Covid-19: O que se sabe sobre a nova vacina brasileira

O Instituto Butantan, em São Paulo, vai produzir a primeira vacina nacional contra Covid-19; expectativa é que já seja aplicada em julho

O Brasil vai produzir a primeira vacina contra a Covid-19 desenvolvida inteiramente no país. O imunizante será fabricado pelo Instituto Butantan, em São Paulo.

governador de são paulo mostrando a nova vacinaAté o fim de 2021, 40 milhões de doses devem ser fabricadas – Foto: Governo de São Paulo/Reprodução

A expectativa é que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorize o início dos testes em abril e, em julho, o imunizante esteja pronto para aplicação. A fabricação não vai depender da importação de IFA.

Até o fim do ano, 40 milhões de doses devem estarem prontas para a aplicação. O pedido de testes à agência foi realizado nesta sexta-feira (26). Até o momento só foram realizados estudos pré-clínicos em animais.

De acordo com o diretor do Butantan, Dimas Covas, para os testes em humanos, referentes às fases 1 e 2, participarão 3,9 mil voluntários, sendo 1.800 para cada fase, acima de 18 anos e de grupos que ainda não foram vacinados no plano nacional de vacinação.

Nas fases 1 e 2 são avaliados segurança e capacidade de induzir a resposta imune à doença. A efiácia é analisada na fase 3. A vacina também passará por testes no Vietnã e na Tailândia, que já com a fase 1 em andamento.

Durante a fase 3 deve ser feito o pedido de uso emergencial da vacina e, posteriormente, o registro definitivo, conforme informado durante a apresentação.

Sobre a vacina

A ButanVac começou a ser desenvolvida há um ano. Ela utiliza a mesma tecnologia da vacina da gripe, fabricada pelo Butantan. O imunizante é feito a partir de um vírus de gripe aviária inativado, chamado Newcastle, que funciona como vetor para transportar a proteína Spike, que é por onde o coronavírus se liga às células humanas.

Esse fragmento da proteína Spike instrui o corpo a induzir a resposta imune contra a Covid-19. A nova vacina usará a proteína da variante do Amazonas, de acordo com Covas, cepa do coronavírus que deve predominar no país.

Assim como a vacina da gripe, a ButanVac é criada dentro de ovos embrionados, não havendo necessidade de insumos importados, conforme sublinhou o diretor do Butatan.

O número e intervalo das doses será definidos após o fim dos testes clínicos, mas Covas afirmou que não descarta a possibilidade de dose única, já que a vacina apresentou “bons resultados imunogênicos”.

Depois de suprir a necessidade de vacinas no país, o Butantan pretende exportar o imunizante. “Nosso compromisso é fornecer essa vacina para países de renda baixa e média porque é lá que nós precisamos combater a pandemia. Se o mundo rico combate porque tem recursos, e vai ficar relativamente livre do vírus, os países com renda baixa ou média, que têm dificuldades para obter recursos, vai continuar com a pandemia”, afirmou durante a entrevista coletiva à imprensa.

O Instituto Butantã tem 120 anos de existência e hoje é o maior produtor de vacinas do Hemisfério Sul, do Brasil e da América Latina e agora se coloca internacionalmente como um produtor de vacina contra a Covid-19.

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