Fator de transmissão do novo coronavírus é de 1,3 em Florianópolis

Prefeitura da Capital age para conter crescimento do número de casos de Covid-19 na cidade, que pode chegar a até 3.800 na segunda quinzena de julho se atual tendência permanecer

Guarda Municipal fiscaliza cumprimento de regras sanitárias no Ticen nesta sexta-feira (26) – PMF/Divulgação/ND

O coeficiente de transmissibilidade, ou seja, o fator de transmissão – conhecido como RO – do novo coronavírus em Florianópolis subiu de 0,8, número que se mantinha constante desde as primeiras medidas tomadas para frear a disseminação da Covid-19 na cidade, em março deste ano, para 1,3 hoje. O índice tem permanecido acima de 1 nas últimas duas semanas, de acordo com a Prefeitura da Capital. Esse aumento significa que no início deste mês, quando esse fator era de 1, cada pessoa infectava outra pessoa, e os números estavam estáveis. Agora, cada infectado transmite o vírus para 1,3 pessoas, o que demonstra o crescimento de contaminados na cidade.

E esse não é o único dado que acende o sinal vermelho. De acordo com o infectologista e membro do comitê de crise da Secretaria Municipal de Saúde, Filipe Perini, cresceu também o número de casos suspeitos da doença e a taxa de ocupação de leitos de UTI, públicos e privados, na região. Além disso, a Capital, que já chegou a ficar 32 dias sem mortes, registrou quatro óbitos nos últimos 14 dias. “Florianópolis não é uma bolha, o que acontece em todo o mundo se reflete aqui também na cidade. Não podemos relaxar e nos descuidar quanto aos riscos do contágio, precisamos é retomar tudo que temos feito, em medidas de prevenção, desde que tivemos o registro dos primeiros casos”, afirma.

Para frear essa alta no número de casos e a na disseminação do vírus, o município endureceu as medidas restritivas nesta quarta-feira (24). As novas normas, decretadas pelos médicos da secretaria de saúde e pelo prefeito de Florianópolis, têm por objetivo diminuir a quantidade de pessoas nas ruas. Para isso, o foco foi retirar possibilidades de lazer que possuem grande risco de contaminação.

“Nenhum prefeito gosta de tomar medidas de restrição. Mas, muitas vezes, elas são necessárias e o quadro de combate à Covid-19, neste momento, exige isso. Passamos de cem para 300 doentes na cidade e a maior preocupação é a dificuldade com o aumento da ocupação de leitos hospitalares e o avanço do número de mortes. Precisamos voltar a ter controle sobre estes números. Se não nos anteciparmos numa decisão, em duas semanas, teremos que fechar tudo na Capital”, afirma o prefeito de Florianópolis.

Município registra, nesta sexta-feira (26), 1579 casos de Covid-19 e 14 óbitos. Número de pacientes em UTIs chega a 15 pessoas – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Controle do aumento de casos e óbitos

Dados do Covidômetro da Prefeitura de Florianópolis – painel que mostra a situação da pandemia na cidade, apontam que o município registra, nesta sexta-feira (26), 1.579 casos da doença, 14 óbitos, 15 pacientes em UTIs e 50 leitos de UTI livres (para adultos, no SUS, na Grande Florianópolis).

Caso esta tendência de aumento seja mantida, a projeção é de que, na segunda quinzena de julho, Florianópolis tenha entre 2.100 e 3.800 casos de Covid-19, 45 óbitos e 68 pacientes em leitos de UTI. “Os hospitais públicos e privados já estão acenando com uma sobrecarga importante e manifestam preocupação com o aumento de pacientes com a doença. É o momento para redobrar os cuidados”, reforça Matheus Pacheco de Andrade, gerente de Inteligência e Informação da Secretaria de Saúde.

Sobre o fator de transmissão, o médico explica que quando se fala do indicador, isso não representa necessariamente as pessoas já identificadas e em isolamento. “Temos de lembrar que a Covid-19 já é transmissível dois dias antes do surgimento dos sintomas e as pessoas acabam procurando o serviço em torno do 3 ou 4 dia de sintomas, daí a necessidade de manter as medidas de higiene, ficar restrito ao domicílio quando iniciar com sintomas respiratórios e utilizar o Alô Saúde o mais cedo o possível”, afirma.

Supermercados verificam temperatura do consumidor e  devem operar com capacidade máxima de 30% segundo o decreto da Prefeitura da Capital – Leonardo Sousa/PMF/Divulgação/ND

Confira as medidas que começaram a valer nesta quarta-feira (24) em Florianópolis

Restaurantes: somente das 11h às 15h e durante dias de semana. Período noturno e finais de semana, somente por delivery e busca no balcão.
Bares e lanchonetes: somente até às 18h. Período noturno e finais de semana, autorizado apenas delivery e busca no balcão.

Padarias: somente serviço de balcão, sem consumo no local.

Supermercados: capacidade máxima reduzida para 30% de ocupação. Proibição de promotores de produtos.

Academias comerciais e não comerciais: fechadas

Shopping center: fechado

Galerias: fechadas

Serviço público não essencial: apenas teletrabalho no âmbito municipal, estadual e federal.

Arenas de esportes e quadras esportivas comerciais e não comerciais: fechadas.

Praias: somente para esporte aquático e pesca. Proibida a permanência na areia.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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