, para essa nova coleta monomaterial de orgânicos, informa a Prefeitura da Capital, é possível separar tudo o que for resto de alimentos.

A SMMA (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) esclarece que os orgânicos e o vidros são atualmente os dois resíduos mais pesados. Além disso, no caso do vidro há riscos no manejo, como os cortes e outros. Os orgânicos são os mais perecíveis.  “Os ganhos, com essas mudanças, são muito significativos, vamos conseguir avançar rapidamente em nossas metas de aumentar a reciclagem na cidade”, afirma o secretário Braga.

Hoje, a economia do município já chega a R$ 15,8 milhões de redução nos custos com o aterro e ganhos de R$ 32,6 milhões com a reciclagem.

Hoje a economia do município é de R$ 6,6 milhões, R$ 614 mil com orgânicos e R$ 6 milhões com recicláveis secos. Se cumprir as metas lixo zero reduzirá R$ 16 milhões em aterro (dos 29 milhões para 13,5 milhões) e aumentará os ganhos com reciclagem para R$ 32 milhões.

Confira no quadro abaixo o quanto a cidade ganha entre o que deixa de ir para o aterro sanitário, incluindo o custo com o transporte e aterramento, além do ganho com os materiais que são reinseridos no ciclo da natureza, como composto orgânico ou no ciclo econômico. À direita estão os valores previstos com as metas lixo zero.

A SMMA lembra também que hoje, na maioria das cidades brasileiras, há apenas uma coleta, a de rejeito, de lixo comum. Em Florianópolis é diferente pois a cidade já começou a fazer a coleta seletiva de porta em porta há 30 anos.

“Como começamos a fazer agora a coleta com caminhão compactador, é muito importante fazer uma coleta exclusiva destes materiais, como o vidro, por exemplo. Evoluir para quatro frações é o que há de mais avançado hoje no mundo, sistema no qual a cada dia é recolhido um tipo de material. Sempre que se recolhe separado, a qualidade do resíduo aumenta. No caso dos orgânicos, nenhum município tem essa coleta de porta em porta nesta escala, na que vamos perseguir, o que se tem são pontos de entrega voluntária”, enfatiza Braga.

Entrega voluntária de resíduos

Ainda de acordo com o município, a população tem colaborado muito com a entrega voluntária de resíduos na rede de quase 100 PEVs de Vidro e cinco Ecopontos.  A frequência à rede de Ecopontos triplicou durante a pandemia e se mantém alta. Somando a visitação aos Ecopontos do Itacorubi, Monte Cristo, Capoeiras, Canasvieiras e Morro das Pedras são em torno de 600 entregas diárias.

Agora, para chegar mais perto do usuário, antecipa Fábio Braga, também será lançado edital para ampliar de cinco para 13 os Ecopontos em Floripa. Serão implantados Ecopontos na Barra da Lagoa, Coloninha, Costeira, Ingleses, Lagoa, Rio Vermelho, Tapera e Monte Verde.

Investimento em seletiva

Dos R$ 10 milhões investidos pela Prefeitura de Florianópolis em coleta seletiva, R$ 1,3 milhão foi aplicado na compra dos quatro caminhões satélites. Esses veículos já apelidados de “playmobil” na SMMA, pelo tamanho compacto e capacidade robusta, foram os primeiros feitos no Brasil com elevador acoplado e vão operar a coleta monomaterial de vidro e orgânico.

Até hoje, sem esse equipamento, a coleta seletiva de vidro e de orgânicos tinha de ser feita por entrega voluntária, quando o usuário leva o resíduo aos PEVs e Ecopontos. Agora será feita de porta em porta.

Com a nova frota, será possível dar escala ao recolhimento domiciliar desses que são os materiais mais pesados da seletiva.  O orgânico também é o mais perecível e o vidro o que oferece maiores riscos de segurança aos garis e triadores.

Florianópolis dá mais um passo nesta Semana Municipal do Meio Ambiente para cumprir as metas lixo zero – Foto: PMF/Divulgação/NDFlorianópolis dá mais um passo nesta Semana Municipal do Meio Ambiente para cumprir as metas lixo zero – Foto: PMF/Divulgação/ND

Capacitação dos usuários

Para a implantação da nova coleta seletiva flex, lembra o superintendente de Gestão de Resíduos, Ulisses Bianchini, os condomínios foram cadastrados, moradores, síndicos e zeladores sensibilizados e capacitados em reuniões e cursos online, com folheteria e vídeos.

Todos os celulares cadastrados estão recebendo informações por WhatsApp para facilitar a adesão ao novo sistema de coleta.

Nova coleta seletiva flex

A coleta de recicláveis orgânicos será realizada às terças e sextas e a coleta de vidros às quartas, ambas no período matutino.

Para participar, os condomínios devem:

— adquirir contentores exclusivos, modelo europeu (120 litros na cor marrom para os recicláveis orgânicos e 240 litros na cor verde para os vidros). Os equipamentos devem atender a NBR 15.911-2, para que encaixem no elevador do caminhão e sejam mais resistentes.

— instruir seus moradores sobre como separar os resíduos e a destinar às coletas seletivas exclusivas para cada fração.

Pelos resultados do projeto piloto, a quantidade de dois contentores de 120 litros (para acondicionamento dos recicláveis orgânicos) atende até 34 apartamentos, com a frequência de coleta de duas vezes por semana (7,059L/apto/coleta).

Para começar, a SMMA recomenda que o condomínio adquira um contentor de 240 litros para os vidros e dois de 120 litros para os orgânicos. Depois, caso necessário, poderá fazer a aquisição de mais

unidades, dimensiona a engenheira sanitarista Karina da Silva de Souza.

Os contentores de cor laranja, utilizados atualmente pelos condomínios, continuarão sendo usados para apresentação dos resíduos misturados (rejeitos) para a coleta convencional.

Nos condomínios do projeto piloto com coleta de orgânicos em bombonas, a coleta passa a ser feita às segundas e quintas pela manhã.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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Prefeitura de Florianópolis