Covid-19 pode causar onda de distúrbios psicológicos, sugere estudo

A pesquisa feita nos Estados Unidos, analisou mais de 230 mil registros de saúde no país por um período de seis meses

Um estudo publicado na revista The Lancet Psychiatry e feito nos Estados Unidos, mostra que um terço dos sobreviventes da Covid-19 desenvolvem problemas psiquiátricos. A pesquisa foi feita com mais de 230 mil pessoas americanas e analisou os envolvidos por um período de seis meses.

pessoa com a mão na cabeçaA depressão e a ansiedade afetam cada vez mais pessoas no mundo. Segundo dados da OMS, o Brasil é o primeiro no ranking mundial de pessoas com ansiedade – Foto: Pixabay/Reprodução

Entre os problemas mais comuns que apareceram, está a ansiedade, com 17%, e distúrbios de humor, com 14%. De acordo com a pesquisa, os problemas não têm a ver com a gravidade da infecção. 

Dos 236 mil registros analisados, 34% apresentaram doenças psiquiátricas ou neurológicas. O estudo concluiu que o coronavírus têm impacto grande no desenvolvimento dessas doenças, após perceber que os distúrbios aparecem com mais frequência em pacientes que tiveram a Covid-19 do que em grupos de comparação, como pessoas que desenvolveram gripe e outras infecções respiratórias. 

Entre os que foram internados com quadro grave de Covid-19, 7% apresentaram derrame dentro de seis meses. Outros 2% foram diagnosticados com demência em um mesmo período de tempo.

Após a publicação do artigo, cientistas sugerem que a pandemia pode trazer uma onda de problemas mentais e neurológicos no mundo.

Os pesquisadores não sabem ainda como o vírus está ligado a essas condições. Um dos coautores do estudo, Max Taquet, psiquiatra da Universidade britânica de Oxford, diz que não se pode determinar os mecanismos biológicos ou psicológicos envolvidos, mas que “pesquisas urgentes são necessárias nesse momento para identificar e de alguma forma, tentar previnir”.

Ainda no ano passado, uma outra pesquisa mostrou que 20% dos sobreviventes da Covid-19 foram diagnosticados com algum problema psiquiátrico no período de três meses. “Embora os riscos individuais para a maioria dos distúrbios tenha sido pequeno, o efeito por toda a população pode ser substancial”, disse Paul Harrison, professor de psiquiatria de Oxford que também participou do estudo.

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