Falar, salva sua história, seu agora e seu projeto de vida

Psicólogo alerta para a importância da comunicação que liberta, e ressalta a Campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio

Psicólogo Carlos Alexandre Rodrigues alerta para a importância de falar com a pessoa certa – Foto: Heitor Pergher

Quem sabe você já escutou, leu e até mesmo utilizou em suas redes sociais algumas destas frases comuns:

“O silêncio é a melhor resposta”; O silêncio é a resposta mais sábia que podemos dar”; “O silêncio não comete erros”; “O silêncio fala por si próprio”; “Quem cala, consente”.

O psicólogo da Clínica Ancre, Carlos Alexandre Rodrigues, observa que os ditos populares trazem saberes culturais, são respeitados e pautados em senso comum e servem, para muitas pessoas, como “guias”.

“Mas gostaria de propor, em específico a estes citados, uma reflexão sobre a importância de racionalizar e ponderar algumas destas situações no nosso dia a dia e, com isso, não generalizarmos o silêncio como simples resposta e o melhor sinônimo de inteligência para, assim, aprendermos a promover mais saúde mental em nossas relações” afirma o profissional.

“Quando nos deparamos com pessoas em sofrimento pela falta da habilidade de comunicação, pela dor que o silêncio impera em suas relações, percebemos os efeitos danosos desta prática cultural que é o emudecer diante dos acontecimentos da vida”, analisa.

Acúmulos de inseguranças

“Observa-se que há uma recorrência no número de vezes em que as pessoas têm a intenção do diálogo, mas não conseguem se posicionar ou se impor às situações incômodas e a partir disso geram acúmulos de inseguranças com perturbações sociais e psicológicas que, com o decorrer do tempo traduzem-se em isolamentos e que podem resultar em sofrimentos psíquicos”, alerta.

Vivemos uma sociedade educada pela cultura do silêncio, que foi nos dito como sinônimo de respeito, de valores e princípios e que se faz necessário para remeter poder, autoridade a quem não silencia nas relações.

“Entendo que precisamos dissolver estes mitos a partir de uma relativização do que é adequado ou inadequado diante do silêncio e da fala”, pondera o psicólogo.

O SILÊNCIO também pode ser um GRITO DE ALERTA!

No mês de setembro é realizada a campanha de conscientização para a prevenção do suicídio. O dia 10 deste mês marca oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas é importante frisar que se trata de um movimento de conscientização durante todo o ano, e da importância de não apenas profissionais da saúde mental estarem engajados, mas a sociedade como um todo.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), nove em cada dez suicídios poderiam ser evitados se houvesse um trabalho de prevenção e, diante disso, uma estratégia básica e importante e dar acesso às pessoas para a conscientização, sendo um dos recursos mais importantes, a fala, como um espaço para que a pessoa que carrega um sofrimento possa se expor, e ser acolhida.

 “Hoje, 32 brasileiros se suicidam diariamente. No mundo, ocorre uma morte a cada 40 segundos. Aproximadamente 1 milhão de pessoas se matam a cada ano. Sabe-se que os números são muito maiores, pois a subnotificação é reconhecida. Além disso, os especialistas estimam que o total de tentativas supere o de suicídios em pelo menos dez vezes.”

 (Fonte: https://www.setembroamarelo.org.br)

“Precisamos compreender os sinais de alerta”

O psicólogo Carlos Alexandre Rodrigues, da Clínica Ancre, alerta que o silêncio como ausência de expressão de sentimentos e emoções provoca diversas somatizações em formas de anulamento de pessoas, dos seus corpos, histórias e vontades.

“E isso não se resume apenas a traços de personalidades tímidas, mas sim de uma constituição de comportamentos e emoções que vão se manifestando sem surtir suas necessidades reais”, diz.

“Entende-se que nem todas as pessoas que são quietas têm problemas em falar, ter opinião formada bem como expressá-la, por isso precisamos compreender os sinais de alerta dos mecanismos da cultura do silêncio que não é saudável”, ressalta o profissional.

