“É lamentável esse tipo de posicionamento”, dispara Moisés contra vice-governadora

Daniela Cristina Reinehr (sem partido) expediu ofício ao governador com "preocupação com a lisura e transparência do processo", referindo-se ao hospital de campanha de Itajaí

O governador Carlos Moisés (PSL) categorizou a postura de sua vice-governadora como lamentável e não responsável, referindo-se aos questionamentos dos investimentos no hospital de campanha de Itajaí, da ordem de R$ 76,9 milhões.

Isso ocorreu após a vice-governadora Daniela Cristina Reinehr (sem partido) expedir ofício requerendo “lisura e transparência”, em comparativo com o modelo de hospital do Governo Federal, que custaria R$ 10 milhões. A reação de Moisés ocorreu em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (15).

A vice-governadora republicou postagem nas redes sociais da deputada Carla Zambelli (PSL) nesta terça (14), mas acabou deletando-a no dia seguinte. A postagem rotulava a atitude de “pedir cancelamento de contrato de hospital de R$ 135,86 milhões” como um “golaço”, e foi repudiada por Moisés. O valor em questão está em desacordo com os investimentos, e segundo a vice-governadora, este foi o motivo da remoção.

Segundo governador, investimentos no hospital de campanha serão para folha de pagamento e demais serviços – Foto: Mauricio Vieira/Governo de SC/Divulgação/ND

“É lamentável esse tipo de posicionamento, parece que tem em redes sociais também, de uma pessoa que detém um alto cargo no executivo estadual. Nós lamentamos, penso que é uma declaração não responsável inclusive por quem tem acesso às informações. Inclusive a vice-governadora participa do grupo de trabalho de enfrentamento a Covid-19, tem acesso às documentações, que são públicas”, disparou.

Moisés ainda fez questão de sinalizar, nova e indiretamente, sobre o caso em uma indagação sobre o montante de investimentos. “Penso que essas declarações têm que ser dadas com muita responsabilidade porque o governo trabalha com transparência e nós temos todo o interesse de colocar pra sociedade os valores, como foram construídos esses valores”.

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A explicação para o valor, segundo o governo, é que o hospital de campanha de Itajaí demandará investimentos em médicos, insumos e equipamentos, ao passo que o modelo do governo federal trata-se somente da instalação física.

Instalação custará R$ 600 mil

Na avaliação do chefe da Defesa Civil, João Batista Cordeiro Júnior, o valor da instalação do hospital de Itajaí ficará na ordem de, aproximadamente, R$ 600 mil reais.

Em nota à imprensa, a vice-governadora disse que “não podem pairar dúvidas sobre os contratos firmados”, cobrando transparência de Moisés. A distinção do valor com relação ao modelo do Governo Federal foi abordada em coletiva do Ministério da Saúde na última terça (13).

Segundo o secretário-executivo da pasta, João Gabbardo, “Teríamos que analisar os dois projetos e ver se o projeto de Santa Catarina tem alguma coisa adicional ao nosso em relação a equipamentos.[…] Nós podemos e devemos informar todos os custos relacionados ao nosso projeto, que custa R$ 10 milhões. Fica muito difícil fazer uma comparação, mas realmente chama atenção porque a diferença é muito significativa”.

No post da deputada Carla Zambelll foram citados R$ 135,86 milhões, contudo, o governo afirma que o valor global será de R$ 76,9 milhões. Destes, serão R$ 18 milhões na entrega, e R$ 58,9 milhões distribuídos em seis meses. O recurso, segundo o governo do Estado, vem do Tesouro Estadual e foi repassado ao Fundo Estadual de Saúde.

O hospital em questão deve possuir 100 leitos de UTI e ser construído em um pavilhão na Marejada. No orçamento, são R$ 18 milhões em 43 tipos de equipamentos e R$ 33,6 milhões em insumos.

O restante, R$ 22,2 milhões, irão para o pagamento de salários dos 450 profissionais que vão atender no hospital de campanha. Isso, além dos R$ 3 milhões com custos indiretos, como alimentação dos pacientes.

Confira a íntegra da nota da vice-governadora à imprensa:

Em razão da contestação e questionamentos já levantados, inclusive pela
mídia em geral, acerca da instalação do Hospital de Campanha em Itajaí e por
responsabilidade do cargo que ocupo, apresento aos catarinenses minhas
considerações, que visam acelerar a instalação de hospitais de emergência em
Santa Catarina, com integridade e transparência, visto que não se pode correr
o risco do contrato ser cancelado ou interrompido. Há grande preocupação
com a lisura e transparência do processo, evitando qualquer tipo de suspeição
que possa trazer sérias consequências, como a não efetivação do serviço.

Com esses objetivos, expedi ao Governador Ofício que, no seu bojo, apresenta
minhas preocupações com ações do Governo de Santa Catarina em momento
tão delicado. Os agentes da administração pública, são os responsáveis pelas
decisões atuais e serão julgados no presente e no futuro. E não podem pairar
dúvidas sobre os contratos firmados.

Os catarinenses não podem aguardar eventuais discussões quando
precisamos de atendimento emergencial, ainda mais quando se trata de uma
crise como esta e em havendo outras possibilidades. Cabe ao Governador, o
discernimento para atender da melhor maneira as necessidades que poderão
surgir nos próximos meses, trazendo transparência e celeridade em todos os
processos e segurança na execução dos contratos, não deixando pairar
dúvidas a respeito de diferenças com valores ou nos procedimentos ora
facilitados em razão da calamidade.

Daniela Reinehr
Vice-governadora de Santa Catarina

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