Criança tem acesso a UTI em SC após quase 2 dias de espera; veja situação dos leitos no Estado

Aldo, de um ano e seis meses, sofreu um acidente no domingo (15) em casa e, desde então, aguardava por um leito

Mais uma mãe viveu momentos de angústia diante da falta de UTIs pediátricas para o filho, de um ano e seis meses, no Sul de Santa Catarina. A situação aconteceu com a empreendedora e moradora de Içara Cláudia Silvestri.

Criança tem acesso a UTI em SC após quase 2 dias de espera – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/NDCriança tem acesso a UTI em SC após quase 2 dias de espera – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Ela conta que o filho Aldo passou a necessitar de um leito após cair da cadeirinha, onde lanchava com a família em casa, no sábado (14) e bater a cabeça. O menino acabou desenvolvendo um coágulo e precisou passar por uma cirurgia delicada no fim de semana.

“Foi a partir daí que começou a nossa luta por um leito no Estado, depois de recebermos a notícia que não tinha nenhum disponível no Hospital Materno-Infantil de Santa Catarina (HMCIS) e quatro crianças ainda aguardavam na frente do Aldo”, conta Cláudia.

A família, então, decidiu se mobilizar nas redes sociais e pedir ajuda a diversas autoridades, mesmo assim a transferência de Aldo para um leito de UTI aconteceu somente nessa segunda-feira (16) à noite. Ele estava internado no Hospital São José, em Criciúma.

“Era quase oito horas quando a ambulância chegou. Foi muita festa. A família estava lá embaixo aguardando. Aldo foi aplaudido. E eu e meu esposo fomos no nosso carro colado atrás da ambulância até o hospital de Tubarão”, lembra Cláudia.

Familiares comemoram transferência – Vídeo: Divulgação/ND

Segundo a mãe, o estado de saúde de Aldo, no momento, é grave. “Ele está entubado e em coma induzido. Está com um dreno na cabeça e respirando com a ajuda de aparelhos”, informa. O pequeno se encontra na UTI pediátrica do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão.

Aldo não é o único em SC

Ao lado dele também está o menino Joaquim, de três anos e cinco meses. Ele sofre de paralisia cerebral e buscava por um leito de UTI desde o fim de semana, quando apresentou problemas respiratórios. O caso iniciou no sábado (14).

A luta de Cristina para salvar o filho – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDA luta de Cristina para salvar o filho – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Na data, a mãe Cristina Gonçalves, moradora de Turvo, conta que levou o pequeno para Hospital São Sebastião na cidade, onde ele foi consultado e ganhou alta. Contudo, ao retornar para a casa, sofreu uma parada cardíaca e precisou voltar para o hospital, dessa vez, conduzido pelos bombeiros.

Desde esse episódio, Joaquim teve que ficar internado na unidade hospitalar. “Foi aí que começou a nossa luta, porque o hospital não tem estrutura para manter uma criança lá. É um hospital só de pronto-atendimento”, comenta Cristina.

Na manhã seguinte, o garoto teve uma nova parada cardíaca e precisou ser entubado na emergência do local. “Depois disso tentamos transferência para todo e qualquer tipo de hospital de Santa Catarina e nenhum disponibilizava de leito de UTI“, afirma.

A família de Joaquim, então, decidiu acionar uma advogada já conhecida para conseguir uma judicialização de leito. “Porque é um direito de todos terem vaga de leito e não estavam cumprindo com isso”, revela a mãe.

O pedido foi feito junto ao Ministério Público da comarca, contudo, o recurso acabou sendo negado. O apelo, então, foi parar no Ministério Público Federal que autorizou, por meio de liminar, a internação em, no máximo, um dia. Entretanto, os problemas continuaram.

Um hospital particular de Criciúma chegou a ofertar uma vaga de leito na UTI. “Ficamos eufóricos. O Joaquim começou a se estabilizar e nós começamos a arrumar o quadro dele para poder fazer uma possível transferência de helicóptero ou ambulância. Quando estava tudo pronto, o hospital retirou a oferta”, conta a mãe.

Mesmo como uma liminar em mãos, a família de Joaquim não conseguia um leito de UTI. O jeito foi mobilizar amigos e conhecidos para cobrar amparo do Estado. “A gente que é mãe quando mexem com o nosso filho, a gente faz o possível e o impossível”, declara Cristina.

Joaquim acabou sendo transferido às 22h deste domingo (15) para o hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão, onde segue internado na UTI em estado grave.

Mãe escancara falta de UTIs no Estado

Assim como Cláudia e Cristina, a maquiadora e influenciadora digital Marilia Gabriela Furlan também viveu momentos de desespero em Criciúma, no Sul do Estado, após o filho Caetano, de dois meses, precisar ser internado em uma UTI pediátrica por apresentar quadro de bronquiolite.

Mãe que gastou R$ 10 mil diários para internar bebê em SC escancara falta de UTIs pediátricas – Foto: Internet/Reprodução/NDMãe que gastou R$ 10 mil diários para internar bebê em SC escancara falta de UTIs pediátricas – Foto: Internet/Reprodução/ND

Inicialmente, Marilia buscou no sábado (14) atendimento no HMISC (Hospital Materno-Infantil de Santa Catarina), mas diante da fila de espera resolveu levar o pequeno até um hospital particular da cidade, onde ele precisou ser internado imediatamente.

