Florianópolis intensifica combate à dengue e à proliferação do Aedes Aegypti

Bacia do Itacorubi é a região mais afetada; Capital, que está em situação de emergência, tem hoje 869 casos da doença e registra 4.020 focos do mosquito

Em situação de emergência desde o dia 12 deste mês devido ao aumento do número do número de casos de dengue e de focos do Aedes Aegypti, Florianópolis intensifica as ações de combate à proliferação do mosquito transmissor e à doença.

Prefeitura reforça ações para o combate à dengue na Capital – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/NDPrefeitura reforça ações para o combate à dengue na Capital – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/ND

Uma destas iniciativas é a operação Fim da Picada, que abrange atuações da Vigilância em Saúde, Vigilância Epidemiológica, Guarda Municipal Defesa Civil, Centro de Controle de Zoonoses, Comcap, Secretaria de Municipal de Infraestrutura, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Rosilani Martinello dos Santos, gerente do Centro de Controle de Zoonoses do município, explica que como a demanda encontrada pelas equipes de saúde muitas vezes depende de outros órgãos municipais para ser resolvida, essa união das pastas agiliza a resolução das situações para o combate da dengue na cidade. “Antes, quando precisávamos acionar essas secretarias, precisávamos enviar um ofício, era mais burocrático. Por isso o prefeito Topázio Neto criou um grupo exclusivo da operação. Nós, da saúde, vamos lá averiguar, trazemos o problema que precisa ser solucionado e acionamos os órgãos responsáveis, que vão até o local resolver a questão”, esclarece.

A operação já realizou uma força-tarefa no Itacorubi, nesta semana atua no Córrego Grande e, na semana que vem, as equipes estarão na Agronômica. De acordo com a Secretaria de Saúde de Florianópolis, três bairros que reúnem um grande número de casos na Capital.  O Itacorubi tem 124 casos, o Córrego Grande 264 e a Agronômica 115.

Outras ações do trabalho na cidade

Além da operação Fim da Picada, a Secretaria Municipal de saúde também disponibiliza uma equipe que só atende denúncias que são repassadas pelo telefone 3212-3902

Outra equipe, conta Rosilani, atua em pontos considerados estratégicos para os focos do mosquito, como oficinas mecânicas, marinas e ferros-velhos, por exemplo. Esses profissionais visitam esses locais a cada 15 dias para fazer a vistoria.

Além disso, há ainda outra equipe que realiza o tratamento, de casa em casa. Antes do aumento da dengue, informa a gerente do Centro de Controle de Zoonoses, o trabalho era de prevenção, mas agora ao órgão foca as atividades diretamente nas casas de  pessoas que estão com dengue, “porque é neste local que está o mosquito infectado. Estamos no combate ativo ao mosquito e à doença, no local onde ele permaneceu por mais tempo”, diz.

Hoje, Florianópolis registra 869 casos da doença e 4.020 focos do mosquito. Durante todo o ano de 2021, o município teve 195 casos autóctones e 47 importados. Até o momento, a Capital não registrou mortes em 2022, enquanto no último ano houve uma morte por dengue no bairro José Mendes.

Florianópolis registra 869 casos da doença e 4.020 focos do mosquito – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/NDFlorianópolis registra 869 casos da doença e 4.020 focos do mosquito – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/ND

Situações que poderiam ser facilmente solucionadas

Essa explosão de casos, de acordo com Rosilani, já era prevista para esse ano. Ela conta que, durante a pandemia, as equipes de saúde continuaram percorrendo as casas todos os dias para realizar o trabalho preventivo, mas devido às medidas sanitárias, não podiam entrar nas residências, somente nos pátios, para fiscalizar os ambientes.

“A gente olha caixa d’água, vasinho de planta, calhas, ralos. Então, quando veio a pandemia tudo mudou, a Covid-19 veio como um verdadeiro arrastão, não conseguíamos mais realizar o trabalho na sua totalidade, realizávamos o trabalho parcial, ou seja, fazíamos uma visita peridomiciliar. Além disso, com o aumento de mortes pelo coronavirus, esse passou a ser o foco e a principal preocupação das pessoas, que cuidaram menos da prevenção à dengue”, afirma.

