Luis Ernesto Lacombe

Opinião contundente sobre o cenário político brasileiro. Escreve todas as sextas-feiras


Em meio à pandemia, surge o Movimento Rosa

Iniciativa começou nesta quinta-feira (1º) e vai até primeiro de março do ano que vem; hospitais e clínicas particulares vão atender gratuitamente mulheres com mais de 40 anos em SC

É difícil não questionar as estatísticas de mortes provocadas pelo coronavírus. Quantas pessoas morreram com Covid-19, mas não morreram da doença? A dúvida é reforçada pela queda acentuada, este ano, no número de mortes por pneumonia, enfarte, AVC… Talvez nunca cheguemos à verdade. E dificilmente saberemos também o número de mortes provocadas não pelo coronavírus, mas em consequência das quarentenas pesadas que nos foram impostas e pelo medo, pelo pânico que desabou sobre grande parte da população do planeta.

Quanto tempo vamos viver os efeitos da paralisação do mundo? Seria indicado fazer um levantamento longo, por cinco, dez anos, das pessoas que foram atiradas à pobreza, que morreram ou morrerão de fome, sem acesso a remédios… Quantas pessoas perderam o emprego, ficaram sem plano de saúde e passaram a depender de serviços públicos, que nem sempre dão conta? Quantas serão levadas pela depressão, doença grave? O que a falta de exercício físico, de exposição ao sol ainda pode provocar?

Nessa loucura toda, o número de transplantes de órgãos caiu pela metade, e muita gente não tinha mais como esperar por um doador. Tratamentos importantes foram abandonados. Exames necessários não foram realizados. Quem vai contar as mortes provocadas por conta disso? Tenho certeza de que, se fosse possível fazer esse levantamento, infelizmente o número de óbitos seria ainda maior do que o de mortes oficialmente atribuídas à Covid-19.

As soluções equilibradas, multidisciplinares não podem jamais ser abandonadas. Se perdemos muita gente porque isso foi ignorado, temos, com o início de um novo mês, a chegada de uma nova chance, de uma nova esperança. E não será, pelo menos em Santa Catarina, por apenas um mês, o tal “Outubro Rosa”. Que bom, vai muito além disso, será um esforço de cinco meses!

A Sociedade Catarinense de Mastologia calcula que, este ano, 75% das mulheres deixaram de fazer os exames para prevenção do câncer de mama. Essa doença, se diagnosticada no início, tem 95% de chance de cura. Por isso, começou nesta quinta-feira (1º), primeiro de outubro, e vai até primeiro de março do ano que vem o “Movimento Rosa”. Hospitais e clínicas particulares vão atender gratuitamente mulheres com mais de 40 anos dos municípios da Grande Florianópolis, de Joinville, Blumenau, Chapecó, Lages, Itajaí, Criciúma, Tubarão e Mafra.

O foco são as mulheres de baixa renda, que poderão realizar de graça desde os exames até o tratamento completo do câncer de mama. Os exames já podem ser marcados, em horário comercial, pelo site movimentorosa.org.br. Precisamos salvar vidas! Então, faça a sua parte, não perca tempo, espalhe essa informação! Toda vida importa, agora, mais à frente, sempre.