Florianópolis investe e avança no combate ao HIV/Aids

Ações da Secretaria Municipal de Saúde visam aumentar o acesso aos testes de HIV e ao tratamento, além de disponibilizar todas as ferramentas de prevenção disponíveis à população

O primeiro caso de HIV no mundo foi registrado no início da década de 1980. Na época, quando a doença começou a ser conhecida, o diagnóstico era praticamente uma sentença de morte. Desde então, com as pesquisas e avanços na medicina, tudo mudou, o conhecimento sobre o vírus que causa a Aids, o tratamento da doença, além da qualidade e expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV.

Dia Mundial de Combate ao HIV é lembrado nesta quarta-feira (1/12). Prefeitura de Florianópolis oferece testagem, medicação e preservativos nas suas unidades de saúde – Foto: Freepik/Divulgação/NDDia Mundial de Combate ao HIV é lembrado nesta quarta-feira (1/12). Prefeitura de Florianópolis oferece testagem, medicação e preservativos nas suas unidades de saúde – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Ronaldo Zonta, médico de Família e Comunidade de Florianópolis, lembra que, anteriormente, os remédios antirretrovirais continham um alto número de comprimidos e mais efeitos colaterais. Hoje, no entanto, há tratamentos que podem ser feitos com um ou dois medicamentos e menos efeitos colaterais.

“Ao se tratar de forma contínua para a doença, a pessoa vivendo com HIV pode se tornar intransmissível, ou seja, ela não transmitirá mais o vírus para outra pessoa. O uso dos medicamentos traz qualidade de vida, não só para quem tem o vírus, mas para quem ela se relaciona. Uma pessoa que vive com HIV hoje, que está em tratamento e acompanhamento regular, pode ter a mesma expectativa de vida de uma pessoa que não vive com o vírus”, explica.

O que ainda não mudou, segundo ele, infelizmente, foi o preconceito. “Atualmente podemos dizer que com todo esse arsenal de possibilidades, tanto de prevenção como de possibilidade de tratamento, o que mata no HIV é o preconceito, estigma e a desinformação”, destaca.

Iniciativas para o combate do HIV/Aids na cidade

Em Florianópolis, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, todos os centros de saúde e os CTRrs (Centros de Testagem e Resposta Rápida) oferecem acesso rápido ao tratamento. Os profissionais da área no município também fazem a busca das pessoas que interromperem o tratamento.

Dados da Prefeitura de Florianópolis apontam que cerca de 6. 400 pessoas foram atendidas na rede municipal de Florianópolis nos últimos dois anos para acompanhamento de HIV.  “Sabemos que este número pode ser subestimado, por isso a importância da divulgação e da testagem em todas as pessoas sexualmente ativas”, ressalta Zonta.

De acordo com o Ministério da Saúde, Florianópolis tem ainda a maior taxa de detecção de Aids por ano.

Para prevenir e combater a propagação do vírus, informa a Secretaria Municipal de Saúde, o município desenvolve várias iniciativas, que têm por objetivo atingir uma meta chamada 95-95-95 até 2030.

Isso significa que o órgão busca que 95% das pessoas que vivem com HIV saibam que estão infectadas (muitas vezes a pessoa não tem nenhum sintoma por anos e somente testando consegue descobrir que tem o vírus). Destas pessoas, 95% devem estar em tratamento (existem em Florianópolis em torno de mil pessoas que vivem com HIV que não iniciaram ou interromperam o tratamento pelas mais diversas causas) e 95% das pessoas que vivem com HIV que estão em tratamento devem estar com a carga viral indetectável (zerada).

“Hoje, sabe-se que uma pessoa que vive com HIV e está indetectável não transmite mais o vírus, mesmo que venha a transar sem camisinha com outra pessoa. Com essa meta, espera-se diminuir drasticamente os novos casos de HIV e manter uma boa qualidade de vida para quem vive com HIV”, destaca o médico de família da Capital.

Outra estratégia da Prefeitura de Florianópolis é apostar na prevenção combinada, que entende que a melhor forma de prevenção é a escolhida pela pessoa e que um método usado isoladamente – Foto: PMF/Divulgação/NDOutra estratégia da Prefeitura de Florianópolis é apostar na prevenção combinada, que entende que a melhor forma de prevenção é a escolhida pela pessoa e que um método usado isoladamente – Foto: PMF/Divulgação/ND

Formas de prevenção

Nesse sentido, as ações da Secretaria Municipal de Saúde visam aumentar o acesso aos testes de HIV e ao tratamento, além de disponibilizar todas as ferramentas de prevenção disponíveis.

Para isso, em relação à ampliação de testagem para o vírus, a população tem acesso a testes rápidos (com resultados em 20 minutos) de HIV e outras IST (sifilis, hepatites virais) em todos os centros de saúde e CTRs. Para agendar os testes no centros de testagem e resposta rápida há um chatbot (https://bit.ly/chatbotahoraeagora) que direciona a pessoa ao WhatsApp para agendamento e outras informações.

Prevenção combinada

Outra estratégia da Prefeitura de Florianópolis é apostar na prevenção combinada, já adotada em várias localidades em todo o mundo, que entende que a melhor forma de prevenção é a escolhida pela pessoa e que um método usado isoladamente – por exemplo, somente o uso da camisinha – não é suficiente para vencer o avanço de novos casos. Dessa forma, são ofertadas diversas formas de prevenção ao HIV no município, as quais a própria pessoa escolhe e combina.

