Covid-19 e gripe: aumenta atendimento de crianças em Florianópolis após explosão de casos

Comparando novembro e dezembro, hospital da Capital registrou 200 casos a mais de doenças respiratórias no último mês do ano; grupo aguarda vacinação contra o novo coronavírus

A Unidade Infantil da Unimed, no Centro de Florianópolis, registrou em dezembro 203 casos de crianças e adolescentes com queixas respiratórias comparado ao mês anterior. A mudança coincide com o aumento exponencial de casos de Covid-19 e gripe, que ocorre desde o último mês de 2021.

Aumento nos casos de gripe e Covid-19 também atingem crianças em FlorianópolisSalto na taxa de crianças com queixas respiratórias coincide com aumento de casos de gripe e Covid-19 registrados a partir do mês de dezembro – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

Conforme a unidade, que atende casos de urgência e emergência de pessoas de 0 a 15 anos, os casos respiratórios correspondiam a 35% de todos os atendimentos na unidade. A proporção saltou para 39% no mês de dezembro.

Entre os dias 1 e 9 janeiro de 2022, os dados mostram uma queda dessa taxa. De todos os mais de 1,7 mil atendimentos, 449 eram de pacientes com sintomas gripais – o que corresponde a 26% das hospitalizações feitas até então.

Cabe lembrar que não há como precisar a quantidade dos casos de gripe, Covid-19 ou mesmo de outras doenças respiratórias. A Unidade não realiza testagem, o que é feito por outros laboratórios da rede Unimed e depois notificados para a vigilância epidemiológica. Veja abaixo os dados destes últimos três meses:

  • novembro de 2021: 4865 atendimentos de crianças e adolescentes, sendo 1723 (35%) para casos respiratórios;
  • dezembro de 2021: 4958 atendimentos, sendo 1926 (39%) para casos respiratórios; e
  • 1 e 9 de janeiro de 2022: 1710 atendimentos, sendo 449 (26%) para casos respiratórios.

Situação no Estado

A SES (Secretaria Estadual de Saúde) informou que 2883 crianças de 0 a 15 anos foram internados entre 12 de outubro e 10 de janeiro de 2022 por doenças virais. Não foi detalhada a progressão de internações em cada mês.

Em relações aos casos de Covid-19 no grupo, monitorados diariamente pelas pasta, 10 crianças se encontravam internadas nesta terça-feira (11) em leitos oferecidos pelo SUS em Santa Catarina.

De acordo com os dados da tabela de leitos da Secretaria de Estado da Saúde, quatro estão em leitos de UTI e seis em leitos de enfermaria. Não há pacientes de Covid-19 internados em leitos neonatal.

Leitos de UTI

  • Hospital Universitário Pequeno Anjo, em Itajaí (1)
  • Hospital Nossa Senhora Conceição, em Tubarão (2)
  • Hospital Santo Antônio, em Blumenau (1)

Leitos de enfermaria 

  • Hospital Universitário Pequeno Anjo, em Itajaí (1)
  • Hospital Universitário, em Florianópolis (2)
  • Hospital e Maternidade Jaraguá, em Jaraguá do Sul (1)
  • Hospital Sagrada Família, em São Bento do Sul (1)
  • Hospital Materno Infantil Santa Catarina, em Criciúma (1)

Desde o início da pandemia, 44.135 casos de Covid-19 foram confirmados em crianças de 0 a 9 anos. Deste número, 38 morreram em decorrência da doença.

Pfizer antecipa 600 mil doses para crianças

O grupo é o único que aguarda vacinação contra o vírus. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta segunda (10) a antecipação de 600 mil doses do imunizante infantil produzido pela Pfizer para que sejam incluídos na campanha de vacinação das crianças de 5 a 11 anos, prevista para ter início entre os dias 14 e 15 de janeiro, logo após a chegada do primeiro lote de vacinas no dia 13 deste mês.

Com a chegada de doses extras, a pasta estima que devem ser entregues 4,3 milhões de vacinas em janeiro. A previsão inicial era de 3,7 milhões.

O Ministério da Saúde firmou um contrato com a Pfizer que garante o fornecimento de 20 milhões de doses de vacinas pediátricas no primeiro trimestre deste ano.

A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) informou que irá iniciar a distribuição das doses assim que receber os imunizantes.

A inclusão de crianças no PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19) foi anunciada na semana passada pela Saúde.

Regras da vacinação em crianças

A imunização da faixa etária de 5 a 11 anos não será obrigatória. Não serão exigidas prescrições médicas para aplicação da vacina em crianças. De qualquer modo, elas precisam estar acompanhadas dos pais ou responsável, além de poderem apresentar autorização escrita.

O esquema vacinal será com duas doses aplicadas em um intervalo de oito semanas. Para a imunização, serão utilizadas vacinas da Pfizer, única com autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Será recomendada uma ordem de prioridade, dando preferência às crianças com comorbidades ou deficiências permanentes. Indígenas, quilombolas e aquelas que vivem com pessoas do grupo de risco estarão na sequência da fila. Por fim, serão aplicadas nas crianças em geral.

324 crianças morreram desde o início da pandemia

Cartórios de registro civil anotaram 324 óbitos em razão da Covid-19 causada pelo Sars-Cov-2 na faixa etária de cinco anos a onze anos no período entre março de 2020 até agora. Os dados constam do Portal da Transparência do Registro Civil.

O levantamento indica ainda que o maior número de mortes dentro da faixa etária foi registrado entre crianças de cinco anos (65), seguida pelas que tinham seis anos (47), sete anos (46) e 11 anos (46). Os óbitos de crianças de dez anos chegaram a 43, as de nove, a 40, e as de oito, 37. Foram 162 falecimentos de crianças do sexo masculino e do sexo feminino.

Os dados sobre os óbitos de crianças em razão da covid-19 foram compilados e divulgados pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, a partir de informações de 7.663 cartórios do país.

A entidade aponta ainda que, entre março de 2020 e janeiro de 2022, foram registradas, também na faixa etária de 5 a 11 anos, 77 mortes em razão de SRAG – 30 por causas indeterminadas e 57 por morte súbita.

As informações reunidas pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais indica ainda que o registro de mortes de crianças de cinco a onze anos por covid-19 foi maior em 2021 (174 óbitos) do que em 2020 (150 óbitos).

*Com informações do Estadão

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