Florianópolis passa a ser a cidade com mais casos da Covid-19 em SC

Região da Grande Florianópolis teve risco reduzido na última atualização do mapeamento estadual, mas segue com maior crescimento nas últimas semanas

Santa Catarina passou a ter 311.393 casos confirmados da Covid-19 desde o início da pandemia, com 286.452 (91%) pacientes recuperados. As informações são do boletim epidemiológico desta quinta-feira (19), que aponta 4.605 casos registrados em 24 horas.

As mortes são 3.405, com inclusão de 21 nesta atualização, deixando a taxa de letalidade em 1,09%, a menor do país.

Capital ultrapassou Joinville em confirmações de casos desde o início da pandemia – Foto: Anderson Coelho/NDCapital ultrapassou Joinville em confirmações de casos desde o início da pandemia – Foto: Anderson Coelho/ND

A Capital catarinense, até então ficava na 2ª posição ou abaixo na lista de cidades com mais casos confirmados. Nesta quinta, Florianópolis apresenta 27.066 confirmações desde março, o que faz com que a cidade seja a que concentra mais casos em todo o Estado, ultrapassando Joinville, que tem 27.036, e é a cidade catarinense mais populosa.

O número de casos é relativamente crítico, considerando que o recorde de casos, desta terça (17), é de 5,1 mil casos em 24 horas, e as outras maiores altas são todas na casa dos 4 mil casos.

O contexto é interpretado como uma nova onda do vírus no Estado por alguns especialistas, e justamente a Grande Florianópolis pode ser considerada o epicentro, já que nas últimas semanas a região apresentou uma evolução de casos e mortes mais crítica.

Segundo análise do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense, da UFSC, a microrregião de Florianópolis tem apresentado os números mais críticos, e figurado como a porção do Estado que tem maior crescimento em casos da doença.

“A excepcionalidade registrada ao longo de todo o mês de outubro e início
de novembro dentre todas as microrregiões continuou sendo pela quinta semana consecutiva a microrregião de Florianópolis. Desde o início do mês de outubro observou-se uma elevação expressiva da taxa de expansão do número de novos casos da doença nessa microrregião, sendo que na primeira semana de outubro esse percentual foi de 7% (mais que o dobro verificado nas demais microrregiões)”, diz o documento, publicado no dia 14 de novembro pelo professor Lauro Mattei.

Evolução do número oficial de casos pelas mesorregiões catarinenses (25/06 a 12/11) – Foto: Divulgação/NECAT UFSC/NDEvolução do número oficial de casos pelas mesorregiões catarinenses (25/06 a 12/11) – Foto: Divulgação/NECAT UFSC/ND

A Grande Florianópolis, contudo, saiu do risco potencial gravíssimo no mapeamento estadual na última atualização, ficando em risco grave, um abaixo na escala. Laguna, Alto Uruguai Catarinense e Xanxerê encontram-se em risco gravíssimo, mapeadas em vermelho, e todas as demais ficam em nível grave.

Quebra de recorde em altas preocupa epidemiologistas

Nas últimas semanas, a maioria dos boletins apresentava uma alta acima de 2 mil casos diários, o que representa um retorno do crescimento de casos no Estado. Além disso, o recorde de confirmação de casos diários foi quebrado duas semanas consecutivas.

Na terça (10), foram 4,8 mil casos confirmados, o maior número registrado desde o início da pandemia até ali. Uma semana depois, foram mais 5,1 mil casos confirmados, o atual recorde. Mesmo nas projeções mais pessimistas, os especialistas não acreditavam em números tão críticos.

“Sabíamos que [os casos] iam aumentar, mas não tanto. Na verdade, o que vemos é que as pessoas não estão seguindo as regras de distanciamento. Isso que nos preocupa muito. Pedimos que as pessoas no mínimo usem máscaras e respeitem o distanciamento”, disse a Superintendente de Vigilância em Saúde, Raquel Bitencourt, sobre a alta da última terça (17).

As altas coincidem com o período de aproximadamente duas semanas após o registro de aglomerações. É o caso, por exemplo, nos feriados, como na Praia do Rosa, em Imbituba, no primeiro dia de novembro.

Ocupação das UTIs se aproxima dos 80%

Uma das variáveis para mapear o risco é a capacidade de atenção, a quantia de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) que estão disponíveis na região.

Apesar de, neste quesito, somente três regiões serem apontadas como em estado crítico, a ocupação global do Estado segue subindo, chegando a 78,4% nesta quinta (19).

Ou seja, são 1.116 leitos ocupados de um total de 1.423 ativos, sendo que são 435 pacientes da Covid-19, e os demais 681 de outras enfermidades. Apesar de sobrarem 307 leitos ainda livres, os dados estaduais apontam nove unidades totalmente lotadas:

  • Hospital Bethesda, em Joinville
  • Hospital Beatriz Ramos, em Indaial
  • Hospital Bom Jesus, em Ituporanga
  • Hospital de Caridade Senhor Bom Jesus Passos, em Laguna
  • Hospital de Gaspar, em Gaspar
  • Hospital Maicé, em Caçador
  • Hospital Sagrada Família, em São Bento do Sul
  • Hospital São José, em Maravilha
  • Maternidade Darcy Vargas, em Joinville

Destas unidades, somente as duas últimas não possuem pacientes do vírus internadas. No total, todas as nove ofertam um total de 92 leitos, e possuem 45 pacientes da Covid-19.

Isolamento social acima da média em SC

Refletindo a quarta (18), foram 37,8% dos catarinenses em casa, um índice de isolamento acima da média nacional, que é de 37,4%.

No ranking de Estados, Santa Catarina ocupa a 14ª posição no quesito. Os dados são da plataforma In Loco, que mapeia 1,5 milhão de catarinenses via smartphone.

Vale ressaltar que as quebras de isolamento foram o principal motivo apontado por especialistas da saúde quando questionados sobre as altas desta e da última terça (10 e 17), que ocorreu alguns dias depois de feriados com praias lotadas.

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