Descoberta de carne de cavalo ou mula em SC expõe riscos à saúde; veja sinais de alerta

Consumidor deve estar atento à origem e às condições da carne; armazenamento inadequado pode provocar intoxicação alimentar

A descoberta de mais de 500 kg de carne de cavalo ou mula em Santa Catarina, nesta quinta-feira (16), expõe os riscos à saúde. As carnes seriam moídas em um CTG e vendidas para o consumo humano, segundo apurado pela Polícia Civil.

Se a carne consumida não estiver sido armazenada em temperatura adequada, poderá provocar intoxicação alimentar  – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDSe a carne consumida não estiver sido armazenada em temperatura adequada, poderá provocar intoxicação alimentar  – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

Para entender quais os riscos e os sinais de alerta que indicam a qualidade da carne, o ND+ conversou com Cesar Damian, professor da disciplina de Tecnologia de Carnes e Derivados do Departamento de Ciências e Tecnologia de Alimentos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

De acordo com o professor, os riscos à saúde humana são grandes, uma vez que se trata de um produto perecível.

Se a carne consumida não estiver sido armazenada em temperatura adequada, poderá provocar intoxicação alimentar ou toxinfecção alimentar, que é a ingestão de alimentos contaminados por microrganismos patogênicos que produzirão toxinas no trato gastrointestinal.

Fique atento aos sinais

A primeira dica do professor é conhecer a origem do produto adquirido, que deve ter passado pelo serviço de inspeção. A fiscalização pode ser feita pelo município, Estado, através da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) ou governo federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Em seguida, o consumidor deve estar atento às condições físicas da carne, isto é, à aparência. O primeiro ponto a ser observado é a cor. “A cor é um ótimo indicativo da qualidade da carne associada a outros fatores como aroma e sabor. A cor é o cartão de visita da carne”, instrui.

Damian explica que a cor varia conforme a espécie e também o músculo. “Um pernil suíno, por exemplo, vai ter uma cor mais intensa do que um lombo. Depende da atividade física do músculo e da quantidade de mioglobina presente. Quanto mais mioglobina, mais vermelha é a carne”, explica.

A cor também indica o tempo de exposição da carne. Se exposta ao ar por muito tempo, a carne adquire um tom marrom pardo. O aroma e o sabor também se modificam com o tempo.

Quanto maior o período de tempo de exposição a uma temperatura elevada, maior são as alterações nas características físicas da carne. “A cor, o odor e o sabor vão indicar que não se trata de uma carne fresca”, acrescenta.

Armazenamento correto

Segundo o professor da UFSC, a refrigeração de carnes é muito importante por se tratar de um produto perecível. Em uma temperatura de 0 e 4 graus, a carne poderá ser guardado por, aproximadamente, uma semana desde que devidamente embalada. “A carne deve estar protegida para que não resseque dentro do refrigerador”, aponta.

Quanto menor a temperatura do local de armazenamento, menor é a atividade metabólica da carne. Isso aumenta a conservação da carne.

Atividade deve estar regulamentada

O professor explica que todo o animal destinado à produção de carne para alimentação humana deve estar regulamentado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O procedimento de abate deve ser fiscalizado por um profissional qualificado, que é o médico veterinário.

A carne remetida ao consumo humano deve seguir normas que vão desde a criação do animal. “Existe uma associação mundial de bem-estar animal que preconiza a metodologia de tratamento do animal da sua criação até o abate”, diz Cesar.

Mais de 500 kg de carne foram apreendidas em CTG na região Sul de Santa Catarina – Foto: Polícia Civil/Divulgação/NDMais de 500 kg de carne foram apreendidas em CTG na região Sul de Santa Catarina – Foto: Polícia Civil/Divulgação/ND

O estabelecimento que pratica o abate dos animais deve estar credenciado para tal seja pelo município, pelo Estado, através da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) ou pelo governo federal, por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cesar Damian destaca que o consumidor deve adquirir o produto em um estabelecimento de confiança.

“O consumidor deve estar atento à origem. Nos estabelecimentos, é importante observar a cor da carne. Na carne in natura não pode ser adicionado nenhum aditivo para melhorar a cor, então, ela tem que ser correspondente ao estado de frescor da carne”, reforça o professor.

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