Entenda movimentação da Fecam para garantir a vacina da Covid-19 para SC

Federação dos Municípios busca assinatura do protocolo de intenção, que dá preferência às cidades do Estado na aquisição da Coronavac

A Fecam (Federação Catarinense dos Municípios) quer garantir o acesso dos municípios catarinenses a um imunizante contra a Covid-19. A assinatura do protocolo de intenção, que dá preferência aos municípios do Estado na aquisição da Coronavac, deve acontecer em breve.

Vacina Coronavac é a aposta da Fecam para imunizar população catarinense – Foto: Jacqueline Lisboa/Metrópoles/NDVacina Coronavac é a aposta da Fecam para imunizar população catarinense – Foto: Jacqueline Lisboa/Metrópoles/ND

A entidade espera alinhar as agendas do presidente da Fecam, da equipe técnica e do governo de São Paulo ainda esta semana.

A Federação quer garantir que o Instituto Butantan considere o fornecimento da Coronavac aos municípios catarinenses, quando a vacina for autorizada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Em entrevista, o presidente da entidade, Paulo Roberto Weiss (PT), que é prefeito de Rodeio, disse que as autoridades não podem permanecer somente com medidas restritivas e medidas sanitárias.

Acesso rápido à vacina

De acordo com a Fecam, as tratativas com o governo de São Paulo iniciaram há cerca de três semanas. A entidade informou que, em tempos de pandemia, existe a necessidade de se buscar a imunização de forma rápida.

Com opções de vacina em fase final de pesquisa, o objetivo da Fecam é que os municípios tenham agilidade no acesso e demonstrem interesse na imunização, se não de toda a população, daqueles que integram grupos de risco para a Covid-19.

A intenção é ainda garantir um protocolo que indique que Santa Catarina tem interesse na vacina Coronavac, desde que devidamente aprovada.

Registro em janeiro

O secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, anunciou nesta segunda-feira (23), que a análise da eficácia da Coronavac já está sendo calculada. De acordo com informações do Metrópoles, a partir da  conclusão desta etapa, o pedido de registro pode ser feito à Anvisa.

O cálculo de eficácia depende da infecção pelo novo coronavírus de 61 voluntários na fase 3 de testes, para averiguar quantos tomaram a vacina e quantos receberam o placebo.

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o número foi atingido na semana passada.

A conclusão dessa etapa deve ser finalizada na primeira semana de dezembro. O próximo passo é o envio dos dados à Anvisa com o pedido de registro oficial. A expectativa do governo paulista é que seguindo este cronograma a vacina seja aprovada em janeiro de 2021.

Movimentação dos municípios

O ND+ entrou em contato com municípios para saber quais os planos referentes à imunização da população contra a Covid-19. Confira:

Florianópolis garante recursos

No final de outubro, a Prefeitura de Florianópolis encaminhou à Câmara de Vereadores uma emenda que destina R$ 20 milhões do orçamento municipal de 2021 para a compra de doses da vacina contra a Covid-19 – logo que tiver liberação pelo Ministério da Saúde e Anvisa.

O objetivo do pedido é garantir que a população da cidade tenha imunização contra a doença assim que a vacina tiver liberação do Ministério da Saúde e Anvisa. A prefeitura informou ainda que aguarda os avanços nas pesquisas dos imunizantes.

Joinville prevê R$ 100 milhões em orçamento

O secretário de Saúde de Joinville, no Norte do Estado, informou nesta segunda-feira (23), que já está previsto, em orçamento, R$ 100 milhões em recursos para compra de vacinas para o novo coronavírus no próximo ano.

Porém, ainda não há informações de como a compra vai ocorrer: se diretamente com os laboratórios ou por meio de importação.

“Atualmente estamos em contato com três laboratórios que estão com a vacina em fase 3. Entre elas, a que está em desenvolvimento no Instituto Butantan. Porém, essa compra só vai evoluir quando tivermos uma vacina liberada e aprovada pelos órgãos sanitários”, explica.

O objetivo, quando aprovada, é que toda a população de Joinville receba a imunização.

Blumenau tem interesse na Coronavac

Como membro da Fecam, a prefeitura do município de Blumenau informou que tem interesse em receber as doses da vacina Coronavac, assim que estiver disponível.

