Covid-19: o drama de quem esteve cara a cara com a morte dentro da UTI

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NDTV Record foi a primeira emissora de televisão a entrar em uma UTI Covid em Joinville; cenas e relatos inéditos em meio à pandemia que desafia a ciência e castiga o planeta

Na segunda reportagem da Série UTI Covid: Luta pela Vida, o medo e a angústia dos profissionais de saúde que lidam diariamente com a possibilidade de morte.

O repórter da NDTV Joinville Maikon Costa mostrou o drama de quem esteve cara a cara com a morte dento de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Joinville.

paciente sendo cuidado em uma utiInédito: a NDTV Record foi a primeira emissora de televisão a entrar em uma UTI Covid em Joinville. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

“Já eram 20h30 quando fui acionada pelo diretor do hospital. Ele perguntou se eu e a capelã poderíamos comparecer para um suporte para equipe porque tinha acontecido a primeira morte por Covid-19 na instituição”, relembra a psicóloga Kethe de Oliveira Souza.

“Chegou a morte, o cenário real da pandemia que até então estávamos vendo na televisão”, continua Kethe, lembrando que no início teve medo de não dar conta de atender a equipe tamanho impacto.

Psicóloga Kethe de Oliveira Souza teve de lidar com o impacto da morte. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDPsicóloga Kethe de Oliveira Souza teve de lidar com o impacto da morte. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

Dolorosos dias de um mundo real testemunhados por todos os profissionais dentro do hospital.

“O mais pesado foi ter um número maior de pacientes morrendo, ter de dar a notícia para essas famílias e perceber o impacto que isso gerava: de não poder fazer um funeral, de não poder se despedir, não olhar o rosto e isso tudo gerou muita angústia”, relata a piscóloga.

Sentimento dividido pela colega de hospital, a enfermeira Sarah Lima dos Santos.

“Nós morremos um pouquinho quando os nossos pacientes morrem”, desabafa Sarah.

Ao mesmo tempo, ela diz que os profissionais não podem demostrar fraqueza diante da família, quando esta precisa de um suporte.

Mas o fato é que a pandemia transformou a realidade, tornando o dia a dia bem mais difícil até mesmo para quem tem experiência.

Equipes multidisciplinares se revezavam para dar conta e oferecer o melhor atendimento aos pacientes. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDEquipes multidisciplinares se revezavam para dar conta e oferecer o melhor atendimento aos pacientes. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

“As pessoas costumam pensar que a morte é extremamente frequente em uma UTI, o que não é verdade. A maioria dos pacientes recebe alta.  No entanto, a pandemia mudou isso. Tivemos um grande número de óbitos que não estávamos acostumados. Os pacientes internavam, ficavam em situação grave e, muitas vezes, não resistiam e não viam a família. Por isso, a equipe de apoio foi fundamental para dar um suporte”, comenta o médico e coordenador da UTI do Hospital Dona Helena, Pierre Otaviano Barbosa.

O depoimento de quem esteve internado na UTI

“Foi terrível, principalmente porque fiquei em coma induzido, sem saber como estava”, conta Giolberto da Silva, que ficou mais de um mês em uma Unidade de Terapia Intensiva. Ele ainda teve complicações que retardaram sua recuperação.

Giolberto da Silva ficou mais de um mês na UTI e teve complicações na recuperação. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDGiolberto da Silva ficou mais de um mês na UTI e teve complicações na recuperação. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

“Eu foquei na minha família. Eu vou voltar. É preciso ter um ponto para focar, uma referência.”

A esposa de Giolberto, Maria Terezinha da Silva, lembra do medo quando ele foi internado. Medo de que ele não voltasse mais para casa. “Foi uma angústia para toda a família.”

Lidar com a perda ficou difícil para todos. “E pensar o quanto isso mexe com a gente. Esse sentimento gerou um impacto muito grande na equipe”, acrescenta a psicóloga Kethe de Oliveira Souza.

Depois que máquinas passaram a trabalhar pelos pacientes, voltar a respirar nunca foi tão desejado. E é justamente sobre esse sopro da vida que fala a última reportagem da série, que vai ao ar no Programa Balanço Geral e também será publicada no Portal ND+.

O sentimento de alívio de quem venceu a guerra contra a Covid-19 e o agradecimento aos heróis dessa luta. A esperança trazida pela vacina e os cuidados com a saúde.

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