Começa vacinação contra a Covid-19 para pessoas com Síndrome de Down em Florianópolis

Para a maioria desta população, que está em isolamento há mais de um ano, a imunização representa um recomeço de vida

O início de uma liberdade! Para Alexsandro Torri, 42 anos, morador de Florianópolis que tem Síndrome de Down, a primeira dose da vacina contra a Covid-19, que ele vai receber nesta sexta-feira (7) na Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) e que faz parte do calendário de imunização para pessoas com comorbidades da Prefeitura de Florianópolis, é um recomeço de vida.

Arlete das Graças Torri e seu filho Alexsandro: vacina é o começo da liberdade – Foto: Acervo Pessoal/NDArlete das Graças Torri e seu filho Alexsandro: vacina é o começo da liberdade – Foto: Acervo Pessoal/ND

Sua mãe, a parapsicóloga clínica Arlete das Graças Torri, 62 anos, conta que os últimos 16 meses foram bem difíceis para Alexsandro. Segundo ela, até março de 2020, ele tinha uma vida agitada. “Ele ficava o dia todo na escola, na Apae, onde tinha a parte pedagógica num período e a educacional no outro, depois vinha para casa tinha as atividades diárias aqui. Era muito feliz e então, de uma hora para outra, tudo parou, as atividades, os encontros com os amigos na escola, as viagens, as festas com a família, a praia, para onde íamos quase todo fim de semana, pois ele adora o mar. Além disso ele fazia natação, pilates, e, enfim, tudo isso acabou”, conta ela.

Arlete diz que, pelas dificuldades impostas pela pandemia, o filho desenvolveu um quadro depressivo. “Ele perdeu 20 Kg em um ano e dois meses, um peso considerável e passou a verbalizar algumas coisas, pedia para sair, mas como?  Não dá parar ir ao shopping, à praia, a lugar nenhum. Nós compreendemos, desabafamos com os amigos, nas redes sociais, mas penso que ele não tem essa facilidade. A gente não sabia o que estava passando pela cabeça dele, quais ameaças ele sentiu ouvindo tudo o que acontecia ao seu redor e sendo impedido de viver a sua vida. Então, a vacina é a oportunidade de começar essa liberdade”, afirma.

Uma Dose de Respeito

Arlete também faz parte da Federação das Apaes do Estado de Santa Catarina, uma das entidades, que ao lado de outras associações, como a  Pais em Movimento, se uniram à Federação Brasileira das Apaes na campanha Uma Dose de Respeito, uma iniciativa de mobilização da Federação nacional junto às suas 38 instituições associadas, em busca do reconhecimento da priorização da vacinação para as pessoas com síndrome de Down.

“A família toda vibrou e eu me emocionei quando soube que começaria a vacinação nesta sexta-feira (7). Hoje, são 7.000 pessoas em Santa Catarina de 18 a 59 anos com Síndrome de Down que vão tomar a primeira dose da vacina, eles merecem essa atenção”, destaca Arlete Torri.

“Estamos muito felizes, pleiteamos esse direito pois as pessoas com a S[indrome de Down, por ter um cromossomo a mais, têm mais chances de desenvolver obesidade, diabetes, problemas respiratórios, enfim,  uma série de complicações”, acrescenta Bartira Nilson Bonotto, presidente da associação Pais em Movimento.

Osirmãos gêmeos Felipe e Vinicius abriram os trabalhos e foram vacinados nesta sexta-feira (7) na Apae. Pessoas com mais de 18 anos com Síndrome de Down podem ir até a instituição que fica no Itacorubi – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDOsirmãos gêmeos Felipe e Vinicius abriram os trabalhos e foram vacinados nesta sexta-feira (7) na Apae. Pessoas com mais de 18 anos com Síndrome de Down podem ir até a instituição que fica no Itacorubi – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Mais riscos para pessoas com a síndrome

Adultos com a Síndrome de Down podem ter um risco três vezes maior de morrer por causa da enfermidade quando comparados à população geral, segundo  pesquisa publicada no periódico EClinical Medicine neste ano. Isso porque a síndrome de Down é uma doença genética caracterizada pela trissomia do cromossomo 21. Ou seja, há uma cópia extra desse cromossomo no material genético. A condição afeta o desenvolvimento do corpo e do cérebro, o que pode levar a deficiências físicas e mentais, além de alterações em órgãos, no número de células imunes e

A sede da Apae Florianópolis fica localizada na rod. Admar Gonzaga, 2.937, bairro Itacorubi. A vacinação ocorre nesta sexta-feira (7), das 9h às 16h

Ricardo de Souza Mendonça, presidente da Apae em Florianópolis, destaca que os alunos da entidade aguardavam com ansiedade a chegada das doses. “Isso é muito importante porque vamos vacinar pessoas que têm voz ativa na sociedade e que, desde que começou a pandemia estão carentes dessa participação, da interação social”.

De acordo com Ricardo, a Apae da Capital fechou as portas no dia 17 de março do ano passado e só reabriu na última semana, mediante o cumprimento de um rígido protocolo sanitário. “Continuamos interagindo virtualmente, mas não é a mesma coisa, claro que após a vacina e os prazos corretos de imunização vamos continuar com os cuidados, mas poderemos retomar algumas atividades que hoje ainda não podemos”.

Ele também avalia que o fato de a imunização ocorrer na Apae vai ajudar no processo. “Isso será importante porque não haverá muita fila, pois temos que lembrar que atuamos com um público mais ansioso, muitas vezes com menos discernimento em relação às outras pessoas. Então, acredito que o fato de a vacinação ser realizada aqui vai deixar as pessoas mais à vontade”, analisa.

De acordo com ele, incluindo todas as pessoas atendidas na Apae com comorbidades previstas na vacinação de amanhã, deverão ser vacinadas, entre os alunos da associação, cerca de 270 pessoas.

Danielle Malfatti também tomou a vacina nesta sexta-feira (7) – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDDanielle Malfatti também tomou a vacina nesta sexta-feira (7) – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Como será a vacinação

As pessoas com Síndrome de Down, que residem em Florianópolis, serão vacinadas na Apae de Florianópolis, seguindo o cadastramento já existente no espaço. As pessoas com doença renal crônica em terapia de substituição renal de 18 anos ou mais serão vacinadas no local onde fazem diálise.

As gestantes e puérperas com até 45 após o parto, mediante atestado de comorbidade (seguindo modelo do Covidômetro), também serão vacinadas nesta sexta-feira (7) no Sead/UFSC, localizado na rua Dom Joaquim, 757, no Centro de Florianópolis, das 7h30 às 18h30.

 Comorbidades – gestantes e puérperas 

Poderão ser vacinadas as gestantes com as seguintes comorbidades, segundo deliberação da CIB:

– Diabetes mellitus

– Pneumopatias crônicas graves

– Hipertensão arterial resistente (HAR)

– Hipertensão arterial estágio 3

– Hipertensão arterial estágios 1 e 2 com lesão em órgão-alvo e/ou

comorbidade

– Insuficiência cardíaca (IC)

– Cor-pulmonale e hipertensão pulmonar

– Cardiopatia hipertensiva

– Síndrome coronarianas

– Valvopatias

– Miocardites e Pericardiopatias

– Doença da aorta, dos grandes vasos e fístulas arteriovenosas

– Arritmias cardíacas

– Cardiopatias congênita no adulto

– Prótese valvares e dispositivos cardíacos implantados

– Doença cerebrovascular

– Doença renal crônica

– Imunossuprimidos

– Hemoglobinopatias graves

– Obesidade mórbida

– Síndrome de down

– Cirrose hepática.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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