Exclusivo: NDTV Joinville entra em uma UTI Covid e mostra a luta pela vida

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Série de reportagens impactantes e reveladoras mostra o medo, os desafios, o trabalho incansável dos profissionais de saúde e a esperança

Como derrotar um inimigo que não conseguimos ver? Inimigo que, além de invisível, é veloz e perigoso. A pandemia do novo coronavírus mudou drasticamente a vida de todos, mas enquanto aqui fora aprendemos a conviver com o novo normal, dentro de um hospital a realidade é outra. 

Para mostrar um pouco da luta diária pela vida em meio à pandemia, a NDTV Record Joinville entrou em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi a primeira emissora de televisão a entrar em uma UTI Covid em Joinville e mostrar a rotina e os desafios da equipe médica.

uti covid

Uma série de reportagens impactantes e reveladoras do repórter Maikon Costa que será exibida em três dias no programa Balanço Geral e Portal ND+.

A batalha tem sido longa, cheia de dúvidas e muitos desafios. Dentro do hospital, profissionais se desdobram e não medem esforços para salvar cada pessoa que entra pela porta da unidade. 

“Quando entrei aqui, há 20 anos, nunca imaginei passar por uma situação dessas. Muito medo no início, não sabíamos como o paciente ia desenvolver a doença, o risco de contaminação, isolamento, paramentação, ainda não tinha vacina”, testemunha o médico e coordenador da UTI do Hospital Dona Helena, Pierre Otaviano Barbosa.

Pierre Otaviano Barbosa, coordenador da UTI do Hospital Dona Helena – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDPierre Otaviano Barbosa, coordenador da UTI do Hospital Dona Helena – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

“O desafio no início foi preparar as equipes na questão mental. Apesar de todo o cuidado, de usarmos todos os equipamentos de proteção necessários, existia muita insegurança da equipe quanto ao contágio, pois se tratava de algo muito novo e com índice de letalidade importante”, corrobora a enfermeira Sarah Lima dos Santos.

Enfermeira Sarah Lima dos Santos fala sobre os desafios no início da pandemia. – Foto: Reprodução vídeoEnfermeira Sarah Lima dos Santos fala sobre os desafios no início da pandemia. – Foto: Reprodução vídeo

Para a psicóloga Kethe de Oliveira Souza, o desafio também foi atender a tantos pacientes ao mesmo tempo e lidar com a uma dor coletiva: do paciente, da família e da equipe de trabalho. Ela também confessa que sentiu medo, medo de desconhecido, pensando que a qualquer momento poderia ser acometida pela doença ou algum familiar. “Foi pesado. Como seria o dia de amanhã”, questionava-se.

“Mas, ao mesmo tempo, descobrir que, diante desse cenário de guerra, foi possível criar formas de lidar com tudo isso da melhor maneira possível”, complementa Kethe.

Trabalho incansável das equipes merece todo o reconhecimento. – Foto: Reprodução TVTrabalho incansável das equipes merece todo o reconhecimento. – Foto: Reprodução TV

A pesada rotina da linha de frente

Profissionais que lutam dia e noite; a difícil jornada que trouxe experiência, medo e esperança.  

Mesmo acostumado com situações estressantes, o médico Pierre Otaviano Barbosa conta que, na época da H1N1, que também gerou bastante trabalho, o hospital tinha 30% do movimento que tem atualmente.

“Hoje em dia temos uma quantidade absurda de pacientes sem doença associada, pacientes jovens, principalmente nessa segunda onda de Covid-19. E isso trouxe um estresse muito grande, especialmente com relação à carga de trabalho”, expõe Barbosa, frisando que a equipe teve de se desdobrar e uma nova UTI teve de ser aberta. 

Zelo da equipe que se reveza 24 horas dentro de um hospital. – Foto: Reprodução TVZelo da equipe que se reveza 24 horas dentro de um hospital. – Foto: Reprodução TV

“Como filha e como mãe, eu não posso levar esse problema para casa. Tenho que saber que minha assistência aos pacientes, tudo o que damos aos pacientes não pode comprometer a minha família”, explica a enfermeira Sarah Lima dos Santos.

O retrato do colapso no sistema de saúde, estrangulado pela procura gigantesca de atendimento deixou a rotina ainda mais pesada. 

“Foi preciso muito equilíbrio para administrar a tensão constante da equipe com medo da contaminação. No começo, fui muito difícil”, reforça o coordenador da UTI, Pierre Otaviano Barbosa.

A enfermeira Sarah, por exemplo, não esquece do dia em que internou uma paciente bem jovem, sem comorbidade, em estado grave.

“A princípio, achávamos que só pessoas com comorbidade estariam vulneráveis ao novo coronavírus. Depois, passamos a entender que não”, acrescenta Sarah, lembrando que muitos plantões mexeram com o seu emocional.

Como não se abalar? Impossível ser indiferente diante de tanto sofrimento. Salvar vidas deixou de ser um desafio e passou a ser um compromisso com a sociedade.

“Foi quando o abraço, quando o estar junto ficaram tão importantes e, infelizmente, em muitas situações não puderam acontecer”, finaliza a profissional.

Na segunda reportagem especial da série, que vai ao ar nesta quinta-feira (27), mais impacto: as reações à morte.

*Reportagem de Maikon Costa, NDTV Joinville