Dia Nacional da Doação de Órgãos: saiba como um doador pode salvar muitas vidas

Após um período de queda ocasionada pela pandemia, Santa Catarina registrou uma recuperação expressiva no número de doações de órgãos e tecidos este ano

Santa Catarina é referência na doação de órgãos. Neste ano, foram mais de 700 órgãos doados. E uma simples resposta pode salvar a vida de várias pessoas.

Doação de órgãos cresce em SC no primeiro semestre de 2020 – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/SecomDoação de órgãos cresce em SC no primeiro semestre de 2020 – Foto: Mauricio Vieira/Arquivo/Secom

Quem olha o morador de Palhoça Pedro Pitta, aos 34 anos, levando uma vida normal, não imagina tudo pelo que ele passou. Antes de contar a própria história na internet, ele descobriu a diabetes com apenas 11 anos de idade.

De lá para cá, Pitta passou por muitas sessões de hemodiálise e por um transplante duplo de rins e pâncreas. Foram quatro meses de espera pelos novos órgãos e nove tentativas de compatibilidade. Até que na tentativa número dez, finalmente aconteceu.

“Eu cheguei na minha fase adulta com bastantes complicações. Em 2017, eu precisei entrar para a hemodiálise, onde eu tive o diagnóstico de falência dos meus rins. Eu fiquei doente renal e aí eu precisei entrar para a hemodiálise”, contou Pedro.

Na época da cirurgia, Pedro tinha 31 anos de idade. O seu doador tinha 28 anos. A legislação brasileira não permite que o nome de quem doa seja divulgado pelos órgãos de Saúde, mas o que se sabe é que a decisão de uma família, em um momento muito delicado, mudou uma vida.

“Eu imagino que ali, no leito da morte dele, o tamanho de sofrimento enorme e ela ao mesmo tempo, ela junto com a família decidiu prolongar a vida de outra pessoa. E essa outra pessoa fui eu”, disse Pitta.

Falar que uma resposta muda vidas, pode parecer exagero. Mas é por causa de tantas respostas “sim” que ao longo da história, Santa Catarina foi palco de milhares de cirurgias que transplantaram muito mais do que órgãos, mas uma nova vida a quem precisava.

De janeiro a agosto deste ano, foram mais de 320 transplantes de córneas no Estado. Além de 121 de esclera, 94 de rim e mais de 60 de fígado.

Rosângela Paródi, de 41 anos, está à espera de um fígado. Ela tem insuficiência hepática e faz tratamento há 4 anos, mas há 4 meses descobriu que a medicação não está mais fazendo efeito.

“Quando eu descobri do transplante, eu tive que passar por toda a equipe médica, por todos os médicos de cada especialidade do hospital e eu fui muito bem acolhida, eu fui muito bem informada. Todos conversavam comigo e isso foi me trazendo uma grande confiança. O certo medo que eu tinha sumiu”, revelou Rosângela.

A fila de espera exige paciência para suportar uma dor que é compartilhada por muitas pessoas. Em todo o Estado são mil 224 vidas à espera de um novo órgão. Por isso, quem aguarda ansiosamente lembra da importância dos doadores conversarem com suas famílias.

Rosângela pede que quem tem interesse em doar “converse com a família, pesquise, procure saber. É muito importante isso. Para mim, para as crianças que estão na fila, pros homens pras mulheres. Seja um doador. Salve vidas”.

Apesar de já ter conseguido fazer o transplante que precisava, Pitta também reforça o pedido: “Somente a sua família é que vai dar voz a esse ato tão nobre, a esse desejo tão lindo, que é de amor ao próximo, que é poder salvar a vida de alguém que muitas vezes a gente nem conhece. Somente eles que vão poder dizer sim por você. Então, seja para quem for, seja um doador”.

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