“É triste ver a falta de leitos”, diz esposo de mulher com Covid-19 transferida de Chapecó

A dona de casa Silce Massimo dos Santos, de 50 anos, foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva de hospital em São Miguel do Oeste

A dona de casa Silce Massimo dos Santos, de 50 anos, é uma das 85 pacientes com Covid-19 transferidos de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, para outros municípios. Ela foi levada no último sábado (6) para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, de São Miguel do Oeste, no Extremo-Oeste do Estado. 

Casal Claudecir e Silce foram positivados para Covid-19, mas apenas a esposa precisou de internação hospitalar e foi transferida para São Miguel do Oeste.O casal testou positivo para Covid-19, mas apenas Silce foi hospitalizada. – Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução/ND

Silce, que mora no bairro Líder, ficou entubada no pronto socorro do HRO (Hospital Regional do Oeste), desde a sexta-feira (5), enquanto aguardava a liberação de um leito. O esposo de Silce, Claudecir dos Santos, de 51 anos, também testou positivo para Covid-19, mas não precisou de internação hospitalar.

“Eu fiz o teste no dia 1º de fevereiro. Estava com bastante fraqueza e dores no corpo. Foi na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), realizei o teste e me deram três medicamentos para fazer o tratamento em casa. Graças a Deus melhorei, mas minha esposa precisou ser internada”, conta.

Primeiros sintomas foram leves

Segundo ele, Silce apresentou os mesmos sintomas, mas ao contrário dele não conseguia se alimentar direito, uma vez que não sentia o gosto dos alimentos. “Eu me forcei a comer e acho que isso me ajudou, mas ela não conseguia se alimentar direito. Na quinta-feira (4) a noite ela pediu para ir à UPA”, relembra. 

O casal chegou à Unidade de Pronto Atendimento por volta das 20h30 e por volta das 2h30 da madrugada, Claudecir recebeu a informação de que a esposa precisaria ficar internada. “Eles falaram que estavam aguardando uma ambulância para levá-la ao HRO. Na sexta de manhã voltei à UPA e fiquei sabendo que ela já estava no hospital”, disse.

Silce ficou em observação no Pronto Socorro do HRO, mas precisou ser entubada em decorrência da infecção do pulmão que se agravou. “No sábado de manhã a médica me ligou dizendo para que eu fosse ao hospital vê-la que eles iriam transferi-la para São Miguel do Oeste porque tinham conseguido um leito de UTI lá”. 

Ambulância do SAMU no aeroporto de Chapecó para transferir pacientes com Covid-19 com avião do corpo de bombeiros para outros municípiosSamu e Corpo de Bombeiros fazem as transferências dos pacientes de Chapecó para outros municípios do Estado – Reprodução CBMSC/Divulgação/ND

“É algo que te faz chorar”

Claudecir destaca a eficiência do trabalho da equipe médica, mas lamenta o descaso das pessoas que não estão se cuidando. Segundo ele, a equipe de saúde do HRO prestou todo apoio e atendimento à sua esposa, mas a superlotação do hospital preocupa.

“Eu entrei lá, vi minha esposa antes dela ser transferida e pude sentir na pele como está a situação. É algo que te faz chorar. É muito triste ver as pessoas sofrendo e não ter leito suficiente”, lamenta. 

De acordo com ele, os médicos estão fazendo o possível para atender os pacientes, mas enquanto não houver conscientização a situação vai continuar se agravando. “As pessoas que ficam se aglomerando deveriam entrar no hospital e ver como está lá. Esse vírus não é brincadeira, a coisa é séria”, observa.

Visita ameniza a saudade

Nesta quinta-feira (11), Claudecir e o filho Vitor Massimo dos Santos, de 18 anos, terão a oportunidade de visitar Silce em São Miguel do Oeste. “Recebemos uma ligação do hospital e nos informaram que amanhã podemos ver ela. Os médicos falaram que ela está reagindo bem ao tratamento, mas ainda há preocupação com a infecção do pulmão”. 

O filho Vitor, foi o primeiro a ter sintomas. Ele realizou o teste há cerca de 15 dias, mas ainda não obteve o resultado. “Me deram 8 dias de atestado e fiquei em isolamento, depois me liberaram para voltar às atividades normais. Na UPA me disseram para ligar para a prefeitura, mas ainda não tive retorno”, disse. 

Paciente sendo atendida em frente a ambulância do Samu. Ela está com Covid-19 e está em frente ao HRO recebendo atendimentoHospital Regional do Oeste está com leitos superlotados – Foto: NDTV/Reprodução

85 pacientes já foram transferidos

As transferências estão ocorrendo desde janeiro em decorrência da falta de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). 

De acordo com informações da Secretaria de Saúde, somente nesta terça-feira (9), cinco pacientes foram levados de Chapecó para outras cidades catarinenses. 

Os pacientes foram levados para hospitais de Xanxerê, Lages, Videira, Itajaí, Maravilha, São Miguel do Oeste, Concórdia, Caçador, Joaçaba, Xaxim, Palmitos, São Carlos, São Lourenço do Oeste e Navegantes. Apenas cidades de Santa Catarina. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Chapecó, nesta quarta-feira (10), três pacientes aguardavam leitos de UTI no HRO.  A unidade pública conta com apenas 35 vagas e todas estão ocupadas. 

Acesse e receba notícias de Chapecó e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Saúde