Enquanto casos ativos diminuem, número de mortes por Covid-19 segue alto em Blumenau

Para especialistas ouvidos pelo ND+, variante brasileira tem ligação com atual perfil da pandemia na maior cidade do Vale do Itajaí

O número de casos ativos da Covid-19, ou seja, a quantidade de pessoas infectadas pela doença ao mesmo tempo, teve uma queda significativa nas últimas quatro semanas em Blumenau. No entanto, o número de mortes pelo vírus segue elevado.

Casos ativos de Covid-19 caem em Blumenau, mas número de mortes segue alto – Foto: Moisés Stuker/NDTV BlumenauCasos ativos de Covid-19 caem em Blumenau, mas número de mortes segue alto – Foto: Moisés Stuker/NDTV Blumenau

De acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, há um mês, entre os dias 21 e 27 de março, Blumenau registrou uma média de 1.426 casos ativos da doença, enquanto na última semana, entre os dias 11 e 17 de abril, a cidade teve média de 726 casos ativos.

A mesma redução, porém, não acontece com o número de óbitos. Entre 21 e 27 de março, 22 pessoas morreram por Covid-19 em Blumenau. Já na semana mais recente, entre os dias 11 e 17 de abril, o número de pessoas que perderam a vida para o vírus chegou a 20. (veja o gráfico abaixo)

Para entender o cenário da pandemia em Blumenau e projetar as próximas semanas o ND+ conversou com dois especialistas. Confira:

Variante brasileira é mais agressiva

De acordo com a médica infectologista Sabrina Sabino, uma das explicações para o número de mortes seguir elevado está justamente na cepa brasileira do coronavírus, a chamada P1. Segundo a especialista, além de ser mais transmissível, a nova variante também é mais agressiva.

“O coronavírus hoje é uma roleta russa, ele não está escolhendo se o paciente tem comorbidades, se é idoso, ou se é jovem, ele simplesmente, em algumas pessoas, tem uma apresentação mais grave”, explica Sabino.

Ainda segundo a especialista, por enquanto, a tendência é de que o número de óbitos não diminua, uma vez que o número de hospitalizações também segue elevado.

“A doença está se tornando mais agressiva. A gente percebe que o paciente piora entre o sétimo e décimo dia, o que leva esse paciente a procurar o hospital. E, realmente, a letalidade dela está aumentando”, diz.

Cepa brasileira da Covid-19, chamada de P1, é mais agressiva, dizem especialistas – Foto: Portal CorreioCepa brasileira da Covid-19, chamada de P1, é mais agressiva, dizem especialistas – Foto: Portal Correio

O médico infectologista Ricardo Freitas também acredita que a variante brasileira tenha relação com o aumento na taxa de mortes por coronavírus em Blumenau. Segundo ele, a última onda de contaminação elevou o tempo de internação dos pacientes em UTIs, o que gera um efeito retardatário.

“A média de tempo de morte tem ficado em torno de três semanas, ou seja, as pessoas que internaram há três semanas estão começando a falecer agora. Então o número de mortes aumenta, porque as pessoas morrem tardiamente.”, explica o especialista.

Com relação à queda no número de casos ativos, Freitas acredita em uma tendência até a próxima semana. “Depois é uma uma grande incógnita para mim, não consigo imaginar se isso vai se manter caindo ou se vai começar, lentamente, uma outra onda.”, diz.

Prefeitura não quis comentar

A reportagem do ND+ também buscou a avaliação da Secretaria Municipal de Saúde sobre a situação da pandemia em Blumenau, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.

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