Entenda as complicações de longas internações, como a de Paulo Gustavo

Médico intensivista explica que ficar internado por muito tempo requer um período maior de reabilitação do paciente; saiba mais

Quadros graves de Covid-19 costumam requerer um longo período de internação, como é o o caso do ator Paulo Gustavo, que está há um mês na UTI tratando complicações da doença.

Apesar de ser fundamental para que o paciente se recupere da infecção, uma longa internação tem suas implicações e exige um tempo de reabilitação maior.

UTIIntensivista tenta preservar os órgãos do paciente e fazer com que os sinais vitais que estão alterados voltem à normalidade. – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/ND

“O intensivista tenta preservar os órgãos do paciente e fazer com que os sinais vitais que estão alterados voltem à normalidade. Mas o tempo de internação é muito variável: quanto maior a quantidade de comorbidades, maiores são as chances de a pessoa evoluir com uma internação mais prolongada. O que temos visto agora, diferentemente do ano passado, é que pacientes mais jovens têm permanecido por um tempo maior em ventilação mecânica”, explica Nivaldo Filgueiras, cardiologista intensivista e presidente da Sociedade Norte e Nordeste de Cardiologia.

De acordo com o especialista, em um quadro de insuficiência respiratória, uma das manifestações agudas da Covid-19, o paciente precisa receber uma grande quantidade de sedativos e bloqueadores musculares, o chamado “kit intubação”, para que o equipamento de ventilação mecânica, que o auxiliará na respiração seja colocado de forma correta e o pulmão consiga se restabelecer de maneira segura.

Nesses casos, por permanecer muito tempo sedado, o paciente acaba sofrendo com a perda da força muscular.

“Não é possível tratar esse paciente sem a sedação adequada, então quando ele fica muito tempo em ventilação mecânica há uma incidência maior do que chamamos de polineuropatia do doente crítico, que seria essa inibição da força muscular que gera uma dificuldade motora, com fraqueza muscular”, explica.

Além disso, de acordo com Filgueiras, é comum que pacientes que ficam muito tempo intubados desenvolvam um quadro de pneumonia associada à ventilação mecânica.

“Isso não ocorre por causa da Covid-19, mas por uma bactéria. Quanto mais tempo o paciente estiver utilizando a ventilação mecânica, maior a chance de desenvolver a pneumonia. Infelizmente, não tem como evitar e, uma vez identificado o problema, é preciso tratar com o uso de antibióticos”, explica o médico.

Reabilitação

Pacientes que ficam internados por um longo período em UTIs precisam passar por um processo de reabilitação após a alta hospitalar e isso ocorre com a ajuda de uma equipe multidisciplinar, principalmente com o auxílio de fisioterapeutas que trabalham pela reabilitação motora e pulmonar do paciente.

“O médico faz o acompanhamento de possíveis sequelas que esse paciente pode ter. O fisioterapeuta ajuda na reabilitação, que pode ser de origem pulmonar, como também uma reabilitação do ponto de vista motor, quando o paciente desenvolve a polineuropatia”, diz Filgueiras.

O acompanhamento de um nutricionista é importante para que o paciente, após a alta, consiga recuperar a massa muscular perdida durante o período de sedação.

A ajuda psicológica, segundo ele, também é importante, seja com o auxílio de psicólogos ou psiquiatras, que auxiliam o paciente a lidar com o medo e a insegurança causada pela pandemia.

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