A proliferação do Aedes Aegypti, desta forma, continuou e, no final de 2021, a prefeitura registrou mais de 7.000 focos do mosquito, mesmo sem fazer a vistoria dentro das casas. “Agora que estamos entrando, encontramos muitos focos, dentro dos ralos, no banheiro, lavabo, banheiro parado que quase ninguém usa, vasinhos de planta dentro e fora de casa, bromélias, potes de água de animais, ralos de piscina. Todas as situações em que achamos os focos poderiam ser resolvidas facilmente pelos moradores. Houve um caso em que a pessoa estava com dengue e encontramos focos em pratinhos de planta e no ralo”, alerta ela.

Outra dificuldade para o combate é a falta de autorização para os agentes de endemias entrarem nas residências, lembra a gerente.

Adaptação do mosquito

Neste ano, de acordo com a Prefeitura da Capital, outra mudança é na adaptação do mosquito transmissor da dengue aos mais diversos ambientes e materiais e o seu fortalecimento.

Já não é preciso cuidar apenas da água parada e limpa. As equipes que vão a campo têm encontrado focos em água com óleo diesel, como por exemplo, nas poças e água parada que fica em borracharias, de postos de gasolina, onde se faz troca de óleo em veículos

“Em algumas armadilhas nossas, foi encontrada urina e, junto com o líquido, focos do mosquito. Hoje a realidade é outra, os insetos criaram uma imunidade já em relação às nossas armas de combate. Quando o ambiente está muito infestado, o mosquito se readapta, a fêmea procura outros locais”, destaca.

Outra preocupação do município é com as bromélias. Há cinco anos eram  encontrados muito poucos focos de dengue nestas plantas, aponta o município. Em 2022, 30% dos focos no bairro Córrego Grande foram encontrados nelas.

Outros locais onde foram encontrados focos são tonéis, bacia, regador, vaso, ralo,  vaso sanitário na reciclagem, caixa de obra em uma casa, lata de tinta, garrafa pet, pneu, caixa de isopor, lonas em cima de barcos, lata de tinta, lixeira, caixa d´água, piscina, água do passarinho, entre outros.

As ações preventivas continuam as mesmas, de acordo com a prefeitura. Entre elas, Rosilani Martinello dos Santos ressalta a colocação de pastilhas de cloro nos ralos e a colocação de tela de mosquiteiro nos ralos, a manutenção das calhas limpas, as caixas d’água bem tapadas, a substituição de bromélias por plantas que não acumulam água, entre outras iniciativas. “Estamos conscientizando a população da seriedade da doença e da necessidade da colaboração de todos. Aqui em Florianópolis há dois sorotipos circulantes e a pessoa pode pegar o mesmo sorotipo mais de uma vez”, finaliza a gerente do Centro de Controle de Zoonoses.

Além da operação Fim da Picada, a Secretaria Municipal de saúde também disponibiliza uma equipe que só atende denúncias que são repassadas pelo telefone 3212-3902 – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/NDAlém da operação Fim da Picada, a Secretaria Municipal de saúde também disponibiliza uma equipe que só atende denúncias que são repassadas pelo telefone 3212-3902 – Foto: Marcos Albuquerque/PMF/Divulgação/ND

Sintomas e tratamento

Existem quatro tipos de vírus de dengue – sorotipos 1, 2, 3 e 4. A febre alta é um dos principais sintomas da doença. Outros são dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos, mal-estar, falta de apetite, dor de cabeça e manchas vermelhas no corpo.

A infecção por dengue também pode não causar sintomas, ser leve ou grave. Nesse último caso, pode até levar à morte.

As pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver dengue grave e outras complicações que podem levar à morte. O risco aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão.

Não há tratamento específico para a dengue. De acordo com a avaliação médica, são recomendadas medidas como fazer repouso, ingerir bastante água e não tomar medicamentos por conta própria. Pode ser recomendada também a hidratação com soro nas veias. Em caso de suspeita, é fundamental procurar um profissional de saúde para ter o diagnóstico correto.

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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Prefeitura de Florianópolis

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