Conheça os riscos e medidas preventivas ao entrar e limpar áreas alagadas

Prefeitura da Capital alerta para os perigos durante enchentes ou ao realizar a limpeza nos pontos atingidos pela água, como a leptospirose, ferimentos e acidentes com animais peçonhentos

Cinco dias depois da forte chuva que causou alagamentos e deslizamentos em vários pontos de Florianópolis e quatro dias após o rompimento de uma estrutura da Casan que deixou a Lagoa da Conceição submersa, o momento é de reconstrução e muito trabalho.

Vítimas dos alagamentos e voluntários que ajudam na limpeza precisam estar atentos para evitar acidentes e doenças decorrentes das cheias – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/NDVítimas dos alagamentos e voluntários que ajudam na limpeza precisam estar atentos para evitar acidentes e doenças decorrentes das cheias – Foto: Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Enquanto a Secretaria de Infraestrutura da Capital trabalha na recuperação dos locais atingidos, os moradores afetados que tiveram suas casas alagadas também realizam a limpeza das moradias, que ainda têm muita lama, principalmente na Lagoa, onde a água que saiu da lagoa da Casan chegou a 35 residências, ondem moravam cerca de 70 pessoas.

Quem está nestes locais, vítimas ou voluntários que auxiliam nestas ações, deve tomar cuidado para evitar doenças decorrentes dos alagamentos na cidade.

Segundo Ana Cristina Vidor, gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, as áreas de alagamento e a lama formada nestes locais oferecem  riscos à saúde. “Principalmente nas casas afetadas, há risco de leptospirose, ferimentos e acidentes com animais peçonhentos”, afirma.

A médica orienta que, sempre que possível, é importante não entrar nas áreas alagadas. “Espere a água baixar, se for extremamente necessário entrar enquanto ainda há o alagamento, utilize sempre botas, luvas e uma roupa com tecido grosso”, explica.

A lama, que neste momento ainda é retirada das casas que foram alagadas nesta semana, pode estar ainda mais contaminada que a água, alerta a especialista. “Por isso é essencial estar sempre protegido, usar botas e luvas”, acrescenta Ana Vidor.

Cuidados com animais peçonhentos

Outra orientação importante, afirma a gerente de Vigilância Epidemiológica da Capital, é ter cuidado com os animais peçonhentos, que também buscam abrigo e acabam se escondendo dentro das casas. “Inclusive, dentro de guarda-roupas e outros cantinhos. Evite levar a mão aos locais mais escuros da casa sem estar com alguma proteção. Utilize objetos como cabos de vassoura e enxadas”, esclarece Ana.

Escorpião-amarelo é considerado um dos mais perigosos da América Latina – Foto: Divulgação/CIATox/UFSCEscorpião-amarelo é considerado um dos mais perigosos da América Latina – Foto: Divulgação/CIATox/UFSC

Caso ocorra algum ferimento com esses animais, diz a médica, é importante tirar uma foto e entrar em contato o mais rápido possível com o Ciatox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina). “As orientações que eles passam são extremamente importantes para evitar o agravamento de saúde devido a estes acidentes”, afirma.

Água e alimentos

Para evitar a Hepatite A e outras doenças de transmissão hídrica e alimentar a Vigilância em Saúde alerta ainda que nenhum alimento que ficou submerso ou umedecido deve ser consumido, mesmo que esteja em embalagem fechada. Os alimentos que apresentam coloração diferente também não devem ser consumidos, assim como os com diferença de odor ou consistência. Um dos exemplos é a carne crua amolecida.

Caso a população tenha sua casa abastecida pelo sistema público de água, é preciso entrar em contato com a empresa responsável pela distribuição caso observe alguma alteração na água da torneira (como odor ou coloração diferente do habitual).

Se a água provém de outras fontes e a casa tiver sido atingida pela enchente, a população deve antes de utilizar a água, tratá-la com hipoclorito de sódio. A receita consiste em duas gotas de hipoclorito de sódio para cada litro de água. Após a mistura, é preciso aguardar 30 minutos, para beber a água. Na ausência de hipoclorito de sódio, a fervura da água é uma alternativa segura e deve ser feita quando a água estiver turva.