Algumas delas são:

– Camisinha feminina e masculina e gel lubrificante, que estão disponíveis de forma gratuita em todas as unidades de saúde da Capital;

– A PEP (Profilaxia Pos-Exposição), que é a “pílula do dia seguinte do HIV”. Ou seja, a pessoa que não usou preservativo ou o preservativo estourou, tem até 72h pra procurar atendimento no Centro de Saúde de seu bairro ou numa das UPA 24h/7 dias na semana. Nesse atendimento, será oferecido o tratamento para prevenir que a pessoa se infecte pelo HIV.

– A PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), que é um comprimido diário que a pessoa que não tem HIV e está em risco de se infectar (por exemplo, quem é profissional do sexo ou tem práticas sexuais de risco) pode tomar antes de se expor ao HIV(como não usar o preservativo) para ela não se infectar. A PrEP está disponível mediante agendamento pelo site bit.ly/agendamentoprep em quatro ambulatórios nas quatro políclinicas do município.

Autotestes também são oferecidos

Além da possibilidade de testar com um profissional de saúde, é possível retirar  autotestes de HIV numa das farmácias das policlínicas ou de alguns centros de saúde da cidade. Outra opção é recebê-los pelo correio em casa ou retirar num armário digital disponível na rodoviária. Para isso, o morador de Florianópolis deve acessar o site: https://www.ahoraeagora.org/.

Essas ações são realizadas por meio do projeto A Hora é Agora, que  faz parte de um Acordo de Cooperação entre a Ensp (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Fiotec (Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde) e os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos, com recursos do Pepfar (Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da Aids).

O tratamento de HIV é realizado em todos os centros de saúde pelas equipes de Saúde da Família. Os CTRrs oferecem acesso rápido ao tratamento de HIV para quem foi recém-diagnosticado ou que ainda não iniciou ou interrompeu o tratamento. Também por meio dos centros de testagem e resposta rápida, os enfermeiros fazem a busca ativa das pessoas que interromperam o tratamento para que retomem o acompanhamento.

O médico Ronaldo Zonta reforça a importância de adotar medidas preventivas, em quaisquer situações. Ele destaca que não há perfil específico para pessoas vivendo com HIV. “O perfil é qualquer pessoa sexualmente ativa. A gente encontra pessoa vivendo com HIV em todas as faixas etárias, classes sociais, identidades de gênero e orientações e práticas sexuais. Qualquer prática sexual sem preservativo é um risco, dentre essas, as de maior risco para o vírus são as pessoas que praticam sexo anal desprotegido”, esclarece.

Camisinha feminina e masculina e gel lubrificant estão disponíveis de forma gratuita em todas as unidades de saúde da Capital – Foto: Freepik/Divulgação/NDCamisinha feminina e masculina e gel lubrificant estão disponíveis de forma gratuita em todas as unidades de saúde da Capital – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Contatos dos CTRrs em Florianópolis

Centro –  WhatsApp: (48) 99121-5517 ou (48) 99187-5566

Norte – WhatsApp (48) 98849-4499 ou (48) 98868-1257

Sul – WhatsApp (48) 99603-4203

Continente – WhatsApp (48) 99959-3242.

Estatísticas globais sobre o HIV em 2021

37,6 milhões [30,2 milhões-45,0 milhões] de pessoas estavam vivendo com HIV no mundo em 2020

. 1,5 milhões [1,1 milhões-2,1 milhões] de pessoas foram infectadas recentemente por HIV em 2020

. 690 mil [480 mil-1 milhões] de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS em 2020

. 27,4 milhões [26,5 milhões-27,7 milhões] de pessoas tiveram acesso à terapia antirretroviral em 2020

. 77,5 milhões [54,6 milhões-110 milhões] de pessoas foram infectadas pelo HIV desde o início da epidemia (até o final de 2020)

. 34,7 milhões [26 milhões-45,8 milhões] de pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids desde o início da epidemia de AIDS (até o final de 2020).

Pessoas vivendo com HIV

Em 2020, 37,6 milhões [30,2 milhões-45 milhões] de pessoas estavam vivendo com HIV

. 35,9 milhões [28,9 milhões-43 milhões] de pessoas adultas. 1,7 milhões [1,2 milhões-2,2 milhões] de crianças (até 14 anos)

. 84% [68- >98%] de todas as pessoas vivendo com HIV conheciam seu status sorológico para HIV em 2020

. Cerca de 6 milhões [4,8 milhões-7,1 milhões] de pessoas não sabiam que estavam vivendo com HIV em 2020.

 Mortes relacionadas à Aids

Desde o auge em 2004, as mortes relacionadas à Aids foram reduzidas em mais de 61%.

Em 2020, cerca de 690 mil [480 mil-1 milhões] pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids no mundo inteiro, contra 1,8 milhões [1,2 milhões-2,6milhões] em 2004 e 1,2 milhões [840 mil-1,8 milhões] em 2010.

A mortalidade por AIDS diminuiu em 42% desde 2010.

Fonte: Unaids

Conforme determina a Lei Municipal nº 10.199, de 27 de março de 2017, a Prefeitura Municipal de Florianópolis informa que a produção deste conteúdo não teve custo, e sua veiculação custou R$2.000,00 reais neste portal.

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