Curados de Covid-19 já correspondem a 73,9% dos infectados na capital catarinense

Medidas voltadas à redução da curva de contágio e aumento na testagem contribuem também para que Florianópolis tenha a menor taxa de letalidade entre as capitais do país

Ampliação da testagem na cidade permitiu o direcionamento de recursos, não apenas financeiros, mas de equipamento e pessoal para garantir que quem realmente tem diagnóstico confirmado e precisa fique em isolamento – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Das 418 pessoas que tiveram o diagnóstico confirmado de Covid-19 em Florianópolis, 309 estavam curadas até essa quarta-feira (29).  Ou seja, apenas 109 pessoas ainda enfrentam a doença na cidade e apenas cinco óbitos foram registrados desde que surgiram os primeiros casos da doença na Capital. A maioria dos infectados têm entre 30 e 49 anos e são do sexo feminino (50,7%), já os homens representam 49,3% desta população. A cidade tem ainda a menor letalidade entre as capitais brasileiras: 1,19%.

Os dados precisos sobre a situação do novo coronavírus na cidade, a ampliação do monitoramento, a redução da curva de contágio e do impacto do vírus no município se devem a uma série de ações implementadas pela Prefeitura muito cedo, que foi pioneira na região e no Estado na determinação e no endurecimento de medidas de contenção da pandemia logo que os primeiros casos foram confirmados, no início de março deste ano. Ainda no dia 13 daquele mês, cancelou e adiou eventos públicos com aglomeração de pessoas e proibiu o uso do ar-condicionado nas escolas e no transporte coletivo.  Três dias depois, já suspendeu todas as aulas na rede de ensino da cidade e fechou museus, cinemas, teatros e bibliotecas da cidade.

Além das medidas voltadas ao isolamento social, ações como a obrigatoriedade do uso de máscaras no comércio e áreas ao ar livre em que há a prática de exercícios, a medição de temperatura no aeroporto, nos supermercados, hotéis, shoppings e templos também fazem a diferença, diariamente, no combate à Covid-19.

“Desde o princípio, adotamos as medidas que avaliamos serem necessárias para evitar a disseminação do vírus. Em primeiro lugar, preservamos a vida. E, diariamente, estudamos qual é a melhor forma de proteger a população nesse momento”, afirma o prefeito de Florianópolis.

A principal estratégia da prefeitura no momento para reduzir a disseminação do vírus será a ampliação de dados. O conjunto dessas informações a serem compiladas e analisadas servirá para a validação de um panorama mais amplo e preciso da situação da pandemia na Capital, chamado de Covidômetro.

Além do boletim básico relacionado ao número de casos suspeitos, descartados, confirmados e óbitos, o levantamento, que será feito de forma semanal, vai incluir a quantidade específica de casos suspeitos na última semana, de novos casos, taxa de letalidade, que é o cálculo da média de quantas pessoas que contraem o vírus e falecem, taxa de ocupação diária dos leitos convencionais e de UTI em Florianópolis e região.

Florianópolis é a primeira cidade do país a fazer  a fazer o controle por testes no Aeroporto Internacional Hercílio Luz – Jorge Borba/Divulgação/ND

Aumento na testagem auxilia combate à doença

Outra importante ação que permitiu o direcionamento de recursos, não apenas financeiros, mas de equipamento e pessoal para garantir que quem realmente tem diagnóstico confirmado e precisa fique em isolamento, assim como a correta vigilância dos casos, foi a ampliação da testagem na cidade, tanto por meio dos testes rápidos, quanto dos PCR. O primeiro, eficaz para a identificação da enfermidade a partir do 8 dia do contágio e o segundo, na identificação da doença e a carga viral nos primeiros sete dias.

A cidade de Florianópolis é ainda a primeira do país a fazer o controle por testes no Aeroporto Internacional Hercílio Luz e também a testar casos suspeitos e contatos de suspeitos na modalidade drive-thru. O alto número de testes tem permitido mais agilidade no isolamento de contaminados e na investigação de casos suspeitos.

