Entenda como uma pessoa morta ainda pode transmitir Covid-19

Médico pneumologista explica que vírus que contém a doença ainda sobrevive por algum tempo no corpo de pacientes

Foi registrado na Tailândia no dia 13 de abril deste ano o primeiro caso de infecção e morte por Covid-19 transmitida de um paciente morto a um médico legista. O caso então foi relatado na publicação especializada Journal of Forensic and Legal Medicine, que não informou o nome nem idade da vítima.

O médico Marcelo Suderio se prepara para atender um paciente. O uso de EPIs, durante consultas, é novidade – Foto: Flavio Tin/NDO médico Marcelo Suderio se prepara para atender um paciente. O uso de EPIs, durante consultas, é novidade – Foto: Flavio Tin/ND

Dessa forma, o médico pneumologista Elie Fiss, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que nesse caso específico, a contaminação provavelmente ocorreu devido a alguma falha no protocolo de higiene e manuseio do corpo durante a autópsia, que determinar então a causa da morte do paciente.

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“O vírus não morre com a pessoa. Ele sobrevive por algum tempo no corpo do paciente. No caso de doenças respiratórias agudas, os pulmões e outros órgãos podem ainda abrigar vírus vivos. Portanto, se ocorrer alguma falha no protocolo de higiene e manuseio do cadáver, o médico legista pode acabar sendo contaminado”, afirma Elie Fiss.

Risco de contaminação

Assim, além do médico legista, toda a equipe responsável pelo manejo do corpo após a morte também está exposta ao risco de contaminação. Por esse motivo, estes profissionais devem estar devidamente equipados.

Segundo o Ministério da Saúde, os EPIs recomendados para esses profissionais incluem gorro, óculos de proteção ou protetor facial, avental impermeável de manga comprida, máscara cirúrgica, luvas nitrílicas e botas impermeáveis. Os peritos devem seguir, ainda, um protocolo rígido de higiene e manuseio do cadáver.

Os familiares também devem seguir algumas recomendações. Em caso de óbito hospitalar, “sugere-se que não haja contato direto entre o familiar e o corpo, mantendo uma distância de dois metros. Quando houver necessidade de aproximação, a pessoa deve usar máscara cirúrgica, luvas e aventais de proteção. Sugere-se, ainda, que, a depender da estrutura existente, o reconhecimento do corpo possa ser por meio de fotografias, evitando contato ou exposição”, orienta o Ministério da Saúde.

Já em caso de óbito em domicílio, “os familiares deverão receber orientações para não manipularem os corpos e evitarem o contato direto.” Além disso, “os residentes com o falecido deverão receber orientações de desinfecção dos ambientes e objetos (uso de solução clorada 0,5% a 1%).”

Ainda segundo o Ministério, “os velórios e funerais de pacientes confirmados ou suspeitos da covid-19 não são recomendados durante os períodos de isolamento e quarentena”. Caso seja realizado, recomenda-se, entre outras coisas medidas, “manter a urna funerária fechada durante todo o velório e funeral, evitando qualquer contato (toque/beijo) com o corpo do falecido.”

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