Como não tinha leito no SUS, internamos na UTI aqui mesmo particular. Quando surgiu a possibilidade de um leito, preferimos não transferir para preservar o tratamento dele. Não seria interessante ele sair daqui. Nesse momento pouco importava valores, só a vida dele”, revela Marilia ao ND+.

Para custear três diárias de internação no hospital, ela precisou fazer um empréstimo e desembolsar R$ 22 mil. O total daria cerca de R$ 30 mil, mas a instituição aceitou o valor.

Abalada e revoltada com a situação, Marilia compartilhou em seu perfil o que estava vivendo junto com os seguidores e amigos. Logo, eles se mobilizaram no fim de semana e cobraram uma atitude do Estado, além disso, criaram uma vaquinha para custear o tratamento de Caetano.

Ainda no domingo (15), veio a boa notícia: a SES (Secretária de Estado Saúde) confirmou, por meio de nota, que iria arcar com os custos de internação do bebê até que seja realizada a transferência dele para o sistema público.

“Agora estou aguardando o Estado entrar em contato, não sei como isso funciona. Tem uma amiga me ajudando, porque estou sempre com o Caetano aqui na UTI e muito abalada emocionalmente, mas resolvendo tudo conforme possível”, diz Marilia.

vaquinha feita pelos amigos da influenciadora, até esta segunda-feira (16), já havia arrecadado mais de R$ 40 mil. O valor, caso o Estado não arque com os custos, será destinado para o tratamento de Caetano e para outras mãe que estariam vivendo a mesma situação no Estado.

Neste momento, Caetano continua hospitalizado em Criciúma. “O quadro dele ainda é grave. Ele segue entubado com medicação para manter o coração e máquina para oxigênio, mas já está melhor”, comenta a mãe.

Marilia agora torce pela recuperação do filho. “Eu choro muito, me culpo, me questiono, mas enxugo as lágrimas para conversar no ouvidinho dele e dizer que vai ficar tudo bem, Deus está cuidando da gente por meio de tanto amor que estamos recebendo e de nos permitir ter acesso a uma equipe médica tão competente”, declara a maquiadora.

Sul de SC com um leito pediátrico

Segundo dados do boletim epidemiológico do coronavírus, publicado nessa segunda-feira (15), o Sul catarinense registra 75% de ocupação em leitos pediátricos. De quatro disponíveis no momento, apenas um está livre.

Já Santa Catarina contabiliza 98% de ocupação, com 96 leitos pediátricos sendo utilizados. Há dois disponíveis apenas na Região de Foz do Rio Itajaí e no Sul catarinense. Já a ocupação na UTI neonatal é menor: 96,6%, com sete leitos disponíveis no Estado.

O que diz o Estado?

Conforme a SES (Secretaria de Estado da Saúde), nessa segunda-feira (16) houve uma reunião para determinar diversas frentes de trabalho buscando, principalmente, ampliação da oferta de leitos de UTI pelo SUS.

Entre as iniciativas, a SES destacou ações preventivas para as doenças respiratórias sazonais – responsáveis pela maioria dos atendimentos – e o mapeamento e aquisição de leitos.

Em paralelo, a pasta afirmou que o Estado vem garantindo o atendimento a todos os catarinenses, seja por meio de compra de leitos na rede privada, seja por transferência para outras unidades de federação quando identificada a necessidade e viabilidade.

“Não estamos medindo esforços para qualificar ainda mais os atendimentos pediátricos. Nós, como Secretaria de Estado da Saúde, estamos debruçados sobre o tema. Hospitais já foram mapeados na busca de ampliar esses leitos à disposição”, explica o secretário Aldo Neto.

Vacinação

A secretaria também alertou sobre a importância da vacinação infantil contra a gripe (influenza). As crianças de 6 meses a 9 anos têm direito à dose no Sistema Público. No entanto, na campanha de vacinação deste ano, apenas 20,3% desse grupo foi imunizado até o momento em Santa Catarina.

“A vacinação é fundamental, precisamos urgentemente que os pais levem suas crianças para serem imunizadas. Além disso, é importante que os familiares estejam atentos as condições clínicas e as acompanhem até as unidades básicas de saúde. Se a criança for rapidamente diagnosticada e medicada, nós evitamos um agravamento do quadro e que ela venha a necessitar de uma UTI”, complementa o secretário.

Ampliações já em desenvolvimento

Nessa segunda-feira (16), o HIJG (Hospital Infantil Joana de Gusmão), de Florianópolis, também reativou nove leitos de internação. Nos próximos dias, serão mais quatro unidades. O espaço estava dedicado ao acolhimento de pacientes com Covid-19.

Com a reativação, a unidade abre espaço para receber crianças que chegam na Emergência com necessidade de internação. Nos últimos 30 dias, o HIJG já havia aberto outros oito leitos no intuito de minimizar a lotação das unidades de internação. .

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