Covid em 2022: Médicos, cientistas e gestores dizem o que podemos esperar

Portal ND+ entrevistou cinco especialistas que deram sua visão sobre a pandemia de Covid-19 no próximo ano

O que podemos esperar da Covid-19 no próximo ano? Muita gente deve estar se fazendo essa pergunta. Por isso, o Portal ND+ entrevistou cinco especialistas que deram sua visão sobre como a doença deve se comportar em 2022.

população na rua População precisa continuar se cuidando e se protegendo das variantes do coronavírus – Foto: Leo Munhoz/ND

Embora seja mais transmissível, o que pode vir a sobrecarregar o sistema de saúde, a Ômicron tem se revelado menos grave. Ainda assim, há fatores de preocupação com relação a essa nova variante, especialmente porque tem espalhamento rápido e tem contaminado bastante crianças e não-vacinados.

Por isso, os especialistas alertam: terceira dose, dose de reforço e vacinação em crianças são fundamentais para estancar o avanço da doença. E, claro, os cuidados de sempre como o uso de máscaras, distanciamento e higiene das mãos.

Veja abaixo a opinião de cada especialista:

Fernando Bozza, infectologista e um dos maiores cientistas da Fiocruz 

“Estamos vivendo um novo momento da pandemia, especialmente com a circulação da Ômicron na África e Europa, agora se expandindo em direção às Américas. É uma variante de preocupação pela quantidade de mutações que ela carrega e, especialmente, pela alta transmissibilidade. O que se tem difundido internacionalmente é que é uma variante de espalhamento, vem se difundindo e se tornando dominante de uma maneira mais rápida que as outras, demonstrando essa capacidade de infectividade que essa variante tem. Afeta, principalmente, pessoas não-vacinadas, mas pode afetar também pessoas vacinadas. No entanto, o que tem sido reportado é que a gravidade dessa variante é menor que a da Delta. Claro que, quando uma variante se espalha muito rápido e é muito infectiva, acaba pressionando o sistema de saúde. Os dados internacionais têm apontado preocupações com idosos não-vacinados e com crianças. No caso de Brasil, hoje já temos reportes da variante no País, e isso é um fator de preocupação, embora a gente saiba que a cobertura vacinal no País tem se expandido rapidamente. A terceira dose e as doses de reforço são fundamentais nesse momento para deter a expansão da variante, especialmente dos casos mais graves. Essa dose de reforço, de preferência, com vacinas de RNA do tipo da Pfizer. Outro aspecto é a infecção em crianças por esta nova variante. E, por isso, a expansão de vacinação em crianças é fundamental para deter a progressão da Ômicron no País. Em resumo, a pandemia não terminou e a gente está vendo isso internacionalmente. No caso do Brasil, estávamos vivendo um momento favorável, mas vários indícios apontam que essa nova variante vem para ficar. As únicas coisas que podem mudar esse cenário são a adesão das pessoas à vacinação, a expansão da vacinação para as crianças e a manutenção dos cuidados.”

Tarcisio Crocomo, infectologista e professor do curso de Medicina da Univille

“Esperamos que os indicadores melhorem, principalmente com o avanço da vacinação da forma recomendada, doses iniciais e as doses de reforço. Os demais cuidados ainda serão necessários, pois novas variantes têm sido detectadas, como a Ômicron que, a princípio, parece que não impede reinfecção mesmo nos vacinados. Também parece não causar quadros mais graves nos reinfectados vacinados, porém tem uma capacidade maior ainda de transmissão que as anteriores, reforçando ainda mais a necessidade de vacinação. Manter os cuidados de proteção (evitar aglomeração, usar máscaras e álcool em gel) sempre será útil aliado à vacina. A batalha ainda não acabou. E não temos condições de prever isso no momento. Claro que medidas de restrição mais brandas já podem e algumas já foram tomadas, mas sempre levando em consideração os dados epidemiológicos. Perspectiva de melhora sim, mais sob vigilância e atenção ao curso da pandemia. Não baixar a guarda! Não podendo esquecer que o vírus tem potencial de futuras variantes pela natureza do microorganismo em sua adaptação e permanência no nosso meio. Ainda temos de nos manter atentos.”

Exemplo a ser seguido, cuidados sendo mantidos – Foto: Leo Munhoz/NDExemplo a ser seguido, cuidados sendo mantidos – Foto: Leo Munhoz/ND

Fabrício Augusto Menegon, epidemiologista e professor de Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC

“Podemos esperar um ano relativamente mais tranquilo. É pouquíssimo provável que a gente veja acontecer novamente um colapso no sistema da saúde, como ocorreu entre fevereiro e março de 2021 em Santa Catarina. Isto por conta da vacinação que está avançando e está cumprindo bem o papel de proteger a população em relação a casos graves e óbitos. Tomando por base as ocupações de leitos de UTI e o desempenho da vacinação, não deveremos, portanto, ter um novo colapso na saúde. Expectativa é que a gente consiga consolidar a imunização das pessoas, atingindo a totalidade do público alvo com duas doses da vacina. E, para isso, o governo do Estado precisa trabalhar forte na busca daqueles que não se imunizaram completamente e no incentivo às pessoas que ainda têm dúvidas acerca da necessidade e proteção da vacina. Também devemos avançar na imunização das crianças, que não é um grupo com risco elevado, mas que transmite da mesma forma que os demais. Para isso, esperamos que o governo federal libere rapidamente essas doses, especialmente porque esse público está em idade escolar. Esperamos também que as doses de reforço continuem sendo disponibilizadas em 2022 para complementar imunização das pessoas. E o que a gente já sabe é que deveremos aprender a conviver com a Covid-19 da mesma forma que já convivemos com a H1N1. É bastante provável que a vacina da Covid-19 entre no calendário vacinal anual do SUS e que tenhamos de tomar todos os anos até um cenário epidemiológico mais favorável, que realmente indique que podemos tirar as camadas de proteção de maneira definitiva ou somente acioná-las em momentos bastante específico. Para isso acontecer, é importante que as pessoas e os governos continuem cumprindo seu papel que é a utilização das camadas de proteção: máscaras, higienização das mãos, evitar aglomeração. A máscara, depois da vacina, é a principal barreira de contato. E o ideal, em ambientes fechados, é usar máscaras de boa qualidade, como Pff2 ou N95.”

Martoni Moura e Silva, médico infectologista 

“Espero que a gente tenha a segurança de conviver com ela. Porque isso é que vai acontecer: conviver com pessoas ainda sendo infectadas, porém, com menor gravidade sem precisar internação hospitalar, sem ir a óbito. Isto por causa da vacinação. A notícia boa é que as crianças também poderão ser vacinadas, de cinco até 11 anos. O que a gente precisa é ter vacina para este púbico para poder trazer a segurança no retorno às escolas após as férias. Expectativa é conviver ainda com o coronavírus, porém, de forma mais segura, com o cartão vacinal atualizado em nossa defesa plena.” Martoni Moura e Silva alertou, ainda, sobre o surto de Influenza que estamos vivendo agora, o que pode virar uma epidemia, reforçando ainda mais a necessidade de cuidados, como uso de máscaras e a etiqueta de higiene.” 

Jean Rodrigues da Silva, secretário da Saúde de Joinville

“Em 2022, com o avanço da vacinação, nossa expectativa é de que os números da pandemia continuem caindo. Estamos com a média de casos ativos em um dos menores índices do ano, o que nos mostra que a imunização está sendo uma estratégia muito eficiente para superar a Covid-19. É fundamental que as pessoas permaneçam atentas para concluir o ciclo de imunização e busquem a dose de reforço.”

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