O silenciamento nas relações abusivas

Segue o psicólogo explicando que também é importante destacar a aparência do silenciamento nas relações abusivas, que em outras palavras, se reflete na violência simbólica ou física às pessoas que se manifestam contrárias a comportamentos e opiniões ou das que buscam o que é seu de direito – seus espaços de igualdade.

“Nestes casos de violências, há um mecanismo social aprendido que vira psicológico e comportamental, de uma suposta posse existencial, de um ‘pseudo-poder’ adquirido sobre a vida de pessoas silenciadas, a ponto de subordinadas e dominadas vão à extinção de suas razões de viver ou propriamente dito, suas vidas”, afirma Carlos Alexandre.

“Esta é uma pauta importante sobre a qual, cada vez mais, é necessário debruçar-se para ampliar possibilidades diante dos agressores que usam como arma maior o silenciamento de pessoas e dos sujeitos agredidos que precisam compreender suas liberdades”, diz.

O círculo vicioso de desgostos

Esclarece ainda o psicólogo, que pessoas que diariamente escolhem silenciar em suas relações, uma vez que suas percepções de vida optariam em falar e se expressar mais abertamente, mas ao contrário disso, como recurso possível que lhes cabe optam em dar sinais não verbais, vão muitas vezes gerando frustrações, principalmente quando as pessoas alvo não percebem da mesma forma, e isso, quando não compreendido vai gerando um círculo vicioso de desgostos.

“Não raras vezes, estas pessoas vão imergindo suas vidas em angústias, em pensamentos de autojulgamento como os de derrotas, de impotência e à medida que isso vai ocorrendo as experiências vão paralisando suas intenções e demonstram-se mantidas como reféns de suas baixo autoestimas e autoconfianças. Isso ocorre nas relações com o trabalho, entre cônjuges, relação com os pais e mães, com filhas e filhos, amizades, entre outras”, esclarece o psicólogo.

A importância libertadora da comunicação

Percebam a importância da comunicação inter-relacional, que pode ser libertadora para alguns que vivem o ato do silenciamento e também pode trazer outras perspectivas de possibilidade de diálogo para quem convive com o silêncio do outro.

O que de mais importante se destaca é que falar se trata de algo saudável, que se aprende e se previne gatilhos de sofrimento emocional, de diagnósticos psicopatológicos e até mesmo de suicídios.

Falar, salva sua história, seu agora e seu projeto de vida.”

Falando com a pessoa certa

Se você tem dificuldades, fale com a pessoa certa. A psicoterapia com psicólogo (a) é também um canal aberto a isso, que visa o autoconhecimento, de onde você se encontra e de onde quer chegar.

Costumo dizer que é um compromisso de amor próprio. O processo tende a dar voz a suas angústias para que tão logo elas sejam ressignificadas em atitudes para sua vida com mais plenitude”, aconselha o profissional.

Casos relacionados a apoio emocional de urgência e prevenção do suicídio, não se demore e recorra a uma conversa com sigilo e anonimato ao CVV – Centro de Valorização da Vida, no disque 188, que é gratuito ou pelo site www.cvv.org.br

A saúde mental passa pela importância de falar nas relações do dia a dia – O silêncio nem sempre é uma boa resposta. Falar, faz bem pra vida!

Sobre o profissional

Carlos Alexandre Rodrigues

  • CRP 12/19276
  • Psicólogo. Psicoterapeuta clínico e psicólogo social. Atende adolescentes, adultos e terapia de casais.
  • Especialista em Gestão de Pessoas, é Professor e Coordenador Institucional da Faculdade Censupeg
  • Pesquisador, Membro do Núcleo de Pesquisas em Clínica da Atenção Psicossocial – PSICLIN/UFSC
  • Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC

É inspirado por expandir a consciência do que é um ser livre por condição de vida. Sua abordagem terapêutica é sobre cuidados, prevenção e promoção em saúde mental.

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