Florianópolis teve quase 800 notificações de reações adversas à vacina da Covid-19

Efeitos mais comuns são fadiga, dor de garganta, febre e dor no local da aplicação; especialistas explicam o que causa as reações

Desde o início da imunização contra a Covid-19, Florianópolis recebeu 794 notificações de reações adversas à vacina, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Florianópolis teve quase 800 notificações de reações adversas à vacina da Covid-19 – Foto: Mauricio Vieira/Secom/Divulgação/NDFlorianópolis teve quase 800 notificações de reações adversas à vacina da Covid-19 – Foto: Mauricio Vieira/Secom/Divulgação/ND

De acordo com a Secretaria, a notificação é feita pelo sistema de prontuário eletrônico, como as demais notificações, ou em formulário próprio.

Os dados apontam que a vacina Astrazeneca gerou 519 notificações, entre as mais de 120 mil doses aplicadas em Florianópolis. Com relação à Coronavac, 217 pessoas apresentaram sintomas. Já foram aplicadas mais de 125 mil doses do imunizante da Sinovac/Butantan.

A vacina da Pfizer detém os menores números, com 21 efeitos adversos notificados entre as 31 mil doses aplicadas. As principais reações às três vacinas contra a Covid-19 notificadas em Florianópolis são fadiga, dor de garganta, febre e dor no local da aplicação.

Até esta quarta-feira (16), a Capital catarinense já administrou 276.828 doses de vacinas, conforme o vacinômetro da prefeitura municipal. A primeira dose já foi aplicada em 210.138 moradores, o que representa 41,3% da população total. Já o reforço vacinal foi feito em 66.690 pessoas, ou seja, 13,1% da população total.

Reações são comuns

A pediatra Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), diz que reações como febre ou cansaço são comuns após a aplicação de qualquer tipo de vacina e faz parte da resposta imune inata do organismo.

“É uma reação natural e esperada. Faz parte da resposta inflamatória e é responsável pela dor local [onde a vacina foi aplicada], pelo mal estar, por febre, reações que nem todas as pessoas apresentam porque é uma resposta individual”, explica.

O infectologista e coordenador do curso de Medicina da Univali, Pablo Sebastian Velho, segue a mesma linha da pediatra e afirma que toda vacina, não apenas a que combate o coronavírus, pode causar reações no corpo humano. Isso porque elas possuem pequenas partículas de vírus que são reconhecidas pelo corpo para que seja possível gerar anticorpos.

“Qualquer vacina ou substância estranha que entra no nosso corpo pode produzir reação. Quando isso ocorre, o nosso sistema imunológico está justamente reconhecendo essas coisas estranhas como adversas para o organismo”, destaca.

Dessa forma, a reação é normal durante a produção de anticorpos que, no caso das vacinas contra a Covid-19, vão evitar o desenvolvimento da forma grave da doença.

A vacina que tem se mostrado mais reatogênica, ou seja, com mais casos de reação identificados, é a da Astrazeneca, mas a Coronavac e a Pfizer, também podem causar efeitos, conforme apontam os dados.

Vacina pode causar reações diferentes

As reações dependem da forma como o imunizante foi produzido e também do organismo de cada pessoa. É por isso que duas pessoas podem receber a mesma vacina, mas não apresentar as mesmas reações.

Se a pessoa tomou a vacina e teve menos ou mais reações, isso não é um indicativo da eficiência da vacina. Pablo explica que cada organismo age de maneira diferente.

“Tenho pacientes que fizeram a vacina e não tiveram nada, enquanto colegas médicos ficaram incapacitados no mesmo dia. É diferente”, ressalta. O infectologista também destaca que as vacinas são seguras e que os efeitos adversos são normais.

A Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis orienta que, caso a pessoa imunizada sinta algum desconforto após a aplicação, deve procurar o serviço de saúde mais próximo para ser avaliada e notificada.

Posso escolher qual vacina tomar?

Não é possível escolher a vacina para a imunização contra a Covid-19. A pediatra Flávia Bravo diz que não há “o menor sentido” em fazer escolha de vacina.

“Hoje o que temos que fazer é usar a vacina que estiver disponível, porque precisamos de cobertura vacinal e todas as vacinas aprovadas foram qualificadas pelos órgãos reguladores”, afirma a diretora da SBIm. 

A prefeitura de Florianópolis, inclusive, fez uma postagem em uma rede social orientando a população para que tome qualquer imunizante contra a Covid-19 aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). “Não seja um tanso, não escolha vacina!”, diz o texto.

Flávia destaca que mesmo que as vacinas tenham apresentado números de eficácia diferentes uma das outras, todos os imunizantes em aplicação no país são seguros e eficazes para conter o avanço da pandemia.

“No ponto de vista de saúde coletiva essas diferenças acabam diluídas, porque vamos ter diminuição da circulação do vírus. Se a maior parte da população estiver vacinada, vamos reduzir a circulação do vírus, reduzir as chances de quadros graves de Covid-19, reduzir internações e mortes num cenário de vida real onde as pessoas estão se expondo”, conclui. Com informações do Portal R7.

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