Fiscalização flagra excesso de visitantes na Ilha do Campeche

Durante o Carnaval, o número de visitantes ultrapassou 50% da capacidade máxima permitida, segundo o Instituto Ilha do Campeche

Mesmo com restrições de público por conta da pandemia, a Ilha do Campeche, em Florianópolis, recebeu cerca de 200 pessoas acima do permitido por dia durante o feriado de Carnaval. Nesta quarta-feira (17), a PMA (Polícia Militar Ambiental) foi ao local para fiscalizar se as normas sanitárias estavam sendo cumpridas.

Pessoas na praiaPolícia Militar Ambiental flagrou excesso de pessoas e embarcações clandestinas na Ilha do Campeche nesta quarta-feira (17) – Foto: PMA/Divulgação/ND

Conforme o comandante da 3ª Companhia de Polícia Militar Ambiental, o capitão Fernando Magoga Conde, o excesso de pessoas seguiu nesta quarta. “A guarnição informou que havia embarcações clandestinas, muitas pessoas em torno da Ilha, realmente excesso de público. Isso tudo será comunicado”, pontuou.

Um relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal para contribuir com o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), que estabeleceu as regras de visitação em dezembro e ao longo de 2021, além de identificar os responsáveis. Até o início da noite desta quarta, o relatório não havia sido finalizado, portanto, não foi possível precisar o número de pessoas.

Excesso de público no Carnaval

Um dos destinos preferidos dos turistas na Capital, a Ilha do Campeche deveria receber até 400 pessoas em um dia, mas chegou a 600 no feriado prolongado. A informação é de Andreoara Schimdt, diretora do Instituto Ilha do Campeche, uma das entidades responsáveis pela administração do local.

Os encarregados da fiscalização da Ilha são a Vigilância Sanitária em Saúde da Capital, a Capitania dos Portos, a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente), a GMF (Guarda Municipal de Florianópolis) e a PMA (Polícia Militar Ambiental). 

No sábado (13), a Vigilância Sanitária foi até a Ilha, mas nesta terça (17), o Instituto pediu para que a fiscalização retornasse. “Em janeiro estava calmo, o pico foram esses dias de Carnaval e tempo bom”, aponta a Andreoara.

Pessoas no barco descendo na água sem máscaraEmbarcações particulares chegam à Ilha do Campeche com visitantes que não respeitam normas sanitárias, como o uso de máscaras, nesta terça-feira (16) – Foto: Divulgação/ND

De forma geral, tivemos desde janeiro, em média, umas dez visitas da equipe de fiscalização, que alternaram entre Polícia Militar Ambiental, Capitania, Guarda Municipal e Vigilância Sanitária”, ressalta.

Limitação de pessoas na Ilha

O que determina a capacidade de ocupação na praia é o mapa de risco da Covid-19, de acordo com a portaria nº 217/2021, publicada em janeiro.

Atualmente, a Capital catarinense está em nível gravíssimo para a doença, o que deveria restringir em até 50% do público que o local comporta, mas não foi o que aconteceu.  

“O movimento tem sido bem flutuante. Até semana passada estávamos abaixo da cota, mas com o Carnaval isso mudou”, comenta a diretora.

Ela conta que no domingo (14), embarcações particulares sobrecarregaram a praia, com aumento de 50% do permitido. “Já é um risco com 400 pessoas, com 600 é muito preocupante”, ressalta Andreoara. 

Desrespeito às regras sanitárias

Em dezembro, o MPF (Ministério Público Federal) reuniu associações e órgãos envolvidos com transporte, alimentação e administração da Ilha para a assinatura do TAC, que definiu as normas sanitárias.

Conforme Andreoara, ao chegar na Ilha, o público precisa preencher uma ficha de saúde. Neste momento, a equipe de visitação afere a temperatura dos visitantes e solicita que registrem em seus celulares um QR Code, cuja finalidade é registrar que passaram pelo local, para que um possível caso de Covid-19 seja rastreável.

No entanto, apenas as embarcações signatárias, ou seja, aquelas que assinaram o TAC respeitam as restrições impostas pela pandemia, segundo a diretora do Instituto Ilha do Campeche. “As embarcações particulares chegam lotadas e com pessoas sem máscara”, detalha. 

Turistas se sentem enganados

O termo assinado pelas entidades estabelece que os visitantes deverão ser advertidos sobre as regras sanitárias da prefeitura, especialmente sobre aglomerações e a exigência do uso de equipamentos de proteção, como máscaras e álcool. Quem não cumprir as exigências poderá sofrer multas e ser acusado por crime contra a saúde pública. 

Pessoas descendo de embarcação na praiaUm relatório será encaminhado ao Ministério Público Federal para identificar os responsáveis pelas embarcações clandestinas – Foto: PMA/Divulgação/ND

Contudo, muitos turistas sequer sabem que estão viajando em barcos não credenciados. “Tem turistas que são responsáveis, querem fazer tudo direito e não sabem que foram em embarcações particulares. Eles descrevem que se sentiram enganados”, detalha Andreoara.

Muitos turistas também chegam por conta própria em lanchas e em jet skis, e alguns são considerados “difíceis de lidar”, porque insistem em ir a locais restritos para visitantes. 

Embarcações particulares não precisam de autorização

Os barcos particulares não precisam de autorização para ir à Ilha, conforme a diretora do Instituto. “Partia-se do pressuposto que eram poucas, quando a capacidade de suporte da Ilha foi implementada”, comenta. 

Conforme Andreoara, o número de embarcações não credenciadas, especialmente lanchas, aumentou muito nos últimos três anos. 

“As marinas ou empresas alugam esses lanchas para passeios. Isso é caracterizado como atividade comercial, que vem sobrecarregando o número de pessoas na Ilha. Mas é bem difícil para fiscalização e para a gestão da Ilha conseguir caracterizar essa atividade”, finaliza.

Acesse e receba notícias da Grande Florianópolis pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Saúde