“O Estado possui orçamento especifico para esta finalidade e é preciso que, no momento em que surgir a oportunidade de adquirir a vacina as prefeituras e os governos estejam alinhados para manter a organização do programa de imunização”, disse a prefeitura, por meio da assessoria.

Criciúma aguarda Ministério da Saúde 

O Ministério da Saúde anunciou no domingo (24) que deverá assinar uma carta de intenção não-vinculante com cinco laboratórios. Entre eles está o Janssen, vinculado a Johnson & Johnson, que realiza testes com voluntários catarinenses.

A carta é um instrumento “para permitir uma futura aquisição de doses”. Contudo, a compra deve ser feita somente após cumpridos os protocolos de segurança.

Em Santa Catarina, os testes acontecem em Criciúma, município localizado no Sul do Estado. Mesmo com o estudo da vacina em andamento, não há planos para aquisição das doses. Segundo o secretário de saúde, Acélio Casagrande, a pasta aguarda um movimento do Ministério da Saúde.

O secretário disse apoiar a ação da Fecam, a qual classificou como interessante. Ele informou haver uma articulação junto ao prefeito para reservar no orçamento de 2021 um montante para a compra de doses e de equipamentos para a aplicação da vacina.

No entanto, Casagrande informou que ainda não existe um valor exato. “Não tem valor até porque não se sabe o valor da vacina”, afirmou.

Os testes são feitos no Hospital São José. Cerca de 300 voluntários realizaram um pré-cadastro e parte do grupo já começou a receber doses da vacina ou de placebo. Eles serão acompanhados por dois anos.

Um dos responsáveis pela coordenação da pesquisa, o médico Felipe Dal Pizzol, afirmou que o contrato feito com a empresa não prevê a aquisição de doses da vacina.

Segundo Pizzol, a movimentação do Ministério da Saúde, a priori, não muda nada no estudo.

Em fase três — etapa que mede a eficácia e segurança — a vacina da Johnson & Johnson usa um adenovírus modificado para induzir o sistema imune a se proteger contra o novo coronavírus.

Ao todo, quatro vacinas têm autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a realização de testes no país.

Duas delas — Oxford e Coronavac — têm acordos para a transferência de tecnologia, algo importante para que a produção da vacina seja completamente internalizada e se torne nacional.

Oeste de SC

A prefeitura de Xanxerê informou que o plano de imunização do município será discutido assim que um novo nome for definido para assumir a Secretaria Municipal de Saúde. A então secretária, Irene Goralski, pediu exoneração do cargo na última sexta-feira (20).

O município de São Miguel do Oeste disse que a gestão da pandemia será avaliada em reunião no Comitê Regional de Crise do Coronavírus. A prefeitura de Concórdia informou que está em contato direto com a Fecam para viabilizar a aquisição de doses da vacina “o mais rápido possível”.

O Executivo municipal informou ainda que, como não há uma definição de quantas vacinas serão disponibilizadas, decisões como distribuição e grupos prioritários, serão determinadas posteriormente. Assim como Concórdia, a cidade de Chapecó também segue a movimentação da Fecam.

Estado alinhado com Ministério da Saúde

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) informou que está alinhada ao PNI (Plano Nacional de Imunização) do Ministério da Saúde, que definirá quais vacinas serão disponibilizadas, após chancela da Anvisa, e quais serão as prioridades para imunização.

O órgão estadual disse ainda que já está preparando a logística com o redimensionamento da rede de frios, uma vez que algumas vacinas podem precisar de temperaturas de até menos 40 graus.

Além disso, realiza o mapeamento dos locais para vacinação (unidades básicas de saúde e salas de vacina) em parceria com municípios e o reforço do treinamento das equipes de vacinadores.

Em entrevista ao jornalista Paulo Alceu, exibida nesta segunda-feira no ND Notícias, a governadora interina Daniela Reinehr reiterou a posição da SES.

“A gente tem reservas para fazer as compras das medicações necessárias das campanhas futuras. Mas nosso posicionamento é aguardar o Ministério da Saúde, que vai definir através da Anvisa qual o melhor procedimento e qual será a melhor campanha”, disse.

Reinehr afirmou ainda que tem o governo tem acompanhado de perto a movimentação sobre as vacinas para seguir o protocolo nacional.

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