Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência reforça necessidade de inclusão

Aprimoramento de informações à população colabora para uma vida mais inclusiva e para que as pessoas com deficiências ocupem seu espaço na sociedade

Qualirede apoia Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência – Foto: Divulgação

Em 21 de setembro é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, que representa a busca por uma sociedade mais inclusiva, igualitária e solidária. Instituída apenas em 14 de julho de 2005, pela Lei Nº 11.133, a data já era lembrada desde 1982 por iniciativa de movimentos sociais.

Cotidianamente pessoas com deficiência enfrentam barreiras, e junto com seus familiares, seguem lutando por espaços mais inclusivos na sociedade. A pesquisa Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que mais de 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência, o que corresponde a 24% da população brasileira.

Para evitar a exclusão social, nada mais importante do que informação de qualidade. Diante disso, a Qualirede destaca a importância da qualificação de saúde às pessoas com deficiência, o aprimoramento de informações e um atendimento médico humanizado.

Informação é a maior aliada

De acordo com a psicóloga Paula Caldas, para favorecer a redução do estigma em relação às pessoas com deficiência a informação é a maior aliada. “Campanhas em meios de comunicação de massa, com linguagem acessível, é uma estratégia importante para esclarecer a população sobre as deficiências, bem como sensibilizá-los em relação aos cuidados e tratamento direcionados a essas pessoas”, afirma.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico tardio de uma deficiência pode prejudicar o desenvolvimento da pessoa na sociedade e fazer com que ela conviva com a deficiência sem entender do que se trata.

Milene Martinez, professora de Educação Física, explica que isso pode ocorrer quando o indivíduo, na fase da adolescência ou adulta, sente que não se encaixa na sociedade e percebe alguns sintomas e dificuldades no seu dia a dia. “Na maioria das vezes por conta própria, essas pessoas buscam ajuda de médicos e psicólogos a fim de entender o que se passa com eles”, afirma.

Acompanhamento desde o pré-natal

Para evitar que essas situações aconteçam, Paula explica que é muito importante o acompanhamento de saúde, tanto no pré-natal, quanto ao longo da infância e da vida da pessoa.

“O acompanhamento é de suma importância para a detecção precoce de quaisquer questões de saúde e direcionamento para o tratamento adequado. O quanto antes acontecer a orientação e acompanhamento adequados, menor será a angústia da pessoa com deficiência e seus familiares, além de proporcionar melhor prognóstico”, completa Paula Caldas, psicóloga da Qualirede.

Mas afinal, o que é deficiência e quais os tipos?

Segundo a lei Brasileira de Inclusão, a pessoa com deficiência é aquela que tem impedimento de longo prazo, seja de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Assim, esses impedimentos podem impedir a sua participação plena e efetiva na sociedade nas mesmas condições das demais pessoas.

Tipos de deficiência:

  • Deficiência Física, seja congênita ou adquiridas.
  • Deficiência Auditiva, perda parcial ou total da audição. Pode ser classificada em moderada, severa ou profunda.
  • Deficiência Visual, incluindo a cegueira ou perda parcial da visão.
  • Deficiência intelectual, limitação do indivíduo em responder às demandas da sociedade.
  • Deficiência múltipla, associação de duas ou mais deficiências.

As barreiras do preconceito

No Brasil, milhares de pessoas com algum tipo de deficiência são discriminadas nas comunidades em que vivem ou são excluídas do mercado de trabalho.

“O estigma da deficiência é grave, transformando as pessoas com deficiência visual, auditiva, físicas e mentais em seres incapazes, indefesos, sem direitos, sempre deixados para o segundo lugar”, aponta Milene.

O processo de exclusão social de pessoas com deficiência ou alguma necessidade especial é muito antigo. Para Milene, “A estrutura das sociedades, desde os seus primórdios, sempre impossibilitou os portadores de deficiência, deixando-os marginalizados e privados de liberdade. Sem respeito, sem atendimento, sem direitos, elas sempre foram alvo de atitudes preconceituosas e ações impiedosas.”

Ela também destaca que as deficiências físicas, tais como paralisias, ausência de visão ou de membros, causam assimilação mais intensa por terem maior visibilidade. Já a deficiência mental e a auditiva, são pouco percebidas pelas pessoas, mas causam mais estresse quando se toma entendimento da realidade.

Portanto, o acolhimento das diferenças ajuda no desenvolvimento da pessoa com deficiência na sociedade, seja no ambiente profissional ou social. Quando incluída, ela passa a ter participação efetiva e ocupar o seu espaço na sociedade. Uma sociedade igualitária deve ser construída em conjunto, e a luta pelos direitos da pessoa com deficiência deve ser abraçada por todos.

Falta de acessibilidade

Fazer compras, ir ao supermercado e ao médico são tarefas do dia a dia, mas que ainda podem ser muito difíceis para pessoas com deficiência pela falta de acessibilidade nos estabelecimentos.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015) assegura a autonomia e a capacidade dos cidadãos para exercerem atos da vida civil em condições de igualdade com as demais pessoas. Mas, na prática, ainda falta inclusão em muitos estabelecimentos para que todas as pessoas possam ter acesso aos serviços de forma igualitária.

“O que se vê são programas, propostas, projetos, leis e decretos com lindas siglas, que ficam, na maioria das vezes, somente no papel. É muito importante não somente a promoção da acessibilidade, mas também a melhoria dos transportes públicos e a conscientização da população no sentido de garantir o respeito a alguns direitos conquistados por pessoas com deficiência”, finaliza Milene Martinez.

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