Covid-19 atrapalha vacinação de idosos contra gripe

Em 2020 o volume de idosos, público-alvo na imunização contra o vírus influenza, reduziu 30% em relação ao ano anterior; Ministério da Saúde organiza campanha de vacinação

Apesar das atenções mundiais estarem voltadas à vacinação contra a Covid-19, a campanha de vacinação contra a gripe deve ocorrer entre os meses de março e abril deste ano. Mas o medo ocasionado pela pandemia está enfraquecendo a procura de imunização contra o vírus influenza entre os idosos, principal público-alvo.

Pessoas com mais de 60 anos representavam 45% dos vacinados contra a gripe em 2019. No ano passado, o volume reduziu para 15%, uma queda de 30% em relação ao ano anterior.

Os dados obtidos pelo Metrópoles com técnicos do Datasus, departamento de informática do SUS (Sistema Único de Saúde), reforçam o afastamento do brasileiro das campanhas de imunização.

Idosos são público-alvo na vacinação contra a gripe – Foto: Aline Massuca/MetrópolesIdosos são público-alvo na vacinação contra a gripe – Foto: Aline Massuca/Metrópoles

Programa de vacinação

Também parte do programa de vacinação contra a gripe: profissionais da saúde, da segurança, da educação e do sistema prisional; doentes crônicos; adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e presidiários; caminhoneiros e profissionais de transporte coletivo; indígenas; crianças de 6 meses a 6 anos; pessoas com deficiência; gestantes; e puérperas até 45 dias após o parto.

Em 2020, quase 80 milhões de pessoas foram vacinadas. Porém, em decorrência da falta de procura pelo público-alvo, o Ministério da Saúde disponibilizou doses para a população em geral.

Expectativa

O que se espera é que a campanha contra a Covid-19 leve, novamente, mais idosos aos postos de saúde para cumprir o calendário de vacinas contra o vírus influenza. O Ministério da Saúde não comenta detalhes do programa, mas estão sendo realizadas reuniões para finalizar a estratégia.

O prazo para que a vacina faça efeito no organismo é de 15 dias. Por isso, o Ministério da Saúde planeja o cronograma para antes do inverno, período de maior circulação do vírus.

“Nossa expectativa é de que os idosos e seus familiares entendam a importância da vacinação e como isso é fundamental para a sociedade. Quem se vacina protege a si e ao outro”, explica uma técnica do PNI.

Expectativa é de que em 2021 idosos voltem a se vacinar contra o vírus influenza – Foto: Divulgação/Paulo Alceu/NDExpectativa é de que em 2021 idosos voltem a se vacinar contra o vírus influenza – Foto: Divulgação/Paulo Alceu/ND

Medo gerou queda na procura

A especialista salienta que o medo da Covid-19 influenciou, em grande parte, na queda de procura pela vacinação contra a gripe. O cenário também é impactado por problemas como o crescimento de grupos antivacina, a propagação de fake news sobre eficácia e segurança dos imunobiológicos e até mesmo o descrédito atribuído às vacinas por parte da população.

“A imunização não pode ser efeito do medo da pandemia. Política pública de saúde não é formulada dessa forma, com medo. Precisamos da confiança e da adesão das pessoas”, conclui a técnica.

Logística

De acordo com a médica infectologista e professora da UnB (Universidade de Brasília) Juliana Lapa, as próximas campanhas de vacinação podem ter resultados prejudicados.

Alguns dos exemplos citados por ela são: dificuldades logísticas, como organização de pessoal e aquisição de seringas e agulhas. “Sempre que há outra campanha de vacinação perto das datas de influenza, as pessoas não tomam a vacina contra a gripe. Isso aconteceu, por exemplo, quando tivemos a campanha contra a febre amarela”, relembra.

A especialista frisa que a baixa vacinação pode aumentar os adoecimentos, já que a gripe, assim como a Covid-19, causa síndrome respiratória aguda grave. “Isso pode aumentar o número de atendimento, os riscos, e complicar os diagnósticos”, destaca.

Versão oficial

Durante dois dias, a reportagem do Metrópoles procurou o Ministério da Saúde para que a pasta comentasse o assunto, mas não houve manifestação.

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