Especialistas alertam que a lama pode estar mais contaminada que a água da enchente – Divulgação/NDEspecialistas alertam que a lama pode estar mais contaminada que a água da enchente – Divulgação/ND

Prefeitura de Florianópolis concentra trabalhos nos bairros para recuperar infraestrutura

A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Infraestrutura, segue com os trabalhos de limpeza da cidade após as chuvas.  As equipes estão divididas nos serviços de limpeza das ruas, praias e recuperação da pavimentação das vias públicas, tanto no período diurno quanto noturno e devem continuar durante o final de semana.

Equipes do município realizam limpeza no Morro das Pedras – Foto: PMF/Divulgação/NDEquipes do município realizam limpeza no Morro das Pedras – Foto: PMF/Divulgação/ND

O município orienta a população a acondicionar os rejeitos em local apropriado até que sejam recolhidos, evitando descarte em locais expostos ao vento, chuva e animais em busca de alimento. Esses cuidados prévios também evitam poluição e riscos à saude da comunidade.

Outras dicas para as vítimas de alagamentos:

Como evitar leptospirose:

  • Evitar entrar em áreas alagadas ou com acúmulo de lama;
  • Caso seja extremamente necessário, que seja pelo menor tempo possível, utilizando roupas de tecido grosso ou impermeável, botas e luvas;
  • Realizar a desinfecção do domicílio após as enchentes;
  • Lavar e desinfetar os objetos que tiveram contato com as águas da enchente.
  • Retirar todo o lixo da casa e do quintal e colocar para a limpeza pública;

É preciso ainda se atentar a outras medidas em relação à água contaminada:

  • Esvaziar a caixa-d’água completamente e lavá-la esfregando bem as paredes e o fundo, retirando toda a sujeira. Devem ser utilizadas luvas e botas para realizar a limpeza;
  • Após a limpeza, adicionar 1 litro de água sanitária para cada 1000 litros de água do reservatório;
  • Encher a caixa com água limpa;
  • Após 30 minutos, abrir todas as torneiras da casa por alguns segundos, para que a água clorada penetre na tubulação e fechar novamente;
  • Deixar esta solução agir na caixa d’água e tubulações por 1h30. Após este período é possível abrir as torneiras, podendo utilizar a água para a limpa da residência.

Como evitar acidentes com animais peçonhentos

  • Evite entrar em locais alagados. Se extremamente necessário, usar roupas grossas, luvas e botas de borracha.
  • Ao voltar para casa, entre com cuidado, inspecionando todos os lugares, verificando a presença de animais peçonhentos;
  • Sacuda roupas, sapatos, toalhas, lençóis e bata os colchões antes do uso.
  • NÃO coloque as mãos em buracos ou frestas. Utilize ferramentas (como enxadas, cabos de vassoura e pedaços de madeira compridos) para mexer em móveis.
  • NÃO ande descalço! Limpe o interior e os arredores da casa tomando sempre o cuidado de utilizar botas ou calçados rígidos, com perneira, tendo a certeza de proteção pelo menos até o joelho.
  • Durante a limpeza, tome cuidado ao tocar ou pegar qualquer objeto. Fique atento (a) para a presença de serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos nas superfícies ou nos cantos. LEMBRE-SE: serpentes, aranhas e escorpiões podem estar em qualquer parte da casa, principalmente em lugares escuros.
  • Caso detecte a presença de algum animal peçonhento dentro de sua residência, afaste-se lentamente (sem assustá-lo) e entre em contato com a autoridade competente.
  • Não toque em animais peçonhentos, nem nos que pareçam estarem mortos.

 Em caso de acidente  

    • Identifique o animal acima e ligue para o CIATox/SC. 0800 643 5252 (plantão 24h). Guarde o animal (mesmo se estiver morto) para que seja feita identificação.
    • Siga as instruções do plantonista do CIATox/SC, pois para cada situação serão aconselhadas as medidas ou encaminhamentos que você deverá tomar.
    • Lavar o local da picada somente com água e sabão.
    • Manter o acidentado em repouso. Se a picada tiver ocorrido no pé ou na perna, procurar manter a parte atingida em posição horizontal, evitando que o acidentado ande ou corra.
    • Dar água para a vítima beber, desde que seja consciente.
    • Levar o acidentado o mais rapidamente possível a um serviço de saúde.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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