Exclusivo: secretário de Saúde de SC avalia novas estratégias em entrevista ao Grupo ND

André Motta Ribeiro fez previsão sobre vacinação, uso da tríplice viral e da implantação do Centro Integrado na Grande Florianópolis

O secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, avalia positivamente as ações adotadas nesta semana para o combate à Covid-19 em Santa Catarina. Em entrevista ao Grupo ND, ele abordou a possibilidade de uso da tríplice viral, a pressão por vacinas, a estrutura de leitos UTI para pacientes com Covid-19 e a implantação de um Centro Integrado de Operações na Grande Florianópolis, semelhante ao realizado no Extremo-Oeste.

“O estado sozinho não consegue, nem os prefeitos sozinhos conseguem, juntos conseguimos fazer uma fiscalização mais eficaz” – Foto: Leo Munhoz/ ND“O estado sozinho não consegue, nem os prefeitos sozinhos conseguem, juntos conseguimos fazer uma fiscalização mais eficaz” – Foto: Leo Munhoz/ ND

As quatro cidades da Grande Florianópolis e o governo do Estado instalam a partir desta quinta-feira (11) na sede da Defesa Civil Estadual, na Capital, um Centro Integrado de Operações para combater a pandemia da Covid-19. Boletim epidemiológico aponta 143.260 casos confirmados da doença na região, com 1.340 mortes na Grande Florianópolis.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, o objetivo do Centro é solidificar uma fiscalização mais eficiente nas cidades da Grande Florianópolis, como teria ocorrido no Extremo-Oeste catarinense.

“Primeiro é entender o cenário, e os prefeitos devem entender que eles têm responsabilidade. Nossa grande dificuldade é o entendimento da necessidade de cumprimento das regras. Se combina antes, como foi lá no Extremo-Oeste, nós conseguimos fiscalizar em parceria. O Estado sozinho não consegue, nem os prefeitos sozinhos conseguem. Juntos conseguimos fazer uma fiscalização mais eficaz. Uma maior fiscalização do processo”, afirmou Ribeiro.

No último boletim divulgado na quarta-feira (10), 419 pacientes aguardavam vagas em UTIs – Foto: Leo Munhoz/ NDNo último boletim divulgado na quarta-feira (10), 419 pacientes aguardavam vagas em UTIs – Foto: Leo Munhoz/ ND

Apesar da publicação de um novo decreto com as regras vigentes estabelecidas pelo governo do Estado para os próximos dias, o secretário voltou a reafirmar ser contra medidas mais rígidas de fechamento de atividades.

Ele negou que as novas medidas, entre elas a continuidade do funcionamento somente de serviços e atividades essenciais em fins de semana, sejam consideradas um lockdown.

“Eu tenho certa dificuldade na questão do lockdown. É uma atitude mais drástica que envolve uma série de outras questões que não é que estamos discutindo. Estamos colocando em prática a restrição daquelas atividades que devem ser restritas em função de ser ambientes que promovem mais a velocidade da propagação do vírus”, pontuou.

Espera por leito de UTI-Covid

O secretário de Saúde reconheceu como um “momento muito ruim” a pandemia em Santa Catarina. E demonstrou preocupação quanto às vagas de UTI-Covid.

No último boletim, divulgado na quarta, 419 pacientes aguardavam vagas em UTIs. De acordo com Motta Ribeiro, a maioria dessas pessoas aguarda a vaga assistida por equipes médicas e em ambientes onde tem equipamentos. “A grande maioria está dentro de hospitais habilitados para UTI-Covid”, comentou.

Porém, outra parte está internada em unidades de pronto atendimento que não têm estrutura para atendimento aos pacientes com a Covid.

Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde, nos últimos 30 dias, mostra que foram abertos 380 novos leitos de UTI, entre eles, 20 contratados esta semana em um hospital privado na Capital que atenderá doentes da Grande Florianópolis.

Fecam e vacinas

O secretário da Saúde preferiu não polemizar sobre a decisão da Fecam (Federação Catarinense de Municípios) em adquirir 4,1 milhões de doses da vacina Sputnik V, o imunizante russo contra a Covid-19.

No entanto, se mostrou reticente quanto a efetividade da ação dos munícipios e sustentou que a imunização deve ser concentrada no Ministério da Saúde.

“Todo movimento mostra a vontade dos gestores de trazer seguranças para as pessoas. Isso é válido. Por outro lado percebemos que é um mercado que está sendo disputado em euro e dólar. Os governos federais já fizeram as encomendas, os laboratórios já têm obrigações contratuais. Acho importante sim esse movimento (da Fecam) porque acaba forçando o ente federal tomar atitudes. Precisamos continuar fortalecendo o Programa Nacional de Imunização. Não faz sentido imunizar um ou outro ambiente porque os impactos continuam sendo ruins”, disse.

Questionado sobre as recomendações do TCE-SC (Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina) e do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) que recomendaram lockdown imediato por 14 dias no Estado, destacou que o governo estadual está realizando o que deve ser feito.

E considerou que é muito difícil quantificar, no momento, o que faz mais sentido: pactuar as ações e conseguir adesão da pactuação ou decidir de forma unilateral o fechamento absoluto.

Vacina tríplice viral

A repercussão dos resultados do estudo da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) sobre a eficácia da vacina tríplice viral contra a Covid-19 também foi tema de comentário do secretário.

Segundo ele, desde junho passado, o Estado é fomentador dessa pesquisa e os resultados preliminares, em outubro, foram animadores.

Secretário da Saúde tratou de frear a euforia da notícia sobre a tríplice viral – Foto: Leo Munhoz/NDSecretário da Saúde tratou de frear a euforia da notícia sobre a tríplice viral – Foto: Leo Munhoz/ND

No entanto, ele tratou de frear a euforia da notícia, pois entende que o assunto deve ser tratado com muita responsabilidade, já que ainda é necessário entender o resultado definitivo do estudo. Caso seja confirmada a eficácia, a Secretaria da Saúde pretende disponibilizar, inicialmente, 500 mil doses da vacina.

A tríplice viral não é um imunizante equivalente àqueles voltados à vacinação preventiva contra o coronavírus, produzidos por exemplo, pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e Instituto Butantan. Também não se configura como tratamento precoce da doença.

De acordo com o secretário, devem ser observados alguns pontos para mobilização de aplicação dessa vacina como insumos adequados, pessoas treinadas, ambientes diferentes da vacinação contra o Coronavírus, além de que são clientes diferentes.

Outro ponto é que os candidatos à tríplice viral são pessoas de 18 a 60 anos, sem comorbidades. Além disso, quando a pessoa se vacina com a tríplice viral deve ter um intervalo de 30 dias para aplicar a dose contra o coronavírus.

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