Entenda porque os termômetros com infravermelhos não causam danos ao cérebro

A luz utilizada nos termômetros tem baixa potência e não é capaz de emitir calor suficiente para atingir o cérebro e nem ultrapassar as camadas da pele

Circularam na internet, nas últimas semanas, notícias falsas alertando que os termômetros, utilizados com frequência durante a pandemia da Covid-19 para medir temperatura e evitar o contágio, estariam causando danos ao cérebro por conta do infravermelho.

O aparelho se tornou comum desde o início da pandemia. Usado como uma das formas de prevenção, o instrumento é visto, geralmente, na entrada dos estabelecimentos que o utilizam para evitar que alguém com febre entre e corra o risco de estar com o vírus e contaminar outras pessoas.

Entenda porque os termômetros com infravermelhos não causam danos ao cérebro – Foto: Diane Bikel/ND

De acordo com o físico e especialista em instrumentação e ciências técnicas, Saulo Guths, professor e pesquisador da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a luz utilizada nos termômetros tem baixa potência e não é capaz de emitir calor suficiente para atingir o cérebro e nem ultrapassar as camadas da pele.

O termômetro

O termômetro já utilizado em outras pandemias, emite uma luz vermelha ao ser apontado. Segundo o pesquisador, o aparelho apenas recebe radiação e não é capaz de emitir nada. “O calor que o nosso corpo emite faz com que ele consiga prever a temperatura exata”, explica.

Professor da UFSC durante a explicação. – Foto: Diane Bikel/ND

Antigamente a luz vermelha não era comum nos termômetros. O professor explica que ela foi desenvolvida a fim de indicar para onde está se apontando. “Serve de auxílio”, diz.

Guths ainda indica para as pessoas que tem medo, que peçam ao atendente para que coloque o dedo em cima do led. “Ou até uma fita isolante, o aparelho vai continuar medindo e não terá mais luz”, comenta.

Geralmente apontado para a testa ou para o pulso, o termômetro funciona com uma bateria simples, que não é capaz de esquentar o led. “É a mesma luz usada em enfeites de Natal”, compara.

Aparelho não causa danos ao cérebro

As fake news espalhadas recentemente informam que a luz emitida pelos termômetros prejudica a glândula pineal, localizada na região medial e posterior do cérebro.

“Não existe nenhum artigo científico que comprove qualquer correlação do o termômetro com alguma parte do cérebro”, explica a neurologista. – Foto: Divulgação/Melina More Bertotti

De acordo com a neurologista Melina More Bertotti a informação é falsa. “Não existe nenhum artigo científico que comprove qualquer correlação do o termômetro com alguma parte do cérebro”, explica.

Neurologista diz que as notícias são falsas. – Foto: Melina More Bertotti/Divulgação/ND

“As pessoas já estão expostas a raios infravermelhos”, diz Melina ao citar os raios solares e os controles de televisão que utilizam o mesmo mecanismo do aparelho medidor.

“A glândula pineal produz melatonina além de ser responsável pelo ciclo circadiano, o ciclo do sono”, diz.

A neurologista ainda explica que na ausência de luz, a glândula vai produzir mais melatonina, o que causará mais sono.

Foto de explicação da neurologista Melina. – Foto: Melina More Bertotti/Divulgação/ND

“A informação de que essa luz causa danos, é falsa. Anatomicamente, a luz emitida pelo aparelho não chega até a glândula. A medição é muito rápida”, complementa.

Sobre a entrada de luz pelos olhos, o pesquisador da UFSC explica que a intensidade é fraca.

“Como você olhar para o sol rapidamente, não é bom, claro, mas não tem potencial para causar danos graves”, explica.

“É diferente de um laser que corta metal por exemplo, as ondas que ele emite são muitos mais fortes e podem sim causar danos, a luz do termômetro não”, complementa.

O medidor não pode ser a única forma de prevenção

A OMS (Organização Mundial da Saúde) salientou durante a pandemia que é importante aderir à todos os meios de prevenção.

“A medição de temperatura na saída ou na entrada, como medida isolada, provavelmente será apenas parcialmente eficaz para identificação de indivíduos infectados, já que estes podem estar no período de incubação, não apresentar nenhum sintoma aparente nos estágios iniciais da doença, ou mesmo disfarçar a febre usando medicamentos antipiréticos”, declarou a organização em artigo publicado em julho.

O pesquisador da UFSC também falou sobre isso ao relembrar que maquiagens, cremes hidratantes ou qualquer outro produto não influenciam na medição.

“Existem as pessoas assintomáticas, então provavelmente elas não terão febre e nem se sabe ainda em que estágio da doença esse sintoma aparece”, comenta.

“As pessoas podem ter tomado algum remédio e a febre ter passado, é importante utilizar dos outros meios de prevenção como a máscara por exemplo, um dos equipamentos mais eficaz”, complementa.

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