Estou com sinusite, ou tenho sinusite? Saiba a resposta definitiva

Especialista explica sobre a doença e seus sintomas, para tirar suas dúvidas

Sinusite pode ser tratada e tem cura – Foto: DivulgaçãoSinusite pode ser tratada e tem cura – Foto: Divulgação

A sinusite é uma das doenças mais prevalentes na prática diária do médico otorrinolaringologista. Quase todas as pessoas já tiveram pelo menos uma crise ao longo da vida. Mas mesmo sendo tão comum, a sinusite ainda é um assunto que desperta muitas dúvidas e confusão por parte dos pacientes.

“As principais razões para isso são a grande variabilidade de sintomas que a sinusite pode apresentar, e também a sobreposição de sintomas com outras patologias. Neste artigo tentaremos simplificar o conceito de sinusite”, afirma Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa, médico  Otorrinolaringologista.

O que são os seios da face?

Explica o médico que os seios da face (também conhecidos como seios paranasais), são cavidades preenchidas por ar, que estão situadas dentro de alguns ossos do esqueleto facial.

“As funções exatas dos seios paranasais ainda são motivo de controvérsia, mas algumas delas estão bem estabelecidas. Em primeiro lugar, os seios da face são revestidos por uma membrana mucosa (semelhante às cavidades nasais), na qual é produzido muco, que é transportado para as fossas nasais para promover o bom funcionamento das mesmas e permitir uma adequada umidificação e filtragem do ar”, esclarece Dr. Guilherme.

“Em segundo lugar, os seios da face têm uma função protetora de estruturas nobres vizinhas, tais como globo ocular e lobo frontal do cérebro. Uma terceira função é a de contribuir para um menor peso da cabeça como um todo; se não houvesse essas cavidades com ar dentro, os ossos faciais seriam muito mais pesados, o que causaria grande sobrecarga muscular cervical na sustentação contínua da cabeça. E uma última função seria a de serem uma caixa de ressonância sonora natural, auxiliando na emissão do som produzido pela voz humana”, explica o médico.

Os seios da face se comunicam com as cavidades nasais por meio de pequenas passagens, muitas vezes com menos de um milímetro de diâmetro, chamadas de óstios de drenagem.

Mas afinal, o que é a sinusite?

A sinusite é a inflamação da mucosa dos seios paranasais, e pode ocorrer por diversas razões. “A mais comum é decorrente do excesso de produção de muco que normalmente ocorre durante um processo viral (gripes ou resfriados), ou processos alérgicos exacerbados (rinite alérgica) ”, segue Dr. Guilherme.

“Dependendo da quantidade de secreção de muco, os orifícios naturais de drenagem dos seios paranasais podem não ser capazes de eliminá-lo completamente, causando retenção do mesmo dentro das cavidades. Esse muco estagnado pode facilmente ser infectado, ou seja, pode ocorrer o crescimento bacteriano no mesmo, gerando uma sinusite”, diz.

Outra razão bastante comum para a ocorrência de sinusites é devido a um fator anatômico que cause um bloqueio, parcial ou total, dos óstios de drenagem dos seios da face. Desvios de septo nasal, hipertrofia de cornetos nasais, pólipos nasais, ou mesmo tumores podem ocasionar esses bloqueios, causando sinusites de repetição. Muitas vezes, os próprios óstios de drenagem não se desenvolvem corretamente durante o crescimento, e são demasiadamente estreitos para uma correta drenagem do muco, também podendo causar sinusites.

Quais os sintomas?

Um dos motivos de tanta confusão a respeito da sinusite é a grande variabilidade de sintomas. São mais de dez sintomas possíveis, tais como:

  • Obstrução nasal
  • Secreção nasal amarelada ou esverdeada
  • Gotejamento pós-nasal (aquele muco que desce para a garganta)
  • Dor de cabeça
  • Dor na face
  • Pressão facial
  • Perda de olfato
  • Sensação de mau-cheiro no nariz
  • Tosse
  • Mal-estar
  • Febre
  • Cansaço
  • Perda de energia
  • Irritação na garganta
  • Sensação de ouvido tapado, dentre outros.

“Com tantos sintomas para uma mesma doença, não é de se admirar que haja tanta confusão por parte das pessoas. E além disso, muitos destes sintomas são comuns a outras condições”, pondera Dr. Guilherme Guerra.

Mas ele explica que, apesar desta grande variabilidade sintomática, a apresentação clássica de uma sinusite, ocorrendo em boa parte dos casos, é como se fosse um resfriado ou uma gripe mal curada, que não está melhorando após 7 a 10 dias de instalação.

“A coriza, que antes era clara e aquosa, vai se tornando progressivamente mais espessa e amarelada. Pode haver obstrução nasal e sensação de peso na face ou dor de cabeça.  O olfato fica diminuído, e vai se instalando um quadro sutil de indisposição e baixa energia”, esclarece o médico.

Tenho sinusite ou estou com sinusite?

Talvez essa seja uma das maiores dúvidas dos pacientes. Após um episódio de sinusite, a pessoa se sente “rotulada”, e sempre que perguntada, dirá que tem sinusite.

“Na verdade, a maioria das sinusites tem uma resolução completa, ou seja, o processo inflamatório desaparece por completo, e a mucosa de revestimento dos seios da face retorna a seu estado normal. Esses são os casos de sinusite aguda, e geralmente apresentam uma duração de até 12 semanas. Ou seja, nestes casos, o paciente não “tem” sinusite, e sim “está” com uma sinusite”, afirma o especialista.

 É preciso tratar a sinusite

O grande problema ocorre quando uma sinusite aguda comum não é tratada corretamente, e o processo se estende por mais tempo. Nestes casos, a inflamação pode ser mais rebelde ao tratamento, e em alguns casos pode persistir por períodos maiores, ocasionando a sinusite crônica, na qual existe um processo inflamatório persistente na mucosa dos seios da face.

“Esse processo persistente pode ter períodos de maior agudização (ou seja, de piora), e períodos estáveis, durante os quais o paciente pode apresentar poucos sintomas (por exemplo, somente uma sensação de muco descendo na garganta). Mas mesmo nestes períodos de estabilidade, a inflamação na mucosa dos seios não chega a zero, sempre existindo em algum grau. Aí sim podemos dizer que o paciente “tem” sinusite. Felizmente, boa parte das sinusites agudas evolui positivamente e não chega a atingir a cronicidade”.

Como é o tratamento?

O tratamento da sinusite vai envolver a resolução da crise em si, e a prevenção para que novas crises não ocorram. O tratamento da crise pode consistir em medicamentos via oral tais como antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos e descongestionantes sistêmicos, e também medicamentos tópicos nasais.

Em relação à prevenção de futuras crises, muitas vezes é necessário o tratamento de condições de base que possam favorecer o aparecimento da sinusite, tais como a rinite alérgica, ou mesmo fortalecer a imunidade, para que não ocorram tantos resfriados ou quadros gripais, que podem acabar evoluindo para a sinusite.

“Em alguns casos de alterações anatômicas, ou em casos que não estejam melhorando a despeito do tratamento, pode ser considerada a intervenção cirúrgica para drenagem e ventilação dos seios da face. Como cada organismo é único e não existe uma “receita de bolo” pronta a ser usada em qualquer caso, é sempre recomendável que um médico especialista no assunto seja consultado para que o melhor tratamento seja instituído”, orienta Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa.

Dr. Guilherme Guerra Orcesi da Costa

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