Coronavírus: Catarinense foi infectada e está em isolamento na França

Advogada de Criciúma, de 28 anos, foi diagnosticada com o coronavírus e não pode sair de casa até o dia 28 de março

“Estou aqui esperando, vendo minha vida passar e esperando os sintomas passarem porque eu não posso fazer nada, eu simplesmente não posso sair”. Aos 28 anos, uma advogada criciumense terá 15 dias pela frente de completo isolamento em Lyon, na França. Ela foi diagnosticada com o Covid-19 após apresentar sintomas.

Criciumense mora em Lyon, está em isolamento, e mostra as ruas vazias às 19h – Foto: Arquivo PessoalCriciumense mora em Lyon, está em isolamento, e mostra as ruas vazias às 19h – Foto: Arquivo Pessoal

A pandemia do coronavírus se espalha pelo mundo e, na França, o cenário é desolador. A foto da rua Cours Lafayette, enviada pela catarinense, mostra o quão preocupados os franceses estão. Por volta das 19 horas, as ruas estão completamente vazias.

A catarinense terá pela frente 15 dias de isolamento. Após o diagnóstico, ela não pode sair de casa sob o risco de contaminar outras pessoas, uma mudança radical na rotina da advogada que trabalha e faz mestrado.

Não faz nem 24 horas do meu diagnóstico, mas estou até um pouco aliviada porque eu estava tão neurótica. Agora é tipo ‘já tenho’. Vai mudar completamente minha rotina, eu fazia muitas coisas, será uma experiência nova, mas ainda não tive tempo para me entediar”, diz.

O diagnóstico chegou após os sintomas começarem a se manifestar um a um, apesar de todos os cuidados tomados por ela. A criciumense conta que, como precisava pegar trem para ir ao mestrado e ao trabalho, utilizava álcool gel, desinfetante, tinha todos os procedimentos de higiene, só tocava em maçanetas e corredores com lenços. Nada disso impediu o contágio.

Os sintomas iniciaram com a respiração pesada, tosse e depois febre. “Comecei a respirar meio pesado, mas achei que estava pirando. Então, comecei a ter uma tosse e outra, mas todo mundo falava que era a febre que determinava. Dois dias depois, eu estava muito cansada, bem estranha, o peso na respiração não passava. Quando cheguei a noite do trabalho, medi a febre e estava com 37.7. Foi então que liguei para o Samu daqui”, lembra.

Na França, a recomendação é de, que em caso de suspeita, o paciente entre em contato com o “Samu” e evite ir ao hospital em um primeiro momento. Após repassar os sintomas por telefone, a catarinense foi orientada a ir até uma espécie de “QG” montado próximo à casa dela, com toda a estrutura para atender pacientes sintomáticos do coronavírus.

“Era um ambiente preparado, todo mundo de máscara. O médico fez todos os exames, analisou e disse que eu estava com bronquite aguda e que só poderia ter sido causada pelo coronavírus, após fazer a exclusão de outros fatores”, explica.

Diagnóstico foi objetivo e sem hesitação: Covid-19 – Foto: Arquivo PessoalDiagnóstico foi objetivo e sem hesitação: Covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo tomando todos os cuidados, seguindo o protocolo de higiene, a criciumense se viu diagnosticada com o Covid-19, que tem causado medo e alterado a vida em todo o mundo. Para ela, os cuidados e a preocupação são fundamentais.

“Essa doença é muito perigosa porque passamos muitos dias sem sentir absolutamente nada. Não se sabe quando começou o contágio e quando você descobre, não sabe de onde recebeu, se já espalhou… e espalha muito rápido”, alerta.

Durante o isolamento, ela explica que recebeu uma lista de medicamentos que podem ser utilizados para os sintomas. “A sensação é de que eu estou respirando mais pesado. Isso que incomoda porque tu sabe que não está bem, que tem alguma coisa acontecendo e não sabe se vai piorar”, diz.

Só serviços essenciais de portas abertas

O medo, as restrições, as paralisações se espalham pelo mundo. Voos cancelados, fronteiras fechadas, eventos suspensos e até mesmo a circulação nas ruas estão limitadas.

Na França, a determinação é taxativa: só serviços essenciais funcionam e circulação nas ruas está limitada, com possibilidade de multa. A catarinense alerta para as precauções e pede que as pessoas estejam atentas.

“Estamos pisando em ovos. É uma doença que não se pode ter certeza de nada. O certo é parar tudo. Espero que pare tudo, que essa transmissão pare antes que nós tenhamos que escolher entre a vida de uma pessoa e outra”, ressalta.

É um problema coletivo, as pessoas precisam parar de pensar
só em si.”

Nas ruas de Lyon, só o fundamental está aberto. Padarias, açougues, farmácias e serviços de delivery. Ela conta que os restaurantes não podem abrir para atendimento ao público, mas estão produzindo refeições que podem ser entregues. Ela já havia se adiantado e feito um pequeno “estoque”, essencial para o período de isolamento.

Na França desde agosto de 2018, após a vontade de “mudar de ares”, a advogada conta que, quando a situação do coronavírus começou, a preocupação maior era com o país vizinho. A Itália tem, atualmente, um alto número de mortos, e a França recebe muitos turistas italianos.

Quando os primeiros casos começaram a surgir, os franceses não ficaram tão preocupados. “Não demos tanta importância, começamos a usar álcool em gel, mas não com aquela preocupação”, conta.

Até o início da semana, o Ministério da Saúde da França registrou 5.423 casos e 127 mortes.

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