Apenas o posto instalado em sistema drive-thru no Titri (Terminal de Integração da Trindade) realizou 1.039 testes rápidos até terça-feira (28). Destes, 90 tiveram diagnóstico positivo para a Covid-19. O infectologista Filipe Perini, membro do comitê de crise da Secretaria Municipal de Saúde, destaca que a instalação do drive-thru foi importante, pois possibilitou que os casos suspeitos pudessem ser testados até que os exames pudessem ser oferecidos nas unidades de saúde, o que hoje já é uma realidade. “Também estamos testando, no Titri, não apenas os casos que foram diagnosticados positivos, mas também os contatos dessas pessoas, que, caso tenham também o diagnóstico da Covid-19, já são encaminhados ao isolamento. E também testamos os profissionais de saúde para saber qual é a situação de cada um e se esse profissional pode voltar a trabalhar e não ser um potencial transmissor. Hoje, além do posto no terminal que faz os testes rápidos, todas as 49  unidades de saúde também já fazem a testagem do novo coronavírus, o que já facilita o acesso para as pessoas, pela proximidade”, explica o médico.

No entanto, de acordo com Perini, a orientação para quem suspeita de que possa ter contraído a Covid-19 e apresenta sintomas da doença ainda é a mesma: entrar em contato primeiro pelo Alô Saúde, onde os atendentes avaliam as demandas individualmente e encaminham o usuário ou para o teleatendimento com a equipe médica do serviço ou para o atendimento presencial, em uma unidade de saúde. “Desde o dia 16 de março deste ano, todas as unidades de saúde têm uma sala de sintomáticos respiratórios. Antes que isso fosse instituído em outros locais, já havíamos estabelecido nossas diretrizes para a organização dos postos   do município. Isso garantiu a biossegurança e os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) necessários para todas as unidades e profissionais”, esclarece.

Supermercados, shoppings, templos e hotéis da Capital precisam medir temperatura das pessoas antes que elas entrem nos estabelecimentos e edificações – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

 Monitoramento dos pacientes

A tecnologia também é aliada da prefeitura no monitoramento e combate ao coronavírus. O município já enviou 201 mil mensagens de SMS para pessoas que moram a até 200 m de alguém confirmado com coronavírus. As equipes de saúde também mantêm o monitoramento com as pessoas que testaram positivo para a Covid-19, para saber se estão bem e se mantêm o isolamento domiciliar.

O monitoramento ocorre quando a equipe vai até o local coletar o exame, por exemplo, e quando nos contatos telefônicos realizados com os pacientes é observado que a pessoa descumpriu o isolamento domiciliar. Nesse caso de descumprimento, a Vigilância Sanitária aplica multa de R$ 500.

Para a testagem a administração municipal comprou 35 mil testes, e comprará mais, dependendo da situação epidemiológica do município. Caso a população suspeite de quaisquer sintomas deve procurar o Alô Saúde Floripa pelo número 0800-333-3233.

Menor letalidade entre as capitais brasileiras

Com 414 casos confirmados por Coronavírus e cinco óbitos, a cidade de Florianópolis possui a menor letalidade entre as capitais brasileiras: 1,19%. Em Santa Catarina, a taxa sobe para 2,2% e no Brasil, a letalidade chega a 7% do total de casos confirmados. No Sul do Brasil, Curitiba tem uma letalidade de 3,91% e Porto Alegre 3,13%.

Para o prefeito de Florianópolis, a baixa letalidade em relação ao resto do país pode ter relação com vários fatores, mas dois se destacam: maior número de testes e vagas em leitos sobrando. “Os casos no Brasil e no mundo estão subnotificados. Então, quanto menos teste você faz, maior a sua taxa de letalidade. Se Florianópolis seguisse os procedimentos de outras cidades, de apenas testar suspeitos que estão hospitalizados, provavelmente teria a metade dos casos confirmados e o dobro de letalidade”, explica.

A explicação do prefeito leva em conta um cálculo matemático. Se a cidade tivesse testado menos e identificado, por exemplo, metade dos 414 casos atuais, seriam 207 confirmados com COVID-19 e 5 mortes. Neste caso, a Capital teria uma letalidade de 2,4%, e não os 1,2% atuais. “Esse é um dos fatores, e talvez o principal. Mas há diversos outros. Falta de leitos, por exemplo, com impossibilidade de atender doentes, inevitavelmente eleva a letalidade da doença. A baixa da nossa letalidade significa também que estamos com uma taxa menor de subnotificação em relação a outras cidades”, disse o prefeito.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

+

Prefeitura de Florianópolis