Entenda as complicações causadas pelo coronavírus que podem levar à morte

Tromboembolia pulmonar, acidente vascular cerebral e insuficiência renal são algumas das situações apontadas por especialista

A morte do pequeno Samuel Miranda de Oliveira, de Gaspar, levantou uma discussão quanto às complicações causadas pela Covid-19. A dúvida é sobre o que determina se uma pessoa perdeu ou não a vida em virtude da infecção pelo novo coronavírus.

O garoto de apenas 12 anos teve o diagnóstico confirmado no início de julho, passou pelo período de isolamento e era considerado recuperado pelas autoridades. Porém, no começo de agosto, voltou a ter sintomas, foi levado ao hospital e morreu horas depois.

Samuel morreu no dia 6 de agosto (6), em Gaspar. – Foto: Arquivo pessoal/Divulgação/ND

O governo confirmou o óbito como Covid-19 e Samuel entrou para as estatísticas. Segundo a Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, não é um caso de reinfecção. A explicação é de que o coronavírus causou uma tromboembolia pulmonar no menino e isso o levou à morte. Logo, ele perdeu a vida porque tinha contraído o vírus.

“A gente tem visto que as manifestações em crianças, as manifestações graves, estão sendo tardias. É uma coisa que estamos descobrindo ao longo da pandemia. Então a criança pode ter o coronavírus diagnosticado em determinado tempo e certo período depois ela ter complicações causadas pelo vírus. O tromboembolismo é uma complicação da Covid-19”, diz a infectologista Lígia Castellon, da Secretaria de Estado da Saúde.

Infectologista Lígia Castellon explica as complicações da Covid-19 – Foto: Dive-SC/Divulgação/ND

Casos assim têm se tornado cada vez mais comuns, pontua a médica. Isso porque no decorrer dos últimos meses se percebeu que a doença não é apenas respiratória, como acreditava-se inicialmente. Ela é sistêmica. Ou seja: afeta todo o organismo, provoca alterações vasculares e neurológicas, por exemplo, que podem resultar em morte.

“A causa de óbito de uma pessoa que foi infectada pelo coronavírus não necessariamente é um quadro respiratório por si só, como uma pneumonia. A causa de óbito pode ser uma insuficiência renal que levou à falência de múltiplos órgãos. Pode ser um acidente vascular cerebral devido a trombos que se instalaram no cérebro. Tem várias outras coisas que podem acontecer provocadas pelo coronavírus, aponta Lígia.

Segundo a médica infectologista Sabrina Sabino, de Blumenau, não há como saber em quanto tempo o paciente infectado pode apresentar algum tipo de complicação. O comum é que ele evolua de forma mais grave no início da doença, precise de ajuda para respirar, ventilação mecânica e tenha as complicações de forma mais precoce. Entretanto, ela deixa um alerta:

“Não estamos isentos ao risco de um paciente com a forma leve ou modernada ter alguma complicação, principalmente de fenômenos tromboembólicos, que é o que estamos vendo, ou uma cascata inflamatória totalmente exacerbada daqui alguns dias, semanas ou até um mês”.

Comorbidades contribuem para desfecho do paciente

Por ser uma doença muito nova, com o primeiro registro no fim de 2019 na China, ainda não se sabe o motivo de a Covid-19 não se manifestar em algumas pessoas, aquelas chamadas de assintomáticas. Segundo a infectologista da Secretaria de Estado da Saúde, uma das possibilidades discutidas é quanto ao sistema de defesa do organismo de cada indivíduo.

Porém, é consenso entre as autoridades médicas que as doenças preexistentes podem contribuir para que o paciente diagnosticado como o novo coronavírus evolua com um quadro mais grave. Esse não era o caso do pequeno Samuel Miranda de Oliveira, vítima da Covid-19 aos 12 anos em plenas condições de saúde.

Mas em Santa Catarina, segundo o governo do Estado, as comorbidades estavam presentes na maioria dos casos que evoluíram para óbito.

A doença preexistente mais comum é cardiovascular crônica, identificada em 805 das 1637 mortes no Estado em decorrência do vírus. Na sequência aparece diabetes, registrada em 589 pessoas infectadas que evoluíram para óbito, e pressão alta, presente no histórico de 434 pacientes.

De acordo com a médica infectologista Sabrina Sabino, a comorbidade não é um fator decisivo para a Covid-19, mas a evolução pode ter um desfecho pior caso alguma outra doença esteja presente. Ela exemplifica:

“É só a gente entender um pouco o paciente obeso, com diabetes, também pressão alta descontrolada e ele tenha uma pneumonia bacteriana. Com certeza o caso dele vai ser muito mais grave do que um paciente hígido (saudável) e sem nenhuma sintomatologia”.

Médica infectologista atua na linha de frente de combate ao coronavírus em Blumenau – Foto: HSI/Divulgação/ND

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