Coronavírus: Estudo da Udesc Joinville mostra que isolamento parcial é ineficiente

Estratégias mais eficazes para diminuição do número de infectados envolvem alto índice de distanciamento social combinado a testes em massa a fim de identificar e isolar os contaminados

Um artigo científico sobre a evolução do Covid-19 em quatro continentes foi produzido na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Joinville, no Norte do Estado. O trabalho é de autoria do professor Cesar Manchein, doutor em Física, com pós-doutorado em Ciências Exatas e da Terra, pela Universidade de Insubria, na Itália.

Com colaboração do aluno de doutorado Eduardo L. Brugnago, dos professores Rafael M. da Silva e Marcus W. Beims, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Carlos F.O. Mendes, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); o estudo mostra que medidas de isolamento social parcial, somente, são ineficientes no combate ao coronavírus.

Uma doença que cresce exponencialmente significa, na prática, que “cada infectado é capaz de contaminar mais de uma pessoa ao mesmo tempo” – Foto: NIAID/Fotos Públicas/NDUma doença que cresce exponencialmente significa, na prática, que “cada infectado é capaz de contaminar mais de uma pessoa ao mesmo tempo” – Foto: NIAID/Fotos Públicas/ND

O trabalho mostra que o crescimento do número total de infectados pelo Covid-19 obedece a uma Lei de Potência (quando a proporcionalidade e expoente são constantes) nos países do Brasil, China, França, Alemanha, Itália, Japão, Coreia do Sul, Espanha e Estados Unidos.

A forma natural de avaliar como a evolução da infecção causada pelo coronavírus está crescendo baseia-se em registrar diariamente o número acumulado de indivíduos infectados.

Entretanto, usualmente em epidemias, o número acumulado de infectados cresce de acordo com a chamada Lei Exponencial, que é a lei natural de evolução diante da falta de ações e políticas governamentais de controle da epidemia. Uma doença que cresce exponencialmente significa, na prática, que “cada infectado é capaz de contaminar mais de uma pessoa ao mesmo tempo”.

Esse, segundo o trabalho científico, é um dos piores cenários, pois o sistema de saúde tende chegar ao colapso devido ao rápido aumento no número de casos da doença.

Por isso, o objetivo do estudo é utilizar estratégias de intervenção no processo de contágio para diminuir a velocidade com que a infecção se espalha, e, assim, permitir que os sistemas de saúde atendam a todos que necessitam.

É necessário, portanto, frear a capacidade de contaminação, ou seja, saber o momento certo de agir para evitar o crescimento exponencial.

“Mostramos que as curvas de crescimento são fortemente correlacionadas entre si, o que sugere que podemos aplicar estratégias genéricas (universais) de achatamento das curvas, independentemente do país ou continente. Além disso, usamos um modelo que, baseado nos dados que obtivemos até 27 de março de 2020, pode simular predições e indicar o efeito de possíveis estratégias governamentais para achatar as curvas”, defendem os pesquisadores.

Distanciamento e testagem em massa

O estudo conclui que, dos diversos cenários de estratégias estudados, as estratégias mais eficazes para diminuição do número de infectados envolvem alto índice de distanciamento social combinado à realização diária de um elevado número de testes, a fim de rastrear e isolar os indivíduos infectados que não apresentam sintomas graves e, consequentemente, não buscam auxílio médico.

Há também as pessoas que, por não apresentarem sintomas, podem não se dar conta que estão infectadas, tornando-se potenciais transmissores da doença se não forem adequadamente isolados, o que justifica a importância da realização de testes em massa na população.

Esta estratégia foi adotada pela Coréia do Sul, um dos países que mais teve êxito no combate ao novo coronavírus.

Neste vídeo, de Mauricio Fell, engenheiro e PHD em física de partículas pelo Centro de Europeu de Pesquisa Nuclear, fica claro que a capacidade de reprodução não pode ultrapassar a capacidade de remoção, ou seja, de detecção e isolamento dos infectados. Por isso, é preciso tomar medidas antes de chegar ao limite da capacidade.

Paralelamente ao trabalho, o vice-reitor da Udesc, Luiz Coelho, e o professor Cesar Manchein estão em contato com Secretaria de Saúde de Joinville e a Defesa Civil de Santa Catarina para fornecer dados de todas as análises realizadas sobre a evolução do número de infectados na cidade de Joinville e no Estado de Santa Catarina.

O artigo científico encontra-se submetido para avaliação, mas pode ser acessado em um banco de dados científicos da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Próximos passos

O grupo de pesquisadores planeja dar continuidade às investigações científicas. Eles utilizarão os dados obtidos das séries temporais reais do número acumulado de indivíduos infectados para melhorar as projeções apresentadas pelo seu modelo matemático.

Deste modo, os pesquisadores pretendem caracterizar as estratégias que eventualmente poderiam ter encurtado os período de isolamento social. Os autores acreditam que por meio de projeções teóricas e modelos matemáticos podem realizar ensaios para estimar a eficiência de determinadas políticas governamentais aplicadas ao controle da epidemia em municípios, estados e países.

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Saúde

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