Mundo Maria

Entretenimento, lifestyle, arte e tudo que move o mundo dos influenciadores nas redes sociais.


Filho diagnosticado com autismo faz pai encarar a vida com outros olhos

Após quebrar diversos paradigmas, o pai e microbiologista começou a repensar e ver a vida de outra forma por descobrir o diagnóstico do filho

Diversos caminhos foram percorridos até que o microbiologista Alessandro Silveira escrevesse e lançasse o livro “O lado bom das bactérias – O poder invisível que fortalece sua defesa natural para ter uma vida mais feliz e longeva”.

O principal motivo do livro foi quando ele descobriu que seu filho, Victor Hugo, havia sido diagnosticado com autismo. A partir daquele momento foi dado um start para que Silveira quebrasse suas crenças limitantes sobre como pensar sua própria vida, a relação com o filho e sua atuação como cientista.

Pai que encara a vida com outros olhos após descobrir que filho é autista Alessandro Silveira, pai que encara a vida com outros olhos após descobrir que filho é autista.- Reprodução; Acervo Alessandro Silveira/ND

Esse despertar demorou a acontecer, até ele de fato descobrir o diagnóstico de seu filho, então o Mundo Maria contatou Silveira para realizar uma entrevista.

Silveira, qual foi o sentimento que o motivou a escrever o livro?

“Um dos principais sentimentos que eu tive ao escrever o livro foi compartilhar a minha história, o meu aprendizado, com a história do diagnóstico do meu filho e como isso transformou a minha vida. Mas, principalmente, mostrar para as pessoas como elas podem, de maneira simples, acessível e rápida, cuidar da sua saúde. Porque a nossa saúde não depende de ninguém, a nossa saúde depende única e exclusivamente de nós. A nossa saúde definitivamente está em nossas mãos. Então, esse foi um dos principais objetivos de escrever o livro, para levar essa informação, levar esse conhecimento, para o maior número possível de pessoas e, com isso, poder auxiliar essas pessoas a transformar a sua saúde.”

Quantos anos o seu filho Victor Hugo tinha quando recebeu o diagnóstico de autismo?

Silveira não lembra a data exata, mas foi por volta dos 5 ou 6 anos de Victor Hugo. Diversos exames foram realizados, muita espera e calma ele teve que ter para encarar tudo isso e também houveram muitos diagnósticos equivocados, até porque na época não se tinha tanto conhecimento como se tem hoje, ele me contou. Eles passaram por vários profissionais e inúmeros exames até chegar ao diagnóstico definitivo.

Pai que encara a vida com outros olhos após descobrir que filho é autista Alessandro e Victor Hugo, o filho diagnosticado com autismo. -Reprodução; Acervo Alessandro Silveira/ND

Quando ele recebeu este diagnóstico, quais foram as tuas maiores preocupações? De uma forma geral, vivemos em uma sociedade que não possui escolas preparadas para lidar com crianças com autismo, e temos muitas crianças que chegam até a ser maldosas.

“No momento foi difícil porque a gente não sabia o que era. Então era algo muito novo, como eu disse: naquela época a gente não tinha informação. Hoje, só para dar um exemplo, existem comunidades no Facebook, no Instagram, sites especializados em autismo, existe um engajamento muito grande, você tem muito mais acesso à informação. Hoje tem cursos de pós-graduação, enfim, a possibilidade de você interagir com outros pais para trocar experiências. Naquele momento que eu descobri o autismo do meu filho eu pensei: “meu Deus, e agora? O que vamos fazer da nossa vida?”. “Como é que as coisas vão ficar?”.

Logo após para digerir a informação e aceitação ele foi em busca de aconselhamento genético para compreender melhor, o que o ajudou muito. Quando foi à geneticista, questionou se o filho não seria feliz porque não poderia cursar uma faculdade, trabalhar, casar, ter filhos e ela perguntou a ele: desde quando isso é critério para ser feliz?

Ela afirmou que esses são os nossos critérios e que com ele seria diferente. Disse que com certeza ele iria ser feliz até porque tem os pais que estão preocupados com o bem-estar dele e que o amam. Assim, ele mudou o seu paradigma e começou a entender melhor, porque antes via o autismo como um problema, e começou a ver que na verdade não era um castigo e sim um grande tesouro que estava recebendo.

Chegasse a recorrer a muitos médicos primeiramente para saber o que era melhor para ele?

Silveira recorreu primeiro a um otorrino porque ele não interagia muito bem na escolinha e os professores relatavam que era devido a sua audição. “Nós fomos em vários médicos. A partir daí fizemos diversos exames para descobrir realmente qual era o problema, que não era auditivo, e depois disso meu filho foi diagnosticado com autismo”.

Me conta um pouco sobre o seu livro. Qual mensagem você quer enviar para os leitores?

“A grande questão do livro como o próprio nome diz é como as bactérias podem auxiliar na nossa saúde. Mas como esse livro é para leigos, para qualquer pessoa que tenha interesse em cuidar um pouquinho melhor da sua saúde, esse livro é para que as pessoas possam entender um pouquinho melhor os sinais que nosso corpo dá, que estão demonstrando alguma alteração na saúde. A obra passa em vários momentos, por histórias e muitas dessas histórias são minhas. Mas passa por histórias de outras pessoas também, que colocam os seus depoimentos no livro.

E qual é a grande questão do livro? É que com atitude simples, disponíveis para qualquer pessoa, a gente quer demonstrar como essas pequenas atitudes do dia a dia podem melhorar a nossa saúde. Por exemplo: por que que é importante dormir melhor – em termos quantitativos e qualitativos? Tomar água. Por que é importante não tomar medicamento sem prescrição médica? A questão da atividade física – e da atividade física não necessariamente ligada a uma academia – mas atividade física de você caminhar e você se movimentar. A importância do parto normal – que o Brasil infelizmente é o segundo país do mundo com maior taxa de cesarianas do mundo e isso traz um prejuízo para saúde do bebê.

Como a gente precisa interagir com os nossos problemas com dificuldades do dia a dia, que a nossa saúde mental e muitas outras questões. Então tudo isso vai impactar a nossa saúde e impacta nessas bactérias intestinais. Isso faz com que a gente viva menos e viva pior. Eu não tenho dúvida que se a gente considerar hoje a nossa qualidade de vida – apesar de todas as facilidades tecnológicas que a gente tem em 2021 – a gente vive menos felizes do que os nossos avós. Nossos avós tinham vidas muito mais simples do que as nossas e com certeza eles viviam melhor.”

Por fim, Silveira me contou que a grande mensagem que o livro quer passar é como melhorar a nossa saúde para podermos ter uma vida mais longa e saudável. E isso depende exclusivamente de nós, das nossas escolhas, por hábitos e alimentação mais saudável, que às vezes muitos acham que a alimentação com produtos industrializados chega a ser mais barata, mas de acordo com ele, se bem pensada não é. E baseado em exemplos de algumas pessoas e, principalmente, no exemplo da história do seu filho que é contada em vários momentos do livro, o objetivo é ajudar as pessoas a viverem mais e melhor.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...