Suicídio é apontado como provável causa da morte de voluntário da CoronaVac

Após Anvisa suspender testes em razão do óbito e farmacêutica declarar segurança no imunizante, secretaria de saúde de SP diz ser "impossível" que morte tenha relação com a vacina

A causa provável da morte do voluntário da vacina CoronaVac foi suicídio, conforme a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, em apuração do Estadão. A informação foi confirmada também por fontes familiarizados com o caso, segundo o jornal.

Após a Anvisa suspender os testes da CoronaVac no Brasil em decorrência de um “evento adverso grave”, a companhia farmacêutica chinesa Sinovac defendeu, nesta terça-feira (10), a segurança da vacina contra a Covid-19.

Anvisa revisa dados de mais uma vacina contra a Covid-19 – Foto: Divulgação/Instituto ButantanAnvisa revisa dados de mais uma vacina contra a Covid-19 – Foto: Divulgação/Instituto Butantan

“O estudo clínico no Brasil está sendo realizado de maneira rigorosa e conforme os requisitos de boas práticas clínicas. Estamos convencidos da segurança da vacina”, indicou a empresa, por meio de comunicado.

“Após nos comunicarmos com nosso parceiro brasileiro, o Instituto Butantan, soubemos que sua diretoria acredita que este evento adverso grave não está ligado à vacina”, completa a nota.

Suspensão

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou nesta segunda-feira (9) a suspensão temporária dos testes no país para avaliar os dados observados até o momento e julgar o risco ou o benefício da continuidade do estudo.

“Com a interrupção do estudo, nenhum novo voluntário poderá ser vacinado”, indicou o órgão brasileiro, por meio de comunicado.

A Anvisa ainda destacou que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas devem ser mantidos em sigilo, pelos princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes.

De acordo com a agência, o “efeito adverso grave”, que não havia sido relatado, aconteceu em 29 de agosto. A paralisação, com isso, interrompe testes com cerca de 9 mil voluntários no país.

Ainda segundo a Anvisa, os eventos que estão incluídos na classificação utilizada para parar os testes estão os casos de morte, situação potencialmente fatal, incapacidade ou invalidez persistente ou significativa, internação hospitalar do paciente, entre outros.

Atualmente, há dez vacinas contra o novo coronavírus na terceira e última fase de testes clínicos. No desenvolvimento de cinco delas há empresas chinesas parcial ou totalmente envolvidas.

Decisão “injusta”

O coordenador executivo do Comitê de Contingência do Coronavírus em São Paulo, João Gabbardo, disse ser injusta a penalidade imposta pela Anvisa.

“Me sinto muito constrangido porque, por razões éticas, não podemos ser transparentes em relação ao que está acontecendo hoje. Se vocês pudessem ter acesso às informações que nós temos em relação a este caso, poderiam identificar o quão injusta está sendo está penalidade”, afirmou Gabbardo durante entrevista coletiva no Instituto Butantan.

Ele ainda questionou a motivação da decisão da Anvisa, que, “coincidentemente, acontece no mesmo dia em que o governo de São Paulo anuncia a chegada das primeiras doses da vacina e apresenta a proposição, início de obras, prazos e cronograma de conclusão para que o Butantan possa ter condição de produção desta vacina”.

Com informações do R7 e Agência Estadão Conteúdo

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