Confirmada primeira morte do ano por meningite bacteriana em Santa Catarina

Em 2018, ocorreram 16 mortes pela doença no Estado

A Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) confirmou a primeira morte causada por meningite bacteriana deste ano em Santa Catarina, nesta segunda-feira (8). A vítima foi uma estudante, de 18 anos, que era caloura do curso de Medicina Veterinária do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV/Udesc) e morreu na última sexta-feira (5).

O diagnóstico foi confirmado pelo Lacen-SC (Laboratório Central de Saúde Pública) após exames que identificaram a bactéria causadora da doença, Neisseria Meningitidis (meningococo). A morte ocorreu em menos de 12h após a paciente apresentar os primeiros sintomas.

A Vigilância Epidemiológica de Lages informou, em nota, que não há motivo para pânico. E que as providências já estão sendo tomadas e a incidência de novos casos é improvável.

Como forma de prevenção, familiares e pessoas que tiveram contato íntimo com o paciente, na mesma casa ou dormitório, receberam antibióticos e deverão tomar por até 10 dias. “Fazemos um apelo à população, para que não entrem em pânico, pois este é um caso isolado e não haverá surtos”, alertou Francine Formiga, diretora da Atenção Básica de Saúde de Lages, durante coletiva de imprensa.

Aulas seguem normalmente na Universidade

As aulas na Universidade seguem normais. Nesta terça-feira (9), profissionais de saúde ministram palestras com objetivo de esclarecer a evolução da doença e minimizar a preocupação entre os universitários.

“Não há riscos para os estudantes, que podem frequentar as aulas normalmente. As providências já estão sendo tomadas com aqueles que tiveram maior contato com a aluna que faleceu. Estamos profundamente tristes com o ocorrido, mas a rotina precisa seguir em frente”, comenta Clóvis Gewehr, diretor-geral da instituição.

Doença considerada rara

Além deste caso, oito pacientes já apresentaram sintomas da doença e receberam tratamento neste ano em Santa Catarina. Em 2018, foram 89 casos e 16 mortes por causa da doença no Estado.

Segundo a Dive, a doença é considerada rara, com um caso a cada 100 mil habitantes e incidência em menos de 1% da população catarinense.

É uma doença de evolução rápida e com alta letalidade, que varia de 7 até 70%. Mesmo em países com assistência médica adequada, a meningococcemia pode ter uma letalidade de até 40%. A faixa etária de maior risco são crianças abaixo dos cinco anos de idade.

Transmissão

A transmissão da meningite se dá por meio das vias respiratórias, por gotículas e secreções como gotículas de saliva, espirro, tosse. Isso ocorre quando há contato íntimo, como residentes da mesma casa, pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou alojamento ou contato direto com as secreções respiratórias do paciente.

A bactéria não sobrevive no meio exterior e a transmissão é de pessoa a pessoa. Geralmente o transmissor é um portador sadio, que convive com um paciente diagnosticado com a doença.

Cerca de 10% de adolescentes e adultos são portadores assintomáticos da bactéria na garganta e podem transmiti-la, mesmo sem adoecer. Geralmente, após a transmissão, a bactéria permanece na garganta do indivíduo receptor por curto período e acaba sendo eliminada pelos próprios mecanismos de defesa do organismo. Desta forma, a condição de portador assintomático tende a ser transitória, embora possa se estender por períodos prolongados de meses a até mais de um ano.

Em menos de 1% dos indivíduos infectados, contudo, a bactéria consegue penetrar na mucosa respiratória e atinge a corrente sanguínea levando ao aparecimento da doença meningocócica. A invasão geralmente ocorre nos primeiros cinco dias após o contágio.

Prevenção 

Os tipos de bactérias que causam meningite (meningococos) de maior incidência são os pertencentes aos sorogrupos A, B e C. Desde a década de 40, são desenvolvidas vacinas eficazes contra a doença, disponibilizadas gratuitamente na rede pública.

Atualmente, são disponíveis vacinas contra os meningococos dos sorogrupos A, C, Y e W-135. Mas há limitações tanto em relação à faixa etária em que conferem proteção, como ao tempo de duração da proteção conferida. Por isso, as vacinas são utilizadas como mecanismo de controle, mas não são totalmente eficazes para a erradicação da doença.

+

Saúde