Covid-19: entenda por que SC continua em alerta mesmo com queda na transmissão

Quase dois meses depois, Santa Catarina volta a ter quatro regiões no nível grave; apesar disso, Estado já acumula seis semanas com capacidade dos leitos no vermelho

Depois de quase dois meses, Santa Catarina voltou a ter quatro regiões no nível grave na matriz de risco que mede a situação da Covid-19. A estatística mostra uma ligeira melhora considerando que há duas semanas o Estado estava todo no “vermelho”.

As regiões que caíram para o nível grave são Grande Florianópolis, Carbonífera, Foz do Itajaí e Extremo Sul. Já outras 12 permanecem no gravíssimo.  A última vez que o Estado esteve nessa situação foi no dia 13 de fevereiro. 

Mapa de Risco para Covid-19 SC 10/04/2021 – Foto: Reprodução/SES SCMapa de Risco para Covid-19 SC 10/04/2021 – Foto: Reprodução/SES SC

Mais uma vez não há regiões nos níveis alto (amarelo) ou moderado (azul). Inclusive, a última vez que Santa Catarina teve uma região em amarelo foi no dia 27 de janeiro, com o Extremo-Sul. Desde que foi implantada, nenhuma cidade apareceu no nível moderado na matriz de risco estadual.

Transmissão cai, leitos sobem

Um dos principais responsáveis pela melhora na matriz estadual é o quesito que mede a transmissibilidade. Pela segunda semana seguida, o Estado apresenta todas as regiões no nível grave (laranja), com oito das 16 regiões com pontuação de 2.5.

Nas últimas semanas, o pior desempenho do quesito ocorreu no dia 27 de fevereiro, quando 14 das 16 regiões apresentaram a pontuação máxima de 4.0. Esta também foi a segunda vez que todo o Estado esteve no nível gravíssimo para Covid-19.

Foi nesta época que o Governo do Estado voltou a restringir alguns segmentos devido a aceleração no aumento do número de casos. O decreto do dia 24 de fevereiro limitou a venda e consumo de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis entre meia-noite e 6h.

Também foi nessa época que ficou definido uma espécie de “lockdown” aos fins de semana, permitindo apenas o funcionamento de atividades essenciais de sexta a noite até a madrugada de segunda-feira.

Mapa mostra mais uma vez todas as regiões no nível grave na transmissibilidade – Foto: SES/DivulgaçãoMapa mostra mais uma vez todas as regiões no nível grave na transmissibilidade – Foto: SES/Divulgação

Por outro lado, a capacidade de atenção, que avalia a ocupação dos leitos, continua sendo o quesito mais crítico da matriz. Por mais de um mês e meio, todas as regiões estão no nível gravíssimo com a pontuação máxima de 4.0.

Mapa mostra Estado todo no vermelho no quesito que mede a ocupação dos leitos – Foto: SES/DivulgaçãoMapa mostra Estado todo no vermelho no quesito que mede a ocupação dos leitos – Foto: SES/Divulgação

A situação é ainda mais alarmante se levar em conta o crescimento que a pontuação teve em apenas uma semana. No dia 13 de fevereiro, a situação era:

  • 10 regiões no gravíssimo com pontuação máxima;
  • Uma região no grave;
  • Duas regiões no alto;
  • Três regiões no moderado, melhor índice da matriz.

Na semana seguinte, no entanto, a questão mudou drasticamente: no dia 20 de fevereiro, 15 regiões estavam no gravíssimo e uma no grave (Carbonífera). Três regiões que estavam no moderado (azul), inclusive, saíram da pontuação 1.0 para a 4.0 em um período de sete dias.

Mapa mostra evolução na ocupação dos leitos em Santa Catarina – Foto: Luana Amorim/NDMapa mostra evolução na ocupação dos leitos em Santa Catarina – Foto: Luana Amorim/ND

E a situação ainda não dá sinais de melhora: segundo dados da SES, neste sábado (10) a ocupação dos leitos de UTI Covid-19 adulto estava em 99,03%, com apenas dez vagas. Em contrapartida, há 134 pacientes aguardando por um leito em Santa Catarina.

Enquanto não há vagas, vidas são perdidas. Conforme resposta da SES (Secretaria do Estado da Saúde) ao ofício enviado pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), em março, 266 pessoas morreram enquanto aguardavam por um leito.

Regiões voltam para o grave após dois meses

A principal novidade do mapa divulgado neste sábado (10) foi a mudança na matriz em quatro regiões: Foz do Rio Itajaí, Grande Florianópolis, Carbonífera e Extremo Sul. Todas elas estavam há cerca de dois meses no gravíssimo.

Em uma comparação com a semana passada, as quatro estavam com índices bem semelhantes: ambas no vermelho em três quesitos e no laranja na transmissibilidade. Nesta semana, as semelhanças continuam: todas estão com três índices no grave e apenas com a capacidade de atenção no gravíssimo.

Confira o comparativo das regiões:

Regiões no Nível Grave
Infogram

Nos Estados vizinhos, situações oscilam

A gravidade da Covid-19 difere nos Estados que fazem divisa com Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, segundo dados da Secretaria da Saúde, todas as regiões estão na bandeira preta. Este é o nível mais grave da Covid-19 segundo o monitoramento gaúcho. Ao todo, 890.558 casos já foram confirmados e 21.864 mortes ocorreram em função da doença desde o início da pandemia.

Todas as regiões do Estado estão bandeira preta – Foto: Reprodução/Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do SulTodas as regiões do Estado estão bandeira preta – Foto: Reprodução/Secretaria de Estado da Saúde do Rio Grande do Sul

Já em Curitiba, os dados da Secretaria da Saúde mostram queda nos números nas últimas semanas. Só na primeira semana de abril, o Paraná registrou 515 óbitos, 913 a menos que na segunda semana de março, quando foram 1446 – maior número desde o início da pandemia.

O número de casos confirmados no Paraná também diminuiu: passou de 36.479 no início de março para 10.730 na primeira semana de abril.

Mapa mostra a evolução na confirmação de casos e mortes por Covid-19 – Foto: Secretaria de Saúde do ParanáMapa mostra a evolução na confirmação de casos e mortes por Covid-19 – Foto: Secretaria de Saúde do Paraná
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