FECAM elabora levantamento sobre vacinação nos municípios

Objetivo da federação é mostrar como está a situação nas cidades de SC em termos de vacinação; expectativa é de o relatório seja concluído até sexta-feira (5)

A FECAM (Federação Catarinense de Municípios) coordena um levantamento nos municípios com intuito de saber quantas doses de vacina da Covid-19 cada município recebeu.

Um a um, os secretários de saúde dos 295 municípios de SC estão recebendo um telefonema onde respondem 14 perguntas sobre a vacinação dos seus municípios.

Nesta quarta-feira (3), o levantamento da FECAM já reúne informações de 210, dos 295 municípios do Estado. A meta inicial era concluir o trabalho até quinta-feira (4), mas essa ideia foi flexibilizada e o relatório deve ser concluído até a sexta-feira (5).

Jailson Lima, consultor de saúde da FECAM, coordena levantamento sobre a vacinação em SCJailson Lima, consultor de saúde da FECAM, disse que até sexta-feira (5), a federação conclui levantamento sobre a vacinação nos municípios de SC – Foto: Solon Soares/Agência AL/ND

Além do quantitativo de doses, eles também respondem quais vacinas receberam e como está a organização da estrutura e logística para a aplicação. Quatro pessoas da FECAM estão nessa tarefa e, até o momento, somente cinco secretários se negaram a passar as informações.

Intenção é dar mais velocidade a vacinação no Estado

Depois que a federação colocar a mão nos dados, a ideia é realizar videoconferências com os secretários de saúde e equipes responsáveis, segundo o consultor de saúde da FECAM, Jailson Lima, que também é médico reumatologista e especialista em saúde pública.

A ideia é levantar demandas e agilizar questões com o Governo do Estado, responsável pelo recebimento das vacinas, via Ministério da Saúde, e também pela distribuição aos municípios catarinenses.

“Nesse período em que as vacinas estão nas geladeiras, elas não estão chegando aos ombros, significa que tem gente se contaminando e, com certeza, levando gente para hospital, UTI, gerando óbito por não terem sido vacinados”, lamentou Jailson.

“Vacinação deve avançar nos municípios mais rápidos”

Na opinião do consultor em saúde da FECAM, municípios que não usaram nem a metade das doses recebidas não têm que receber mais vacinas agora. Segundo ele, devem receber aqueles em que a vacinação está mais rápida e também onde existe mais risco de contaminação.

“Os idosos que estão na escala agora, são os idosos que estão em albergues, em hospitais e nem esses estão sendo vacinados. Tem coisa errada e essa informação a Secretaria não tem”, questiona.

O grande objetivo da FECAM é dar mais celeridade ao processo de vacinação no Estado. As entrevistas com os secretários de saúde dos municípios são realizadas por grupo: primeiramente as cidades com até 2500 habitantes, depois aquelas com 2500 a 5 mil e assim sucessivamente.

Tudo isso para entender a característica de cada um e saber onde está a maior defasagem da vacinação. Segundo Lima, quanto menor o município, mais difícil. O levantamento também servirá para saber o nível de orientação que é preciso dar e a quem.

“Temos cinco que se negaram a dar informação, de cidades pequenas, eu concluo que é porque não cumpriram a missão de casa e vamos falar com o prefeito, que precisa saber sobre a gestão do seu secretário”, disse Lima.

Ele ressaltou, no entanto, que a ideia “não é criar constrangimentos, mas sim entendimento”. Com o relatório em mãos, o próximo passo será organizar as videoconferências, novamente, por grupo de municípios, considerando número de habitantes, ou seja, reunindo gestores de saúde de cidades com dificuldades similares.

Ritmo de vacinação desacelerou para todas as doenças

Jailson também está preocupado com outra questão. Segundo ele, há uma queda no índice de vacinação no Estado, pensando não apenas nos imunizantes da Covid-19, mas de todas as doenças.

“Se pegarmos nos últimos dez anos, 2020 foi o pior ano de vacinação no Brasil. Está caindo o nível de cobertura de todas as vacinas e isso, um pouco, é fruto do negacionismo” apontou.

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