Força-tarefa fecha estabelecimentos nas primeiras horas de lockdown em Florianópolis

Mutirão montado em Florianópolis para monitorar cumprimento do novo decreto endureceu a cobrança em nome do protocolo sanitário e registrou estabelecimentos abertos depois das 23h

Já está em vigor o decreto assinado pelo governador Carlos Moisés, que impõe a condição de lockdown em todo território de Santa Catarina. A medida, adotada para conter o avanço da Covid-19 que ao longo da semana entrou em colapso no Estado, se estende até o início da manhã da próxima segunda-feira (1).

Guarda Municipal acompanha o fechamento de estabelecimentos na avenida Hercílio Luz, na virada das 23h; decreto em vigor em todo o Estado – Foto: Divulgação/NDGuarda Municipal acompanha o fechamento de estabelecimentos na avenida Hercílio Luz, na virada das 23h; decreto em vigor em todo o Estado – Foto: Divulgação/ND

Eram 23h04 quando duas viaturas da Polícia Militar percorreram, em velocidade compatível com PMs que iam a pé, a laje construída sobre o Rio da Bulha, na avenida Hercílio Luz, centro de Florianópolis.

Foi mais ou menos com essa postura que começou a vigorar, na capital, o confinamento adotado pelo governo do Estado.

Em uma noite abafada e com registros de pancadas de chuva, o movimento perdeu ainda mais força diante da estratégia adotada para tentar conter o vírus que, no Brasil, já matou mais de 251 mil pessoas.

“Eu acho certo, embora minha vontade é de ficar bebendo aqui até amanhecer”, reconheceu, com gargalhada, Mateus Andrade, 26 anos, estudante, que se mobilizava junto com dois amigos a fim de terminar uma garrafa de um litro de cerveja.

Já em pé após o proprietário de um bar na tradicional avenida Hercílio Luz recolher mesas e cadeiras – sob supervisão da GMF (Guarda Municipal de Florianópolis), Mateus disse que, apesar da brincadeira, acha correta a atitude das autoridades em propor, ainda que por pouco tempo, um “fechamento total” das atividades.

A opinião já não é compartilhada pelo casal Maria e Mário, que não quiseram dar mais dados de identificação. “Eu acho que essa postura é autoritária e conveniente. Porque não fizeram isso em outro momento, nas eleições por exemplo, para evitar chegarmos nesse ponto? Quem paga a conta sempre somos nós. E eu nem estou falando do dinheiro” desabafou a jovem com um sotaque característico da região da Grande Florianópolis.

Sentados em um banco na Avenida Hercílio Luz, ambos admitiram serem frequentadores da região há anos e fizeram questão de relembrar uma “outra época”.

“Eu tenho saudade de vir aqui nesse mesmo banco conversar e namorar com ela, enquanto curtimos aquele movimento que faz isso aqui pulsar de gente”, acrescentou Mário, apontando para o corredor formado no canteiro central, desde a construção da laje.

Força-tarefa

A pedido do prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), várias secretarias estiveram representadas na força-tarefa comandada pela chefia de segurança do município, atualmente capitaneada pelo ex-comandante geral da PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina), coronel Araújo Gomes.

Força-tarefa da Prefeitura de Florianópolis chama atenção para a responsabilidade coletiva durante pandemia – Foto: Divulgação/PMF/NDForça-tarefa da Prefeitura de Florianópolis chama atenção para a responsabilidade coletiva durante pandemia – Foto: Divulgação/PMF/ND

As vistorias contam com um expressivo contingente de policiais militares do 4° BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Florianópolis, corporação da estrutura Estadual. Os agentes prestam suporte às equipes, acompanhando todas as visitas.

Também fazem parte da fiscalização conjunta, cerca de 50 pessoas que atuam em órgãos da Prefeitura de Florianópolis como Vigilância Sanitária da Capital, Superintendência de Serviços Públicos, Procon e Guarda Municipal.

De acordo com o que foi repassado pelo subcomandante da GMF, Ricardo Pastrana, os trabalhos transcorreram sem maiores problemas.

Pastrana lembrou de alguns casos pontuais, sem maiores gravidades, e elogiou a população local na qual classificou como “respeitosa” e “ordeira”.

Até os primeiros minutos do sábado (27) as equipes do município, distribuídas em quatro frentes (centro, norte e sul da Ilha, além do Continente) não haviam constatado maiores problemas.

Outro ponto lembrado por Pastrana diz respeito a circulação das pessoas que, em tese, não estão proibidas de transitar nas ruas.

“Não há um toque de recolher, mas não é permitido aglomero de pessoas na rua, grandes grupos ou etc. Mas caminhar pelas ruas não é proibido”, esclarece o subcomandante.

Fiscalização no transporte

A Guarda Municipal, apesar do decreto vigorar somente às 23h de sexta, esteve desde as primeiras horas do dia monitorando situações específicas como o transporte coletivo e os cuidados sanitários em alguns estabelecimentos.

Ao longo do dia os ônibus foram abordados, em momentos pontuais, a fim de serem verificados. Ricardo Pastrana, inclusive, elogiou as empresas que estiveram dentro do que fora estipulado pelas autoridades.

Guarda Municipal de Florianópolis – Foto: GMF/divulgaçãoGuarda Municipal de Florianópolis – Foto: GMF/divulgação

Sobre os estabelecimentos, a força-tarefa mobilizada pela prefeitura verifica itens como uso correto de máscaras, distanciamento, disposição de álcool, sistema de ventilação, aglomeração e outros regramentos definidos pelo decreto Estadual. Irregularidades detectadas podem gerar multas de até R$ 500 mil reais, dependendo da ocorrência.

Ao longo do dia os números da operação indicavam o seguinte índice:

  • 25 estabelecimentos fiscalizados.
  • 21 estabelecimentos estavam cumprindo os protocolos.
  • 3 foram advertidos.
  • 1 foi interditado.
  • 4 autos de infração lavrados pela vigilância sanitária da Prefeitura de Florianópolis.

Até o fechamento da matéria, por volta da 1h, não havia atualização sobre os números computados no trabalho noturno, já sob vigência do novo decreto estadual.

Trabalhos seguem no final de semana

Ao longo do final de semana, pelo menos até as 6h da próxima segunda-feira, os trabalhos de controle e monitoramento deverão ser mantidos.

Ricardo Pastrana, ao ser questionado, projetou uma espécie de “maior facilidade” nos demais dias já que “as pessoas sabem e a maioria dos estabelecimentos estarão fechados”. Dessa forma, no entendimento do subcomandante do órgão municipal, há uma condição mais favorável para o trabalho de fiscalização.

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