Marcos Cardoso

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Dermatologista alerta para os cuidados específicos que a pele negra exige

Embora a alta concentração de melanina e colágeno tragam um pouco mais de proteção, médica Ana Carolina Barreto lembra que a tendência à oleosidade e o surgimento de estrias merecem atenção especial

Nascida em Florianópolis, a médica Ana Carolina Barreto vem de família de médicos, compartilhando com o pai e os irmãos a mesma profissão. Depois de estudar por anos fora, voltou formada à terra natal e montou a própria clínica, a Casa Essenza, dedicada à saúde e beleza.

É graduada em medicina pela Unisul, fellow em dermatologia pelo Hospital da Universidade de Coimbra, com especialização em alergia e imunologia e dermatologia  na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Integra a Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) e a EADV (Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia).

E no mês em que se reforça a consciência negra, ela dá dicas de cuidados especiais, destacando a importância de manter em sua  equipe dermatologistas especializados em peles negras. E, ao contrário do que se possa pensar, lembra que o uso de filtro solar é indispensável sempre, independentemente da dosagem de melanina.

Dermatologista Ana Carolina Barreto destaca os cuidados que cada pessoa deve ter de acordo com seu tom de pele – Foto: Divulgação/ND

Entrevista

Ana Carolina Barreto

Na data em que lembramos dos direitos dos negros, não podemos deixar de lado a saúde. É verdade que a pele negra é mais resistente?

Homens e mulheres negros são privilegiados no quesito pele protegida. O alto índice de melanina e o colágeno são privilégios que a pele negra tem em relação aos demais tons de pele. Por isso, fica mais protegida do sol e, consequentemente, se mantém jovem por um período maior. Além da tonicidade e massa muscular que as pessoas negras têm, o que resulta em menos problemas com celulite e flacidez, para a alegria das mulheres.

E tem o envelhecimento protelado?
A pele negra fica mais elástica e resistente aos aspectos negativos do tempo, como linhas de expressão, rugas, flacidez e, até mesmo, celulite. Já a pele branca, está mais vulnerável aos efeitos da radiação solar, e, por isso, tende a desenvolver rugas e sofrer com o envelhecimento precocemente.

Isso significa que negros não precisam se cuidar tanto?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, ela necessita da mesma intensidade de cuidados que a pele branca. Apesar de ter a melanina como forte aliada na proteção contra agentes externos, a pele negra está mais sujeita ao surgimento de manchas, olheiras, oleosidade, acnes, queloides e foliculites.

Quais os tratamentos indicados?
A pele negra também se rompe com mais facilidade, então é preciso prevenir o surgimento de estrias. E ao pensar em procedimentos estéticos a laser, é preciso cuidado. Não é qualquer tipo de tratamento que a pele negra pode receber, muitos podem inclusive acarretar complicações, como manchas e cicatrizes difíceis de reverter.

Como identificar o melhor tratamento?

Para manter a pele negra saudável, primeiramente, é necessário passar por avaliação médica para que seja identificado o tipo de pele – se seca, mista ou oleosa. A partir daí, traçar uma rotina diária de higienização, hidratação e proteção. Os cuidados específicos devem ser mantidos tanto no verão como no inverno.

Quais seriam estes cuidados?
Para controlar a oleosidade e evitar o surgimento de manchas na pele negra tem alguns cuidados simples, que vão desde lavar o rosto ao menos uma vez ao dia, hidratar o corpo e a face todos os dias com hidratantes específicos para cada tipo de pele e esfoliá-los uma vez por semana para a retirada de células mortas. O uso diário de filtro solar é imprescindível, e deve ser aplicado duas ou três vezes ao dia.

E os procedimentos dermatológicos?
Além da rotina caseira de cuidados, existem procedimentos dermatológicos mais incisivos que podem tratar e garantir a saúde da pele negra. No caso de acne é possível tratar com o uso de peeling, microagulhamento e laser específico. Também existem métodos que ajudam na amenização da flacidez, é o caso do ultrassom microfocado, da radiofrequência e da aplicação de bioestimuladores de colágeno.