Falta de dados de SC em sistema federal prejudica análise sobre efetividade de vacinas

Pesquisadores alertam à fragilidade de dados essenciais para amparar a comprovação científica da efetividade dos imunizantes

A falta de dados sobre a vacinação contra Covid-19 de vários Estados, inclusive de Santa Catarina, no Sivep-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica de Gripe) prejudica a análise da efetividade dos imunizantes, aponta um estudo da Fiocruz.

Dados incompletos sobre vacinação prejudicam análises da efetividade- Foto: Myke Sena/MS/Divulgação/NDDados incompletos sobre vacinação prejudicam análises da efetividade- Foto: Myke Sena/MS/Divulgação/ND

A introdução de novas variáveis no SIVEP-Gripe visa avaliar o impacto das vacinas na prevenção do adoecimento e, principalmente, na frequência de casos graves, internações e mortes.

Esse recurso permitiria estimar a efetividade, mais do que a eficácia (análise em ambiente controlado) avaliada nas primeiras fases de testes de vacinas, comparando-se as taxas de internação e mortes entre vacinados, vacinados parcialmente e não-vacinados.

Porém, a avaliação depende da cobertura, completitude e qualidade dos dados coletados em cada serviço de saúde. O estudo da Fiocruz analisou as condições de preenchimento da variável de vacinação com base em dados das unidades de saúde dos Estados.

Um dos responsáveis pelo estudo Icict/Fiocruz (Instituto de Comunicação e Informação Científica em Saúde), Diego Xavier, reafirma a importância da vacinação.

“A análise da efetividade da vacinação é extremamente necessária. Não temos dúvidas da importância da imunização para o controle da pandemia”, disse.

“O que alertamos, neste estudo, é quanto à fragilidade de dados que são essenciais para amparar a comprovação científica quanto a essa efetividade. Precisamos de uma melhoria da qualidade dos dados.”

Além de Santa Catarina, há um grande número de unidades de saúde sem nenhum dado sobre vacinação (valor zero na base dos gráficos), principalmente no Amazonas, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Rio
Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso do Sul.

Equipes de saúde sobrecarregadas

A incompletude de registros no SIVEP-Gripe torna extremamente frágil qualquer afirmação sobre a efetividade dos imunizantes em casos de hospitalização ou óbitos.

O sistema contém as variáveis necessárias para o monitoramento da pandemia em diversos aspectos, como as tendências sócio-demográficas de casos e mortes, e a efetividade da vacinação.

Tanto na rede pública quanto no setor privado, as variáveis não estão sendo devidamente preenchidas pelas equipes de saúde.

O estudo reconhece que os profissionais, sobrecarregados pela pandemia e com pouco treinamento e equipamentos, enfrentam muitas dificuldades para o registro adequado das informações.

É grande a quantidade de registros sobre pacientes que tomaram a primeira e a segunda vacina que não foram preenchidos ou que trazem apenas a palavra “ignorado”, de acordo com a recém-publicada Nota Técnica “Qualidade dos dados de vacinação nas unidades de saúde de atendimento para Covid-19”.

Os dados analisados no estudo foram as novas variáveis inseridas no Sivep-Gripe após o início da vacinação, que passaram a ser preenchidas no momento da hospitalização. Nessas novas variáveis, as unidades de saúde públicas e privadas informam se o paciente com SRAG foi vacinado, qual a data da primeira e da segunda vacina e a numeração dos lotes de ambas as vacinas.

A conclusão dos pesquisadores do Icict/Fiocruz foi realizada ao analisar os registros de notificação de casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), com diagnóstico laboratorial de Covid-19, dentro da base de dados do Sivep-Gripe.

Em Estados como Amapá e Mato Grosso do Sul, por exemplo, foi informado ao Sivep-Gripe que mais de 90% dos pacientes internados estavam vacinados. Porém, apenas 6% (AP) e 21% (MS) dos registros trazem a data da primeira dose – na maioria dos casos, o campo foi preenchido com a palavra “ignorado”.

Situações similares se repetem nos lançamentos da grande maioria dos Estados, em diferentes proporções.

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Saúde

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