Conselho de Medicina critica ‘ambiente tóxico’ da CPI da Covid após depoimento de médicas

Presidente da entidade, Mauro Ribeiro classificou como "inaceitável" a forma como senadores conduziram as oitivas de Nise Yamaguchi e Mayra Pinheiro

O presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, em vídeo publicado nesta quarta-feira (2), criticou “ambiente tóxico”  da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid após médicas prestarem depoimento.

Além disso, a entidade lançou uma nota de repúdio “em defesa do médico, ao respeito e à civilidade na CPI da Pandemia”. O CRM-SC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina) também assinou o manifesto.

Presidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, repudia tratamento dado a médicos na CPI da Covid – Foto: CFM/Divulgação/NDPresidente do CFM (Conselho Federal de Medicina), Mauro Ribeiro, repudia tratamento dado a médicos na CPI da Covid – Foto: CFM/Divulgação/ND

Ribeiro classificou como “inaceitável e intolerável” o tratamento dos senadores à oncologista Nise Yamaguchi e à infectologista Mayra Pinheiro.

No texto, a entidade foi contra o que chamou de “manifestações que revelam ausência de civilidade e respeito no trato de senadores com relação a depoentes e convidados médicos no âmbito da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia”.

O presidente do CFM repudiou “as atitudes que se estabeleceram dentro daquela CPI” e “particularmente a atitude do médico e senador Otto Alencar (PSD-BA), ontem [terça-feira], nas agressões que fez à médica Nise Yamaguchi”.

Nise defende o chamado tratamento precoce da Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina. No vídeo, Mauro Ribeiro afirma que não endossa o conteúdo das falas das médicas, mas questiona as interrupções e a forma como os senadores conduziram os depoimentos. 

“Nós não entramos no mérito das declarações da Dra. Mayra e da Dra. Nise. Elas são as únicas responsáveis por aquilo que elas declaram dentro da CPI. E cabe aos senadores fazer o relatório e, se por acaso estiveram faltando com a verdade, que sejam responsabilizadas e punidas”, declarou.

Simersul repudia comportamento de senadores

O Simersul (Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense) também emitiu uma nota repudiando o tratamento dado às médicas durante as oitivas.

“As profissionais foram interrompidas pelos senadores várias vezes durante seus depoimentos, sem possibilidade de concluírem suas respostas e argumentos”, afirma um trecho do texto.

“A atitude de membros da CPI da Pandemia afronta a classe médica, que tem se dedicado exaustivamente para a reversão do quadro caótico que estamos vivendo no Brasil”, pontuou.

Além disso, o Simersul defende que “profissionais que se arriscam, estão na linha de frente, que se expõem na luta pelo bem-estar da população e não aceitam posturas inaceitáveis de políticos eleitos para representar e defender o povo brasileiro”.

“Contra ambiente tóxico”

O presidente do CMF também informou que vai encaminhar um ofício ao presidente do Senado (e do Congresso Nacional), Rodrigo Pacheco (DEM-MG), “para que alguma coisa seja feita contra aquele ambiente tóxico, que se estabeleceu”.

Ribeiro pediu para que a comissão convoque “o mais rápido possível” a entidade médica para expor “qual é a posição dos médicos brasileiros”. Ele voltou a afirmar que a posição oficial da entidade médica é que “não tem certeza sobre nada em relação a essa doença desconhecida”.

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